01/03/2019
Bancos criaram apenas 6 postos de trabalho em janeiro, demonstram dados do Caged

(Montagem: Linton Publio)
O setor bancário, o mais lucrativo da economia brasileira, criou 6 (isso mesmo, seis) postos de trabalho em janeiro de 2018, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), compilados pelo Ministério da Economia.
Em 2018, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander lucraram R$ 73,2 bilhões, aumento de 12,8% em relação a 2017, quando eles lucraram R$ 65 bilhões. A Caixa, que completa o grupo dos cinco maiores bancos do país, ainda não divulgou seu resultado do ano passado.
Mesmo lucrando tanto, os bancos continuam se negando a gerar empregos para reduzir o quadro de 12 milhões de pessoas desocupadas. A criação de vagas, além de uma contrapartida para a sociedade da qual ganham tanto dinheiro, é necessária, pois resulta em um atendimento mais eficiente à população e diminui a evidente sobrecarga de trabalho nessas empresas onde o assédio moral para o cumprimento de metas abusivas é a regra.
Além da geração pífia de postos de trabalho, os bancos seguem lucrando com a rotatividade – demissão de bancários que ganham mais e contratação de funcionários com salários mais baixos.
Em janeiro, o salário médio dos demitidos equivalia a R$ 6.318, enquanto a remuneração média dos admitidos corresponde a R$ 4.938. Isso significa que os novos funcionários foram contratados ganhando 22% menos do que os demitidos.
Uma constatação que a meritocracia propagada pelos bancos é só da boca para fora. Essas empresas cobram qualificação e cumprimento de metas inatingíveis para a promoção, mas que no final resultará em demissão quando esses trabalhadores passarem a ganhar mais.
Desigualdade de gênero persiste
Entre os gêneros, a desigualdade também persiste e aumentou. Em janeiro as mulheres foram contratadas ganhando em média R$ 4.428, 17% menos do que os homens admitidos (R$ 5.347). As demitidas ganhavam em média R$ 5.560, 21% menos do que os dispensados (R$ 7.038).
Não há justificativa para essa desigualdade de salário que não seja a discriminação, já que as bancárias têm mais anos de escolaridade do que os bancários, segundo o Censo da Diversidade 2014.
Na última Campanha Nacional Unificada dos Bancários, no ano passado, a categoria conquistou a realização de um novo Censo da Diversidade, que deve iniciar este ano. O censo é uma ferramenta importante no combate às desigualdades de gênero e raça no setor bancário e para a promoção de políticas de igualdade de oportunidades para mulheres, PCDs (pessoas com deficiência) e negros.
Sobrecarga aumenta
A eliminação de postos de trabalho é ainda mais injustificável se a relação clientes por empregado for considerada. Em dezembro de 2017, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander tinham em média 820 clientes por empregado. Um ano depois, essa relação aumentou 3,3%, para 847 clientes por empregado. Os dados são das demonstrações contábeis das instituições.
"Enquanto a lucratividades das instituições financeiras crescem ano após ano, os bancários estão sobrecarregados em agências e centros administrativos, por conta do número reduzido de funcionários. A categoria é uma das que mais adoecem, e um dos motivos é a sobrecarga crescente e exigências constantes para bater metas cada vez maiores. Os bancos estão lucrando à custa da saúde do trabalhador e dos juros e tarifas exorbitantes que cobram dos clientes. Em troca disso, devolvem desemprego e serviços cada vez mais precarizados à sociedade," denuncia do diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Carlos Alberto Moretto.
O dirigente sindical destaca, ainda, que por meio da ratificação da Convenção Coletiva de Trabalho os bancos se comprometeram para que o monitoramento de resultados ocorra com equilíbrio, respeito e de forma positiva para prevenir conflitos nas relações de trabalho, como determina a cláusula 53 da CCT. "Além disso, o setor que mais lucra no país tem de desempenhar sua função social, baixando juros, incentivando o crédito e impulsionando a economia", defende.
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