21/03/2019
Trabalhadores na luta contra reforma da Previdência
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(Arte: Contraf-CUT)
As centrais sindicais e os movimentos populares vão realizar manifestações em diversas cidades do país na sexta-feira, 22 de março, em protesto contra a proposta de reforma da Previdência, apresentada ao Congresso Nacional pelo governo Bolsonaro. Já estão confirmados atos em quase 100 cidades em todo o país. Os bancários vão aderir às atividades e realizarão atividades próprias da categoria.
Se a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo for aprovada as pessoas serão obrigadas a trabalhar e contribuir por mais tempo, mas receberão menos. Ao mesmo tempo, o governo e as empresas serão isentas de dar suas contribuições.
Os trabalhadores vão às ruas para defender seu direito de se aposentar e receber um valor justo pela contribuição que dão para o desenvolvimento do país.
Para reforçar a manifestação da classe trabalhadora, dirigentes do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região participarão de atividade organizada pela CUT e demais centrais sindicais em São Paulo.
"A proposta de reforma da Previdência enviada pelo governo Bolsonaro ao Congresso Nacional tem consequências muito mais profundas e dramáticas do que podemos imaginar. Pretende-se acabar com uma organização social que garante condições mínimas àqueles que dedicaram anos de sua vida ao trabalho e à construção da riqueza do país", explica o presidente do Sindicato, Roberto Carlos Vicentim.
"Para as mulheres a proposta é ainda pior, aumentando a idade mínima, ignorando o preconceito de gênero que ocorre no trabalho, a baixa participação dos homens nas atividades domésticas, a dupla e/ou tripla jornada exercida por elas, sem nenhuma possibilidade de recompensá-las pela sobrecarga de trabalho. Enquanto o trabalhador perde, as instituições financeiras, claro, serão uma das principais beneficiadas com a venda de planos de Previdência privada", denuncia Vicentim.
O governo quer estipular a idade mínima de 62 anos para mulheres e de 65 anos para homens se aposentarem e extinguir o direito da aposentadoria por tempo de contribuição. Além disso, a idade mínima aumentará a cada quatro, de acordo com o aumento da expectativa de vida da população brasileira. Dados do IBGE mostram que, na maioria dos estados do Norte e Nordeste a expectativa de vida ao nascer em 2017 era de 70 anos a 73 anos.
Nos estados do Sul e Sudeste chegava a 79 anos. Mesmo em uma mesma cidade a expectativa pode sofrer muita variação, dependendo da qualidade de vida da pessoa. O Mapa da Desigualdade 2017, elaborado pela Rede Nossa São Paulo, mostra que enquanto, o morador dos Jardins vive 79,4 anos, em média, o morador do Jardim Ângela vive 55,7 anos.
Tempo de contribuição
Além da idade mínima, o governo quer aumentar o tempo contribuição. As pessoas terão que contribuir por 20 anos para receber apenas 60% do benefício. Se quiser receber 100% do benefício, terão que contribuir por 40 anos. Mesmo assim, não receberão o valor integral da aposentadoria. É que o governo quer alterar a forma de cálculo da contribuição. Hoje o cálculo é feito sobre os 80% dos maiores valores pagos. Com a nova proposta, o cálculo levará em conta a totalidade das contribuições, desde quando a pessoa começou a trabalhar.
Mulheres
A reforma será prejudicial para todos os trabalhadores, mas ainda mais para as mulheres. Hoje, a idade mínima para aquelas que vivem abaixo da linha da pobreza e não conseguiram contribuir por 15 anos é de 60 anos. Vai subir para 62 anos.
"O Sindicato repudia a Reforma da Previdência, mais um golpe de um governo que só prejudica o trabalhador. E convoca todos os trabalhadores a se unirem e persistirem na luta em defesa da aposentadoria. Nenhum direito a menos!", conclama Vicentim.
> 126 cidades do Brasil vão fazer atos em defesa da Previdência. Participe!
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