Lucrão para poucos, demissão para muitos. Esse é o modus operandi dos bancos no país
Muito trabalho, resultados excelentes e, no final de tudo, demissão. Assim atuam os bancos no Brasil. De acordo com a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB) do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgada no dia 02, pela subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), as instituições financeiras fecharam 17.711 postos de trabalho no país entre janeiro e novembro de 2017. O saldo negativo foi 53,7% superior em relação ao mesmo período em 2016.
O balanço dos cinco maiores bancos, no entanto, aponta que entre janeiro e setembro de 2017, o lucro de BB, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander foi da ordem de R$ 54,1 bilhões, aumento de 20,4% em relação ao mesmo período de 2016.
“Mesmo mantendo lucros bilionários, os bancos estão entre os cinco setores da economia que mais demitiram em 2017: foram 1.188 agências fechadas entre janeiro a setembro. Acumulam ganhos exorbitantes às custas de demissões e da precarização das condições de trabalho, sobrecarregando aqueles que permanecem nas instituições e levando-os muitas vezes ao adoecimento", critica o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região Roberto Carlos Vicentim.
“Por isso, é fundamental que os trabalhadores se mantenham unidos e mobilizados ao lado de suas entidades representativas. Neste período de desmonte trabalhista, promovido pela reforma de Temer com o apoio do setor patronal - sobretudo dos bancos - , só a luta vai garantir empregos e direitos. Apenas com o fortalecimento da categoria é que Sindicato e bancários conseguirão resistir”, convoca Vicentim.
> Fortaleça a luta por empregos e direitos ao lado do Sindicato
Maiores impactos – São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro foram os estados mais impactados pelos cortes, com fechamento de 5.186, 2.965 e 1.969 postos, respectivamente. Apenas a Paraíba apresentou saldo positivo no emprego bancário, com 74 postos abertos no período. O Acre teve o saldo zerado e os demais estados apresentaram saldo negativo no período.
A análise por Setor de Atividade Econômica revela que os “Bancos múltiplos com carteira comercial”, categoria que engloba instituições como, Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil, foi responsável pelo fechamento de 10.541 postos entre janeiro e novembro de 2017. A Caixa respondeu pelo fechamento de 6.878 postos no mesmo período, em função de novo PADV implantado em julho de 2017.
Faixa etária – A extinção de postos de trabalho nos bancos atingiu, principalmente, trabalhadores na faixa etária entre 50 a 64 anos, com fechamento de 15.101 postos de trabalho.
Esse dado é indicativo do resultado dos PADV, anunciados em julho pela Caixa e pelo Bradesco por se destinarem a bancários aposentados ou em vias de se aposentar. Os bancários mais jovens - faixa etária entre 18 a 24 anos – representam a maioria dos postos de trabalho criados (7.317 postos).
Desigualdade – As 11.412 mulheres admitidas nos bancos entre janeiro e novembro de 2017 receberam, em média, R$ 3.460,78. Esse valor correspondeu a 71,8% da remuneração média auferida pelos 11.763 homens contratados no período. Constata-se a diferença de remuneração entre homens e mulheres também nos desligamentos. As 21.071 mulheres desligadas dos bancos recebiam, em média, R$ 6.525,09, o que representou 76,9% da remuneração média dos 19.815 homens desligados dos bancos no período.
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