20/12/2018
Disparidade: Igualdade de gênero no trabalho levará mais de 200 anos, diz estudo do FEM

(Foto: Freepik)
A igualdade de gênero em locais de trabalho em todo o mundo levará mais de dois séculos para ser alcançada, segundo um relatório do Fórum Econômico Mundial divulgado na terça-feira (18). O estudo aponta também para a redução da participação feminina na política, além do acesso desigual à saúde e à educação, apesar de ligeira melhoria na equiparação salarial em 2018 na comparação com o ano anterior. O relatório estima ainda que, no atual ritmo, levará 108 anos para zerar a disparidade global e 202 anos para que seja estabelecida paridade econômica no trabalho entre os gêneros.
Após anos de avanços na saúde, educação e representação política, as mulheres sofreram recuos nestas três áreas este ano em termos globais. O único setor de melhoria foi o de oportunidade econômica. Apesar disso, o relatório conclui que a disparidade de renda entre homens e mulheres hoje é de 51%.
Em 2018, menos mulheres trabalhavam do que homens, e a principal razão era a falta de opções de cuidados infantis. Isso, de acordo com o estudo do Fórum Econômico Mundial, as mantém longe de empregos e de avançar para funções de liderança.
Nórdicos lideram
Os países nórdicos lideram o Índice Global de Disparidade de Gênero divulgado pelo Fórum Econômico Mundial. O primeiro colocado é a Islândia, seguido por Noruega, Suécia e Finlândia. Na outra ponta, com as maiores discrepâncias gerais de gênero, estão Síria, Iraque, Paquistão e o Iêmen.
Entre as 20 principais economias do mundo, a França obteve o melhor resultado e ocupou a 12ª colocação geral, seguida por Alemanha (14ª), Reino Unido (15ª), Canadá (16ª) e África do Sul (19ª). Os EUA caíram para a 51ª posição geral, com o Fórum Econômico Mundial dando destaque a uma recente queda na paridade de gênero em cargos de nível ministerial.
95ª colocação
O Brasil ocupa a 95ª colocação mundial, abaixo de Senegal e Camboja e acima de Libéria e Azerbaijão. Na América Latina, terceira região do mundo de maior igualdade entre gêneros em 2018, ficou à frente somente de Paraguai, Guatemala e Belize.
Segundo o relatório, o Brasil teve em 2018 uma reversão significativa no progresso em direção à igualdade de gênero. Foi o pior índice registrado desde 2011, em grande parte devido às subcategorias de participação econômica e de oportunidade.
O Fórum Econômico Mundial utilizou no relatório dados de instituições como a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região sempre defendeu a igualdade salarial entre homens e mulheres. "Estamos atravessando um período no qual há uma série de ameaças de retrocesso, em que percebemos os preconceitos e o machismo arraigado na sociedade. Como sindicato cidadão, temos como uma de nossas principais bandeiras a luta pelo fortalecimento das políticas voltadas para a promoção da igualdade de gênero e de oportunidades para todos, sobretudo nos ambientes organizacionais. É fundamental nossa união para barrar qualquer tentativa de retrocesso, para que todo o avanço que conquistamos nos últimos anos não se perca", destaca o secretário geral do Sindicato, Júlio César Trigo.
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