25/07/2018

Campanha: Falta de numerário sobrecarrega bancários e prejudica também a população



 
 
Na terceira mesa de negociação da Campanha Nacional Unificada 2018, os representantes da categoria bancária cobraram da Fenaban (federação dos bancos) soluções para a falta de numerário em terminais de autoatendimento ou até mesmo em agências de determinados municípios.

Um exemplo das consequências da falta de numerário em agências ocorreu em uma unidade do Banco do Brasil na cidade de São Domingos do Maranhão (MA), que ficou cerca de dez meses sem disponibilizar serviços de saques e depósitos. Para conseguir dinheiro, a população da cidade e também de dois municípios vizinhos que dependem da unidade, Fortuna e Governador Luís Rocha, precisavam se deslocar cerca de 40 quilômetros até a cidade de Presidente Dutra.

Outro caso acorreu em uma agência do Itaú localizada em Gama, região administrativa do distrito federal, na qual a polícia teve de ser acionada para conter os ânimos da população, revoltada com a falta de dinheiro justamente no dia de pagamento dos aposentados, o que sempre aumenta consideravelmente o movimento da unidade. 

“Essa é uma situação que ocorre principalemente em cidades menores, do interior, ou em bairros mais afastados dos grandes centros, e afeta diretamente o atendimento à população e o comércio local. Além disso, bancários dessas unidades também são prejudicados, uma vez que estão na linha de frente da agência e precisam lidar com situações de elevado estresse em decorrência da justa insatisfação dos usuários”, diz a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Ivone Silva.

A dirigente lembra que, de acordo com a pesquisa “O brasileiro e sua relação com o dinheiro”, publicada em 2018 pelo Banco Central, o pagamento em espécie ainda é o mais utilizado pelos brasileiros.

Segundo os dados do BC, 48% da população recebe salário em conta corrente, conta salário ou conta poupança. Ao mesmo tempo, 60% utilizam o dinheiro como o meio de pagamento de maior frequência. O dinheiro também é a forma de pagamento mais aceita, chegando a 96% dos estabelecimentos, enquanto o débito aparece em segundo, com 76%, e crédito em terceiro, com 74%.

“Ou seja, em um país onde o pagamento em espécie é o mais aceito pelos estabelecimentos e o mais utilizado pela população, a falta de numerário em agências é uma questão extremamente grave, uma vez que afeta diretamente o consumo e, principalmente, o comércio local, explica Ivone.

O secretário-geral do Sindicato, Júlio César Trigo, atenta para o fato de que a falta de numerário é um problema que se estende também aos funcionários.  "São os bancários que lidam diretamente com a insatisfação dos clientes nesse tipo de situação. Isso pode levar o trabalhador a desenvolver altos níveis de estresse, tendo como consequência o adoecimento."  

"Os bancos são o único setor do país que tem seus lucros acrescidos mesmo em tempos de crise, o que demonstra que possuem condições suficientes para garantir um bom atendimento à população, segurança e boas condições de trabalho para a categoria. É isso que o movimento sindical cobra da Fenaban”, conclui Trigo.
 
Fonte: Seeb SP, com edição do Seeb Catanduva

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