19/02/2018
Sindicato realiza debate sobre Reforma da Previdência com ex-ministro Carlos Gabas

O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região recebeu, na noite de sexta-feira (16), o ex-ministro da Previdência Carlos Eduardo Gabas para o debate “O que temer na Reforma da Previdência”, que tratou do desmonte previdenciário e seus prejuízos para toda a sociedade.
O Sindicato, como principal instrumento de defesa dos interesses da classe trabalhadora tem lutado arduamente pela preservação do direito à aposentadoria. “A reforma da Previdência interessa a milhões de brasileiros que esperam se aposentar ao longo das próximas décadas. É fundamental proporcionar aos trabalhadores informações relevantes sobre o tema, pois só com entendimento e mobilização vamos conseguir barrar os retrocessos”, destacou o presidente da entidade Roberto Carlos Vicentim.
O evento, organizado pelo Sindicato em parceria com a CUT- subsede São José do Rio Preto, ocorreu no auditório da entidade e contou com a presença de bancários, dirigentes sindicais e representantes de demais categorias.
Gabas iniciou o debate com uma apresentação detalhada sobre a proposta de reforma enviada ao Congresso Nacional, destacando os pontos que promovem o desmantelamento das conquistas e direitos dos trabalhadores. As reformas previstas pela PEC 287 dificultam o acesso aos benefícios, exigem mais tempo de contribuição e reduzem drasticamente os valores a serem recebidos por meio de aposentadorias e pensões.
Para o ex-ministro, a reforma é, na verdade, um desmonte do sistema de proteção do país, com o objetivo de levar a população a procurar planos de previdência privada.
“A apresentação das contas é feita de forma a evidenciar o déficit enorme ou, em última análise, a inviabilidade do nosso sistema de proteção. A dificuldade hoje é conjuntural e não estrutural, tivemos queda bruta na arrecadação devido à falta de crescimento do país, ao alto índice de desemprego. Temer tem perdoado dívidas bilionárias, sobretudo de banqueiros, que ainda serão beneficiados com o aumento dos planos de previdência privados. Dessa forma, a inadimplência também foi aumentando. Já se provou que o rombo é uma farsa. Os números demonstram que a Previdência, aliás, é superavitária.”
Gabas, no entanto, defendeu mudanças. Para ele é preciso uma reorganização das fontes de financiamento para aperfeiçoar e garantir sustentabilidade ao sistema. "O que precisa é cobrar os devedores, acabar com a sonegação e as renúncias fiscais. Quando se fala em reforma se pressupõe melhorias, não retirada de direitos. A proposta só não retira privilégios dos altos escalões. Diante disso, se torna extremamente injusta com a população que trabalha e contribui corretamente.”
A principal reação, segundo o palestrante, contra as ações do governo é construir debates que mostrem a real situação do sistema previdenciário. Para isso, ele tem percorrido todo o país, como servidor da Previdência e ex-ministro, debatendo a questão.
Gabas enfatizou que é preciso continuar a pressão sobre o Congresso para que não se vote a PEC 287/2016.
"A conta que ele precisa entregar para quem patrocinou o golpe é a privatização da Previdência. Por isso vai jogar todas as fichas. Meu alerta às entidades sindicais, centrais, movimentos populares e a todos os trabalhadores é que não desmobilizem. Unam-se na luta por nenhum direito a menos!”
Em mais uma tentativa de golpear os trabalhadores, o governo se utilizou da intervenção militar na Segurança do Rio de Janeiro para tentar conseguir votos para a aprovação da reforma previdenciária. Temer já declarou que iria suspender a intervenção caso o “Congresso achasse que haveria condições de votar”.
Para o ex-ministro, trata-se de mais uma jogada política. Gabas criticou a medida e defendeu que o conflito na segurança é só a ponta do iceberg da crise social, política e econômica que vivemos. “Há diversos exemplos na história para demonstrar que uma intervenção militar não resolverá o problema da violência, que só se resolve com políticas sociais, incentivo à educação, geração de emprego e justa distribuição de renda.”
Carlos Eduardo Gabas tem uma experiência de mais de 30 anos em Previdência Social. Ele é servidor de carreira do segmento, tendo ingresso no serviço público em 1985. Foi dirigente sindical até 2002. No ano seguinte, foi nomeado para a Superintendência do INSS no primeiro mandado do governo Lula. Em 2005, assumiu a Secretaria Executiva do Ministério da Previdência Social.
Em junho de 2008, exerceu o cargo de ministro interino da pasta e, em março de 2010, assumiu definitivamente o ministério. Voltou a ser ministro da Previdência até o final de 2015, quando foi nomeado para a Secretaria da Aviação Civil.

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