Instituições financeiras privadas apoiam o projeto de Reforma da Previdência por benefícios próprios
De acordo com levantamento da Fecomercio-SP, as discussões sobre a reforma da Previdência continuam aumentando a procura por planos de aposentadoria privados. Em maio, os investidores da capital paulista aplicaram 8,7% de suas reservas em previdência privada. No mesmo mês de 2016, este percentual era de 7%. A tendência de crescimento também foi observada em levantamento anterior da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), que apontou alta de 19,93% na contratação dos planos privados em 2016.
“Os banqueiros estão alinhados com o governo Temer desde o início. Sabem que com as reformas da Previdência e trabalhista, além da terceirização irrestrita, já aprovada, vão maximizar seus lucros com a implosão dos direitos trabalhistas e o fim da aposentadoria pública no país. Quando banqueiros – que lucram bilhões e mesmo assim demitem milhares de bancários todos os anos – defendem mudanças nas legislações trabalhista e previdenciária, fica ainda mais claro que esses projetos não são benéficos aos trabalhadores”, critica a dirigente sindical Ivone Silva.
Para o economista e professor do Instituto de Economia da Unicamp, Eduardo Fagnani, ao tornar a aposentadoria pública inacessível a uma grande parcela da população, a PEC 287 leva a perda de arrecadação para o sistema de seguridade social.
“A reforma da Previdência já gera impactos negativos sobre as fontes do regime geral. Muitos serão desestimulados a continuar contribuindo. E vai ter uma migração das camadas de mais alta renda para a previdência privada, o que já está ocorrendo", avaliou o economista em sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no Senado.
Para Roberto Carlos Vicentim, presidente do Sindicato dos bancários de Catanduva e Região, a reforma da Previdência é de cunho extremamente político. "O mercado financeiro está intimamente ligado às propostas desse projeto e será o maior beneficiado com a sua aprovação, visto que em busca de apoio à PEC 287, foram renegociadas dívidas de setores com representação expressiva no Congresso no valor de R$ 55 bilhões."
Vicentim ressalta que apenas a mobilização dos trabalhadores conseguirá impedir que Temer e sua base aliada no Congresso acabem com a aposentadoria pública no país e deem de bandeja ainda mais lucro aos grandes bancos com o aumento da procura por planos privados.
Reaja – O Sindicato convoca os trabalhadores a protestar contra as reformas, tanto a trabalhista como a da Previdência, que acabam com os direitos. Além de participar das mobilizações promovidas pelo movimento sindical, os bancários podem enviar mensagens aos deputados (bit.ly/DepSP) e senadores (bit.ly/SenadoBR) protestando contra a retirada de direitos.
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