“Setembro Amarelo” alerta sobre realidade do suicídio
Monumentos e prédios públicos e privados receberam neste mês uma iluminação especial em tons amarelos. Também é possível ver pessoas caminhando nas ruas com fitinhas amarelas presas em suas roupas. Tratam-se de ações do “Setembro Amarelo”, uma campanha mundial de conscientização sobre a realidade do suicídio e as formas de prevenção.
Segundo o site da campanha, o “Setembro Amarelo” é uma iniciativa brasileira iniciada em 2015 e incentivada mundialmente pela Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (IASP).
Os números oficiais são de que 32 brasileiros cometem suicídio a cada dia. Um número superior ao de vítimas da Aids e da maioria dos tipos de câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde, nove em cada 10 casos poderiam ser prevenidos.
Os dados apontam que quase 100% das pessoas que se suicidaram enfrentavam algum problema mental - a maioria depressão, um mal que atinge em cheio a categoria bancária.
Categoria é afetada
“É cada vez maior o número de casos de depressão entre os bancários. Também já constatamos o aumento do número de suicídios na categoria. Consideramos extremamente importante a divulgação do ‘Setembro Amarelo’, que se soma à nossa campanha nacional em defesa da saúde do trabalhador do ramo financeiro”, disse Walcir Previtale, secretário de Saúde do Trabalhador da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).
Segundo levantamento da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na Contraf-CUT, com base em informações do INSS, o transtorno mental é a principal causa dos afastamentos do trabalho para tratamento de saúde na categoria. Os transtornos mentais, incluindo os casos de depressão, já ultrapassaram os afastamentos por LER/Dort.
Segundo os dados, 5.042 bancários receberam auxílios doença previdenciários e acidentários em 2013 por transtornos mentais e comportamentais, o que representa 27% dos afastamentos. As doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo somam 4.589 casos, 24,6%.
Metas abusivas, cobranças constantes por resultados, assédio moral, pressão fazem parte do cotidiano dos bancários. Pesquisas realizadas pelo Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, em parceria com o Instituto Declatra, provam o nexo causal entre os métodos de gestão do banco e o adoecimento da categoria. Segundo os dados coletados, as doenças mentais são relatadas em média por 25% dos bancários que entram com ações contra os bancos.
“O número de afastamentos em decorrência de distúrbios mentais que incide sobre a categoria bancária é preocupante. É urgente que os bancos alterem sua forma de gestão, que aposta numa rotina de metas abusivas, extrema pressão e assédio moral como forma de aumentar sua produtividade, desencadeando graves problemas de saúde a esses trabalhadores, alerta Júlio César Trigo, diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região.
Para mais informações sobre a saúde do trabalhador do ramo financeiro, leia a Revista dos Bancários, Especial Saúde do(a) Trabalhador(a).
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