30/07/2018

Triste realidade: Acidentes de trabalho em São Paulo causam uma morte a cada 20 horas

 
 
 
De 2012 a 2017, uma ocorrência a cada três minutos
(Foto: Agência Brasil)


Com 165.996 acidentes de trabalho no ano de 2017, o estado de São Paulo registrou 447 mortes, ou uma morte a cada 20 horas, em média. O cálculo é do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho, mantido pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). 

A reportagem é da Rede Brasil Atual.

Com base nos dados disponíveis, o Observatório projetou para o primeiro semestre deste ano mais de 100 mil acidentes e um gasto aproximado, em benefícios previdenciários, de R$ 2,4 bilhões. 

De 2012 a 2017, foram 1,129 milhão de acidentes no estado – um a cada 2 minutos e 47 segundos. Os mais frequentes, segundo o MPT, foram cortes, lacerações e puncturas (relacionado a perfuração), além de contusões, esmagamento e fratura. 

Apenas a cidade de São Paulo tem 297 mil casos de 2012 a 2017. Em seguida, vêm Campinas (30.740), São Bernardo do Campo (30.470), São José do Rio Preto (25.814) e São José dos Campos (22.802).

Segundo o Anuário Estatístico da Previdência Social, em 2016, último dado disponível, foram registrados no INSS 578.935 acidentes, ante 622.379 no ano anterior. Em São Paulo, foram 198.354.

Terceirizados são as maiores vítimas de acidentes de trabalho

O Brasil ocupa o 4º lugar do mundo onde mais se registra acidentes de trabalho. Segundo dados da Previdência Social, mais de 700 mil acidentes laborais são registrados todos os anos com dados apenas de trabalhadores com carteira assinada. Esse número deve aumentar já que a mudança da legislação imposta pela reforma trabalhista de Temer fere alguns direitos previstos na Constituição brasileira e precariza as condições de trabalho.

O secretário geral do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Júlio César Trigo, destaca que a entidade sempre se posicionou contrária à reforma trabalhista por entender que a ‘modernização’ das leis seria na verdade o desmonte da CLT, dos direitos duramente conquistados, e que só traria prejuízos às condições de trabalho.

"A forma como nos impuseram essa contrarreforma fere princípios básicos da Constituição. O governo, por exemplo, viola a democracia ao estabelecer modificações referentes a jornada e ao descanso, sem a participação dos trabalhadores. A relação capital versus trabalho também prevalece somente como negócio jurídico, além de outros pontos que só trarão ainda mais prejuízos, como a terceirização irrestrita," explica o dirigente.

Direitos do trabalhador nos acidentes de trabalho

A maioria dos trabalhadores brasileiros não tem conhecimento dos seus direitos quando são vítimas de acidente de trabalho, ainda que sejam direitos básicos, a exemplo de estabilidade no emprego, garantias perante o INSS e a empresa, e os seus direitos quando recorrem ao Poder Judiciário.

A cobrança de metas inatingíveis, as jornadas prolongadas e o aumento do ritmo de trabalho nas agências de todos o país têm contribuído seriamente para os agravos à saúde da categoria bancária. Essa realidade impõe que diretrizes sejam estabelecidas e que seja criado um sistema de combate aos acidentes de trabalho eficiente.

"Não pode haver trabalho decente com retirada de direitos. A avaliação permanente dos riscos e a busca contínua de um ambiente de trabalho seguro e saudável sempre foi uma de nossas bandeiras e é também uma das prioridades nesta Campanha Nacional. O ambiente bancário pode ser hostil ao profissional, causando danos que podem ser irreversíveis tanto para o trabalhador como também para a sua família, pois podem comprometer o exercício de sua profissão", destaca Trigo. 
 
Fonte: Rede Brasil Atual com Seeb SP, e edição de Seeb Catanduva

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