A reforma trabalhista mostra os dentes: intermitente pode ter de pagar para trabalhar!
O governo Temer fez propaganda e tentou convencer a população de que a reforma trabalhista, em vigor desde 11 de novembro, seria uma necessária “modernização” da legislação e que não retiraria direitos. Porém, tão logo entrou em vigor, a verdade sobre as novas leis já se sobrepõe ao marketing governamental. Um dos maiores absurdos está relacionado ao trabalhador intermitente, aquele que só vai quando é “convocado” e recebe por horas trabalhadas. Se quiser se aposentar, o empregado submetido a essa modalidade de contratação pode ter de, literalmente, pagar para trabalhar.
Pela nova legislação, o intermitente deve receber, pelo menos, valor proporcional ao salário mínimo pela hora, R$ 4,26, ou pelo dia trabalhado, R$ 31,23. Levando-se em conta a contribuição mínima para a previdência, de 8% sobre o salário mínimo (atualmente em R$ 937), o empregado que não acumular horas suficientes para receber esse valor no mês terá de complementar do próprio bolso a contribuição previdenciária se quiser se aposentar e receber auxílios do INSS como, por exemplo, licença médica.
Um exemplo dessa trágica situação criada pela reforma trabalhista de Temer é uma vaga para operador de caixa intermitente em uma rede de supermercados em Fortaleza, capital do Ceará. Para quatro horas por dia, seis vezes por mês, a empresa paga um salário de R$ 4,81 por hora. Com essa carga horária, a remuneração mensal ficaria em R$ 115,44. Assim, a contribuição à Previdência paga pela empresa seria de R$ 23,09. Mas como a contribuição mínima aceita é de R$ 187,40, o empregado precisaria desembolsar R$ 164,31. Ou seja, terminaria o mês com menos R$ 65,03.
“O trabalhado intermitente retrata a situação absurda de desmonte instaurada pela reforma trabalhista. Mas nossa luta não terminou, muito pelo contrário. O Sindicato tem se mobilizado pela anulação da reforma por meio de várias atividades. Coletamos assinaturas para um Projeto de Lei de Iniciativa Popular (Plip) que proporá reverter as mudanças na CLT, debatemos com a população os malefícios do projeto para toda a sociedade e, sobretudo, suas implicações no dia-a-dia da categoria bancária. Também fomos às ruas com material informativo para conscientizar a todos sobre a importância de se mobilizar e lutar pelos direitos trabalhistas tão duramente conquistados, frizou Júlio Trigo, secretário-geral do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região.
Previdência – É importante atentar ao fato de que o trabalho intermitente também trará um impacto negativo na arrecadação previdenciária. Na prática, o que acontecerá é que o trabalhador intermitente não contribuirá para a Previdência. Ninguém vai trabalhar para ficar no vermelho no fim do mês. Com isso, uma grande parcela dos trabalhadores ficará desassistida e a arrecadação da Previdência cairá drasticamente. Isso em meio aos esforços nada republicanos do governo Temer para aprovar a reforma da Previdência. Enquanto alega que sem a reforma o sistema previdenciário não se sustenta, o próprio governo impôs medidas que levam à redução da arrecadação, o que faz cair por terra todos os argumentos de Temer e sua base aliada para dificultar a aposentadoria dos brasileiros.
MAIS NOTÍCIAS
- ELEIÇÕES SINDICAIS 2026: COMUNICADO
- Banco Central reduz Selic em apenas 0,25 e mantém juros em nível que contribui à perda de renda da população
- Itaú fecha agências, sobrecarrega unidades abertas e bancários vivem suplício
- Agências bancárias estarão fechadas no feriado do Dia Internacional do Trabalhador
- Alô, associado! Venha curtir o feriado de 1º de Maio no Clube dos Bancários
- Por que a economia cresce, mas o dinheiro não sobra?
- Cabesp anuncia reajuste nos planos Família, PAP e PAFE, que valem a partir de 1º de maio
- Bancários e bancárias: Responder à Consulta Nacional é fundamental para definir rumos da Campanha Nacional 2026
- Santander propõe acordo que retira direitos e Sindicato orienta bancários a não assinar
- 28 de abril marca luta pela saúde no trabalho e memória das vítimas de acidentes e doenças ocupacionais
- Juros cobrados pelos bancos colaboram para o aumento do endividamento das famílias
- Em reunião com banco, COE Itaú cobra cumprimento do acordo coletivo e debate mudanças organizacionais no GERA
- Chapa 2 – Previ para os Associados, apoiada pelo Sindicato, vence eleição e assume mandato 2026/2030 na Previ
- Movimento sindical cobra resposta da Caixa sobre melhorias em mecanismos de proteção a vítimas de violência
- Fim da escala 6x1 será a principal bandeira dos sindicatos neste 1º de Maio