22/03/2018
Eventos em Brasília discutem soluções para evitar a escassez de água

O FAMA é um evento alternativo para discutir formas de prevenir a escassez de água no mundo e impedir sua mercantilização
Enquanto líderes das potencias mundiais estão reunidos em Brasília (DF), de 19 a 23 de março, no Fórum Mundial da Água, sindicalistas, ativistas, técnicos em saneamento participam em outro local da capital federal do FAMA (Fórum Alternativo Mundial da Água).
Os debates do primeiro evento estão em torno de propostas para conter a escassez da água, apresentação de experiências adotadas para atender grandes empresas consumidoras e ruralistas, que usam e abusam dos mananciais hídricos sem se preocupar com o que isso representa para a natureza.
Não é por menos que o Fórum dos países ricos estão sendo chamado de "balcão de negócios" do setor, porque seus integrantes estão mesmo é de olho no mercado e nos recursos hídricos do Brasil.
Já no FAMA, as discussões abordam a mercantilização da água, seu uso irracional por grandes grupos empresariais e a entrega do controle das empresas públicas de saneamento para o capital privado.
O planejador ambiental Renato Tagnin lembrou em sua fala na mesa-redonda que toda vez que o assunto é escassez e a desigualdade no acesso à água, o mercado logo se apresenta como "a solução que conseguirá regular e racionalizar o uso", o que é uma falácia, segundo ele. "A escassez e a degradação ambiental são iniciativas planejadas pelo próprio modus operandi das empresas e das grandes corporações."
Tagnin, que é integrante da comissão técnico-científica do Movimento em Defesa da Vida do ABC e consultor do Ministério do Meio Ambiente para a elaboração da Estratégia Federal de Gestão Ambiental Urbana destacou a impunidade que beneficia o setor empresarial, que teria de vender seus produtos por preços "inimagináveis" e abrir mão de lucros para pagar multas relativas aos danos que causa.
"Levantamentos em diversas partes do mundo mostram que, em geral, é muito mais compensador correr o risco de ser multado por uma inadequação, um problema, ou mesmo uma tragédia como a de Mariana ou de Barcarena, do que incluir no processo produtivo os cuidados para prevenção, as chamadas externalidades, que exigem mudanças nas margens de lucro. Preferem correr o risco de uma eventualidade, de uma multa, cujo valor comparado com os prejuízos causados é ridículo. Correr o risco e infringir a lei valem a pena e por isso se tornou regra".
No FAMA também estão sendo discutidos os projetos dos governos estaduais, ou a falta deles, para evitar o desabastecimento de água para a população, com destaque para a crise no setor que ocorreu em São Paulo há dois anos.
De acordo com o Ministério da Integração Nacional, pelo menos 917 cidades brasileiras correm o risco de ter problemas relacionados à seca e à falta d’água nos reservatórios.
Os debates do primeiro evento estão em torno de propostas para conter a escassez da água, apresentação de experiências adotadas para atender grandes empresas consumidoras e ruralistas, que usam e abusam dos mananciais hídricos sem se preocupar com o que isso representa para a natureza.
Não é por menos que o Fórum dos países ricos estão sendo chamado de "balcão de negócios" do setor, porque seus integrantes estão mesmo é de olho no mercado e nos recursos hídricos do Brasil.
Já no FAMA, as discussões abordam a mercantilização da água, seu uso irracional por grandes grupos empresariais e a entrega do controle das empresas públicas de saneamento para o capital privado.
O planejador ambiental Renato Tagnin lembrou em sua fala na mesa-redonda que toda vez que o assunto é escassez e a desigualdade no acesso à água, o mercado logo se apresenta como "a solução que conseguirá regular e racionalizar o uso", o que é uma falácia, segundo ele. "A escassez e a degradação ambiental são iniciativas planejadas pelo próprio modus operandi das empresas e das grandes corporações."
Tagnin, que é integrante da comissão técnico-científica do Movimento em Defesa da Vida do ABC e consultor do Ministério do Meio Ambiente para a elaboração da Estratégia Federal de Gestão Ambiental Urbana destacou a impunidade que beneficia o setor empresarial, que teria de vender seus produtos por preços "inimagináveis" e abrir mão de lucros para pagar multas relativas aos danos que causa.
"Levantamentos em diversas partes do mundo mostram que, em geral, é muito mais compensador correr o risco de ser multado por uma inadequação, um problema, ou mesmo uma tragédia como a de Mariana ou de Barcarena, do que incluir no processo produtivo os cuidados para prevenção, as chamadas externalidades, que exigem mudanças nas margens de lucro. Preferem correr o risco de uma eventualidade, de uma multa, cujo valor comparado com os prejuízos causados é ridículo. Correr o risco e infringir a lei valem a pena e por isso se tornou regra".
No FAMA também estão sendo discutidos os projetos dos governos estaduais, ou a falta deles, para evitar o desabastecimento de água para a população, com destaque para a crise no setor que ocorreu em São Paulo há dois anos.
De acordo com o Ministério da Integração Nacional, pelo menos 917 cidades brasileiras correm o risco de ter problemas relacionados à seca e à falta d’água nos reservatórios.
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