30/01/2019
Ameaças de fatiamento da Caixa e do Banco do Brasil são confirmadas pelo governo federal

Como o movimento sindical já vinha alertando, desde antes das eleições de 2018, uma das principais metas do governo Bolsonaro é privatizar e reduzir empresas estatais. Isto mais uma vez foi confirmado, em evento do Credit Suisse, pelo secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar.
De acordo com matéria publicada pelo jornal Valor Econômico, na terça-feira (29) o secretário confirmou as ameaças de fatiamento dos bancos públicos. Apesar de afirmar que o governo deverá manter a Petrobras, a Caixa e o BB, Salim deixou claro que a intenção é reduzir o tamanho das empresas.
No alvo estariam principalmente as subsidiárias, que seriam vendidas pelo governo. Em sua fala no evento, o secretário especial afirmou que “não há por que o Banco do Brasil ter um banco de investimentos, por exemplo”.
Estas propostas não apenas ameaçam o emprego de milhares de trabalhadores dos bancos públicos em todo o Brasil, mas também a atuação social destas instituições.
“Os bancos privados sempre puderam fazer grandes investimentos no país, em habitação, agricultura. Nunca fizeram porque não tiveram interesse, já que o único objetivo é o lucro. Ou seja, com o enfraquecimento dos públicos, o mercado, o capital privado se desvencilha de concorrentes incômodos. A população brasileira e a economia do país perdem, assim, instrumento importante de política pública”, explica a coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, Rita Serrano, que também representa os empregados da Caixa no Conselho de Administração do banco.
O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região sempre teve como uma de suas principais bandeiras de luta a defesa das empresas públicas, patrimônio de milhões de brasileiros. E por isso, conclama empregados, empregadas e a população contra a política de desmonte pretendida pelo novo governo.
"Esta é uma luta de toda a sociedade contra a entrega da Caixa e do BB - instituições fundamentais para o desenvolvimento do país - a especuladores nacionais e estrangeiros. É hora de fortalecermos nossa organização na defesa dos empregos e direitos e, sobretudo, nossa resistência frente as ameaças do governo aos bancos públicos.
O dirigente também ressalta a importância dos funcionários e da sociedade questionarem a quem realmente interessa o sucateamento de um banco que apresenta lucros cada vez maiores.
"Antes, o BB era usado como uma ferramenta para alavancar a economia. A ordem agora é deixar o banco agonizar para justificar sua privatização em médio prazo. Mais da metade do crédito no país é oferecido pelos bancos públicos e com juros mais baixos. Os recursos chegam diariamente às mãos da população brasileira para financiamento da casa própria, pagamento dos programas sociais e para crédito agrícola e estudantil por meio de instituições como o Banco do Brasil. Quem é que se beneficia com o sucateamente de uma empresa como o BB?", questiona Vicentim.
Valorização de bens, empresas e serviços públicos terá nova campanha
Já está definido o local do primeiro encontro do Comitê Nacional em Defsa das Empresas Públicas em 2019. Será em 6 de fevereiro na sala Giotto do Hotel San Marco, em Brasilia, num seminário que vai discutir estratégias e ações em defesa do que é público no Brasil.
Pela manhã os participantes vão discutir temas como Os Desafios do Novo Congresso e a Nova Estrutura do Poder Executivo, com palestra a cargo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), além de Conjuntura Nacional: Situação Econômica e Fiscal, pelos técnicos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No período da tarde o encontro resulta em debate e elaboração de propostas e estratégias que serão adotadas pelo comitê neste ano.
Entre as primeiras atividades previstas para o ano está o lançamento da campanha “Defender o que é público é defender o Brasil”, um desdobramento da campanha “Se é público, é para todos”, iniciada em 2016 e que teve ampla repercussão nacional e na Argentina. “Estamos em um cenário difícil, mas nossa disposição está renovada. Vamos nos organizar e resistir às ameaças de privatizações em todas as frentes, porque nossa defesa é a do povo e dos trabalhadores brasileiros”, destaca a coordenadora do comitê, Rita Serrano.
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