22/02/2019
STF já tem quatro votos a favor da criminalização da homofobia

Sessão de quinta: tema já foi discutido em quatro sessões. Dias Toffoli afirmou que terá de "reorganizar a pauta"
(Foto: CARLOS MOURA/SCO/STF)
O Supremo Tribunal Federal (STF) já tem quatro votos, de um total de 11, a favor da criminalização da homofobia e da transfobia. Na sequência do julgamento das ações, na quinta-feira 21, o outro relator, ministro Edson Fachin, do STF, acompanhou integralmente o voto do decano, Celso de Mello, considerando que o Congresso foi omisso e determinando que crimes de discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero sejam enquadrados na Lei 7.716, sobre crimes de racismo. Isso até que o parlamento aprove uma lei específica. Os ministros Alexandre de Moraes e Roberto Barroso seguiram os relatores.
A reportagem é da Rede Brasil Atual.
Ainda não há data para continuação do julgamento. O tema já foi discutido em quatro sessões. O presidente da Corte, Dias Toffoli, afirmou que terá de "reorganizar a pauta".
"Aqui não há tipo penal novo, nem atividade legislativa do Supremo Tribunal Federal", disse Fachin. "Não é constitucionalmente possível não punir ou deixar de punir. Neste caso, há falta de lei específica. Trata-se de cumprir a Constituição", acrescentou o ministro, considerando procedente o Mandado de Injunção (MI) 4.733, da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT). O STF julga conjuntamente o MI e Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 26, ajuizada pelo PPS.
No dia 20, o relator da ADO 26, ministro Celso de Mello, decano do STF, decidiu que o Congresso foi omisso por não editar lei a respeito. E votou no sentido de enquadrar a homofobia e a transfobia como crimes já definidos na legislação, como a Lei 7.716, de 1989.
Leia aqui a íntegra do voto de Celso de Mello, de 155 páginas, que consumiu duas das quatro sessões.
Fachin afirmou que todos têm direito de viver em uma sociedade sem preconceito e de serem protegidos contra a discriminação. "Para termos dignidade com respeito a diferenças é preciso assentar que a sexualidade possui caráter inerente à dignidade humana", argumentou. Ele citou o artigo 5º da Constituição, que determina a edição de lei penal contra quaisquer formas de discriminação que atinge direitos e liberdades fundamentais. Já o decano afirmou que a homofobia representa uma forma contemporânea de racismo.
Primeiro a votar depois dos relatores, Alexandre de Moraes também fez ressalvas ao Congresso. Ele observou que foi apenas em relação à homofobia e à transfobia que o parlamento não seguiu seu próprio padrão, de punir condutas discriminatórias com sanção penal. Segundo o ministro, é caso de proteger um direito fundamental.
Moraes afirmou ainda que se houver lei especial em relação a condutas homofóbicas e transfóbicas, revoga-se a decisão. Se não houver, "a vida continua e será aplicada a Lei 7.716", acrescentou.
"A afetividade é uma das energias mais poderosas do universo", disse quase ao final de seu voto o ministro Luís Roberto Barroso, com direito a citação de trecho da música Paula e Bebeto, de Milton Nascimento e Caetano Veloso: "Qualquer maneira de amor vale a pena".
Segundo ele, a omissão do Congresso está caracterizada nesse caso. Se o parlamento não agiu, argumentou, é legítimo que o STF atue para fazer valer a Constituição. Barroso lembrou que o país registra "número bastante expressivo" de denúncias contra a comunidade LGBT e observou que é preciso punir a discriminação contra orientação sexual da mesma que se faz em relação à discriminação religiosa, de raça ou contra deficiente.
"A homofobia é claramente atentatória aos direitos e as liberdades fundamentais", afirmou Barroso. O ministro disse ainda que enquanto sexo é uma questão biológica, "gênero é questão de percepção do indivíduo e orientação sexual é um fato da vida, não uma escolha". Quase ao final da sessão, finalizada por Toffoli às 18h25, ele defendeu a liberdade religiosa, mas destacou o que considera "a síntese mais completa dos evangelhos, de não fazer ao próximo o que não gostaria que fizessem a si".
A reportagem é da Rede Brasil Atual.
Ainda não há data para continuação do julgamento. O tema já foi discutido em quatro sessões. O presidente da Corte, Dias Toffoli, afirmou que terá de "reorganizar a pauta".
"Aqui não há tipo penal novo, nem atividade legislativa do Supremo Tribunal Federal", disse Fachin. "Não é constitucionalmente possível não punir ou deixar de punir. Neste caso, há falta de lei específica. Trata-se de cumprir a Constituição", acrescentou o ministro, considerando procedente o Mandado de Injunção (MI) 4.733, da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT). O STF julga conjuntamente o MI e Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) 26, ajuizada pelo PPS.
No dia 20, o relator da ADO 26, ministro Celso de Mello, decano do STF, decidiu que o Congresso foi omisso por não editar lei a respeito. E votou no sentido de enquadrar a homofobia e a transfobia como crimes já definidos na legislação, como a Lei 7.716, de 1989.
Leia aqui a íntegra do voto de Celso de Mello, de 155 páginas, que consumiu duas das quatro sessões.
Fachin afirmou que todos têm direito de viver em uma sociedade sem preconceito e de serem protegidos contra a discriminação. "Para termos dignidade com respeito a diferenças é preciso assentar que a sexualidade possui caráter inerente à dignidade humana", argumentou. Ele citou o artigo 5º da Constituição, que determina a edição de lei penal contra quaisquer formas de discriminação que atinge direitos e liberdades fundamentais. Já o decano afirmou que a homofobia representa uma forma contemporânea de racismo.
Primeiro a votar depois dos relatores, Alexandre de Moraes também fez ressalvas ao Congresso. Ele observou que foi apenas em relação à homofobia e à transfobia que o parlamento não seguiu seu próprio padrão, de punir condutas discriminatórias com sanção penal. Segundo o ministro, é caso de proteger um direito fundamental.
Moraes afirmou ainda que se houver lei especial em relação a condutas homofóbicas e transfóbicas, revoga-se a decisão. Se não houver, "a vida continua e será aplicada a Lei 7.716", acrescentou.
"A afetividade é uma das energias mais poderosas do universo", disse quase ao final de seu voto o ministro Luís Roberto Barroso, com direito a citação de trecho da música Paula e Bebeto, de Milton Nascimento e Caetano Veloso: "Qualquer maneira de amor vale a pena".
Segundo ele, a omissão do Congresso está caracterizada nesse caso. Se o parlamento não agiu, argumentou, é legítimo que o STF atue para fazer valer a Constituição. Barroso lembrou que o país registra "número bastante expressivo" de denúncias contra a comunidade LGBT e observou que é preciso punir a discriminação contra orientação sexual da mesma que se faz em relação à discriminação religiosa, de raça ou contra deficiente.
"A homofobia é claramente atentatória aos direitos e as liberdades fundamentais", afirmou Barroso. O ministro disse ainda que enquanto sexo é uma questão biológica, "gênero é questão de percepção do indivíduo e orientação sexual é um fato da vida, não uma escolha". Quase ao final da sessão, finalizada por Toffoli às 18h25, ele defendeu a liberdade religiosa, mas destacou o que considera "a síntese mais completa dos evangelhos, de não fazer ao próximo o que não gostaria que fizessem a si".
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- Mercantil registra lucro de R$ 279,4 milhões no trimestre, valor considerado recorde em toda sua história
- Brasil é 55,5% negro, mas terá apenas 26% das cadeiras da Câmara em 2027
- Novembro Azul: informação, prevenção e combate ao preconceito salvam vidas
- Banco Central mantém Selic em 13,75% enquanto mercado financeiro faz pressão especulativa
- Itaú lucra R$ 37,3 bilhões, mas elimina 3.259 empregos e fecha 334 agências em um ano
- Santander: Assembleia virtual nesta sexta-feira (6) delibera sobre ACT e Acordo de PPRS
- Copom decide nesta quarta-feira (4) se reduz ou mantém Selic em 13,75% ao ano
- Sindicato entrega mais de 200 kg de alimentos ao projeto social Prateleira Solidária
- Novas regras do VA e VR ampliam opções de uso; bancários têm benefícios acima da média nacional
- Saúde Caixa começa a compartilhar rede credenciada com a Cassi nesta quarta-feira (4)
- Festa dos Bancários 2026 reúne categoria em dia de confraternização, premiações e solidariedade
- Brasil bate recorde de pessoas com trabalho desde 2012
- A eleição acabou, mas a participação continua: saiba quem e pelo que cobrar
- COE cobra avanços do Bradesco em PPR, banco de horas e condições de trabalho
- Negociação da Cassi avança com proposta de aporte de R$ 2,288 bilhões