Comando Nacional e Fenaban assinam aditivo sobre centros de realocação profissional
Agora tem força de lei! Os bancos deverão criar centros de realocação e requalificação profissional. A conquista dos bancários veio junto com o acordo de dois anos, fechado após os 31 dias de greve da Campanha Nacional Unificada 2016.
O Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) assinaram, na segunda-feira (25), um termo aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2016/2018 para regulamentar a criação de centros de realocação e requalificação profissional, conforme previsto na Cláusula 62 da CCT.
Esta era uma pendência que havia ficado da mesa de negociações do ano passado e o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban chegaram a uma redação final na última reunião entre as partes, ocorrida no dia 24 de agosto.
Para Roberto von der Osten, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e um dos coordenadores do Comando Nacional dos Bancários, neste contexto de reestruturações e aumento do desemprego, trata-se de um importante avanço. “A criação destes centros vai permitir a realocação de trabalhadores de agências fechadas e daqueles que ocupam funções que estão sendo extintas e não tenham as habilidades necessárias para as novas funções. Se os centros evitarem ou, pelo menos, possibilitarem a redução destas demissões teremos conseguido um grande avanço para a categoria”, explicou.
O presidente da Contraf-CUT disse ainda que a assinatura deste acordo é uma mostra da importância e da validade do processo negocial entre os bancos e os representantes dos trabalhadores. “Não queremos acordos que nos tirem direitos. Quando existem sindicatos fortes e a categoria está organizada é possível chegarmos a acordos que tragam benefícios para os trabalhadores. Esse é um fruto da negociação que temos que valorizar”, avaliou
As comissões de empregados (COEs e CEEs) agora podem tratar com os respectivos bancos os detalhes dos centros a serem implementados em cada um deles.
Demissões injustificáveis – Mesmo sendo o mais lucrativo do país, o setor financeiro segue promovendo desemprego. Os bancos fecharam 14.460 postos de trabalho no Brasil, entre janeiro e agosto de 2017, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado na sexta-feira 22.
“Os quatro maiores bancos (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander) tiveram lucro líquido de R$ 31,4 bilhões no primeiro semestre do ano, com alta de 22,6%. Em contrapartida, eles demitem e extinguem postos de trabalho. Uma falta responsabilidade social, já que os bancos usam a rotatividade para aumentar seus lucros e precarizar as relações de trabalho. Vamos trabalhar muito pela implantação dos centros de realoção para acabar com isso ”, critica a dirigente sindical Ivone Silva.
O ato das assinaturas foi realizado em São Paulo, às 16h, no Hotel Macksoud Plaza.
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