21/01/2026
Os 12 mais ricos do mundo concentram mais riqueza que os 4 bilhões mais pobres
O mundo chegou a 2026 com um retrato extremo da desigualdade crescente. Segundo o novo relatório da Oxfam, divulgado no último domingo (19), no marco da abertura do Fórum Econômico Mundial, em Davos, os 12 bilionários mais ricos do planeta concentram mais riqueza do que os 4 bilhões de pessoas mais pobres do mundo, o equivalente à metade da população global.
O estudo mostra que 2025 foi um ano recorde para os super-ricos. Pela primeira vez, o número de bilionários ultrapassou a marca de 3 mil pessoas, enquanto a riqueza total desse grupo chegou a cerca de US$ 18,3 trilhões (aproximadamente R$ 91,5 trilhões), o maior patamar já registrado. Apenas no último ano, esse patrimônio cresceu US$ 2,5 trilhões (R$ 12,5 trilhões) – valor que, segundo a própria Oxfam, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.
O dado chama ainda mais atenção quando comparado ao Orçamento da União para 2026, sancionado pelo governo federal no valor total de R$ 6,54 trilhões – ou seja, a fortuna dos bilionários cresceu, em um único ano, o dobro de todo o orçamento federal do Brasil.
Esse avanço acelerado da riqueza no topo contrasta com a estagnação e o agravamento das condições de vida da maioria da população mundial. O relatório aponta que uma em cada quatro pessoas no planeta enfrenta insegurança alimentar, enquanto quase metade da humanidade vive abaixo da linha de pobreza ampliada utilizada pelo Banco Mundial.
Para a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, esse cenário não pode ser tratado como um fenômeno natural. Ao Brasil de Fato, ela afirmou que a existência de mais de 3 mil bilionários é, antes de tudo, “a expressão de um mundo profundamente desigual”, construído a partir de decisões políticas. Segundo ela, “essa concentração de renda não caiu do céu, ela é resultado da atuação de governos, de potências e dos próprios bilionários para manter e ampliar esse modelo”.
Viviana também chama atenção para o impacto ambiental desse padrão de riqueza. Ela explica que os super-ricos concentram investimentos justamente nos setores mais poluentes e mantêm estilos de vida com alto consumo de recursos.
“Nos primeiros dias do ano, os super-ricos já haviam esgotado sua cota de carbono. Isso tem a ver com o modo de vida e com os setores em que eles lucram”, afirmou. Para a dirigente, essa combinação transforma a concentração de riqueza em uma ameaça “não só à democracia, mas ao futuro do planeta”.
Brasil lidera ranking de bilionários na América Latina
O relatório da Oxfam também destaca o papel do Brasil nesse cenário global de desigualdade. O país concentra o maior número de bilionários da América Latina e do Caribe, com 66 pessoas que acumulam juntas cerca de US$ 253 bilhões (aproximadamente R$ 1,26 trilhão), a maior fortuna total da região. Esse valor equivale a quase 20% de todo o Orçamento da União para 2026.
Esse volume de riqueza convive, segundo a organização, com um sistema tributário historicamente regressivo. A maior parte da arrecadação no país recai sobre o consumo e sobre a renda do trabalho, o que penaliza de forma desproporcional famílias de baixa renda, mulheres e pessoas negras. Ao mesmo tempo, rendas do capital seguem pouco tributadas.
Viviana Santiago afirma que o Brasil é um exemplo claro de como a desigualdade resulta de escolhas políticas. Para ela, quando poucos concentram tanta riqueza e pagam proporcionalmente menos impostos, “toda a sociedade perde”. A dirigente reconhece que a recente reforma do Imposto de Renda, com isenção para quem ganha até R$ 5 mil, representou um avanço ao ampliar a isenção para rendas mais baixas, mas avalia que o país ainda precisa enfrentar temas estruturais. Segundo ela, medidas como a taxação de lucros e dividendos, grandes fortunas e heranças seriam fundamentais para reduzir desigualdades históricas.
"Enquanto a classe trabalhadora compromete quase um quarto da renda com impostos, bilionários seguem intocados, protegidos por um Congresso onde 72% são empresários e fazendeiros, que legislam para defender seus próprios privilégios. Querem congelar o salário mínimo, cortar direitos, mas taxar os super-ricos, nada! Se não bastasse, esses mesmos milhões de trabalhadores, que carregam o país nas costas e sustentam parte significativa da economia, vivem presos em rotinas exaustivas de longas jornadas e sem nenhum tempo para viver, estudar, cuidar da saúde, estar com a família ou descansar", ressalta o presidente da entidade, Roberto Vicentim.
"É por justiça social e tributária e por melhores condições de trabalho e de vida que lutamos", acrescenta o dirigente.
O relatório da Oxfam sustenta que a concentração extrema de riqueza não apenas aprofunda desigualdades sociais, mas também fragiliza a democracia. Ao analisar o cenário global, a organização afirma que, enquanto os super-ricos acumulam patrimônio em ritmo acelerado, governos em diferentes países optam por proteger esses interesses, em vez de investir em redistribuição de renda, garantia de direitos e combate à pobreza.
Fórum de Davos
O documento foi apresentado no Fórum Econômico Mundial, que acontece entre os dias 19 e 23 de janeiro, em Davos, na Suíça. O evento reúne mais de 400 autoridades políticas e empresariais de alto escalão – entre elas, cerca de 65 chefes de Estado e governo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participa do encontro, e o Brasil será representado pela ministra do Planejamento, Simone Tebet. Enquanto o tema oficial do fórum é “Um espírito de diálogo”, o relatório da Oxfam desafia diretamente o ambiente dominante no evento, marcado pela presença dos mesmos setores que, segundo a organização, concentram riqueza, distorcem democracias e bloqueiam reformas estruturais.
O estudo mostra que 2025 foi um ano recorde para os super-ricos. Pela primeira vez, o número de bilionários ultrapassou a marca de 3 mil pessoas, enquanto a riqueza total desse grupo chegou a cerca de US$ 18,3 trilhões (aproximadamente R$ 91,5 trilhões), o maior patamar já registrado. Apenas no último ano, esse patrimônio cresceu US$ 2,5 trilhões (R$ 12,5 trilhões) – valor que, segundo a própria Oxfam, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.
O dado chama ainda mais atenção quando comparado ao Orçamento da União para 2026, sancionado pelo governo federal no valor total de R$ 6,54 trilhões – ou seja, a fortuna dos bilionários cresceu, em um único ano, o dobro de todo o orçamento federal do Brasil.
Esse avanço acelerado da riqueza no topo contrasta com a estagnação e o agravamento das condições de vida da maioria da população mundial. O relatório aponta que uma em cada quatro pessoas no planeta enfrenta insegurança alimentar, enquanto quase metade da humanidade vive abaixo da linha de pobreza ampliada utilizada pelo Banco Mundial.
Para a diretora-executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago, esse cenário não pode ser tratado como um fenômeno natural. Ao Brasil de Fato, ela afirmou que a existência de mais de 3 mil bilionários é, antes de tudo, “a expressão de um mundo profundamente desigual”, construído a partir de decisões políticas. Segundo ela, “essa concentração de renda não caiu do céu, ela é resultado da atuação de governos, de potências e dos próprios bilionários para manter e ampliar esse modelo”.
Viviana também chama atenção para o impacto ambiental desse padrão de riqueza. Ela explica que os super-ricos concentram investimentos justamente nos setores mais poluentes e mantêm estilos de vida com alto consumo de recursos.
“Nos primeiros dias do ano, os super-ricos já haviam esgotado sua cota de carbono. Isso tem a ver com o modo de vida e com os setores em que eles lucram”, afirmou. Para a dirigente, essa combinação transforma a concentração de riqueza em uma ameaça “não só à democracia, mas ao futuro do planeta”.
Brasil lidera ranking de bilionários na América Latina
O relatório da Oxfam também destaca o papel do Brasil nesse cenário global de desigualdade. O país concentra o maior número de bilionários da América Latina e do Caribe, com 66 pessoas que acumulam juntas cerca de US$ 253 bilhões (aproximadamente R$ 1,26 trilhão), a maior fortuna total da região. Esse valor equivale a quase 20% de todo o Orçamento da União para 2026.
Esse volume de riqueza convive, segundo a organização, com um sistema tributário historicamente regressivo. A maior parte da arrecadação no país recai sobre o consumo e sobre a renda do trabalho, o que penaliza de forma desproporcional famílias de baixa renda, mulheres e pessoas negras. Ao mesmo tempo, rendas do capital seguem pouco tributadas.
Viviana Santiago afirma que o Brasil é um exemplo claro de como a desigualdade resulta de escolhas políticas. Para ela, quando poucos concentram tanta riqueza e pagam proporcionalmente menos impostos, “toda a sociedade perde”. A dirigente reconhece que a recente reforma do Imposto de Renda, com isenção para quem ganha até R$ 5 mil, representou um avanço ao ampliar a isenção para rendas mais baixas, mas avalia que o país ainda precisa enfrentar temas estruturais. Segundo ela, medidas como a taxação de lucros e dividendos, grandes fortunas e heranças seriam fundamentais para reduzir desigualdades históricas.
"Enquanto a classe trabalhadora compromete quase um quarto da renda com impostos, bilionários seguem intocados, protegidos por um Congresso onde 72% são empresários e fazendeiros, que legislam para defender seus próprios privilégios. Querem congelar o salário mínimo, cortar direitos, mas taxar os super-ricos, nada! Se não bastasse, esses mesmos milhões de trabalhadores, que carregam o país nas costas e sustentam parte significativa da economia, vivem presos em rotinas exaustivas de longas jornadas e sem nenhum tempo para viver, estudar, cuidar da saúde, estar com a família ou descansar", ressalta o presidente da entidade, Roberto Vicentim.
"É por justiça social e tributária e por melhores condições de trabalho e de vida que lutamos", acrescenta o dirigente.
O relatório da Oxfam sustenta que a concentração extrema de riqueza não apenas aprofunda desigualdades sociais, mas também fragiliza a democracia. Ao analisar o cenário global, a organização afirma que, enquanto os super-ricos acumulam patrimônio em ritmo acelerado, governos em diferentes países optam por proteger esses interesses, em vez de investir em redistribuição de renda, garantia de direitos e combate à pobreza.
Fórum de Davos
O documento foi apresentado no Fórum Econômico Mundial, que acontece entre os dias 19 e 23 de janeiro, em Davos, na Suíça. O evento reúne mais de 400 autoridades políticas e empresariais de alto escalão – entre elas, cerca de 65 chefes de Estado e governo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participa do encontro, e o Brasil será representado pela ministra do Planejamento, Simone Tebet. Enquanto o tema oficial do fórum é “Um espírito de diálogo”, o relatório da Oxfam desafia diretamente o ambiente dominante no evento, marcado pela presença dos mesmos setores que, segundo a organização, concentram riqueza, distorcem democracias e bloqueiam reformas estruturais.
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