23/09/2016
Tudo parado na Paulista, maior centro financeiro do país
Diante do silêncio desrespeitoso dos banqueiros, que insistem em proposta com perdas para a categoria, a greve dos bancários ganha força. Nesta quinta-feira, 17º dia do movimento, a região da Avenida Paulista, maior centro financeiro do país, teve todas as agências fechadas. Também foram paralisadas as atividades de grandes centros administrativos da região: a matriz do Daycoval, que conta com cerca de mil funcionários; a Superintendência do Banco do Brasil, com aproximadamente 900 bancários; o Bradesco Prime, com 1.200 trabalhadores; o CA Brigadeiro, do Itaú, com 800 empregados.
Entre os bancários, é generalizada a insatisfação com a proposta da Fenaban (federação dos bancos): 7% de reajuste salarial, que representa 2,39% abaixo da inflação, e R$ 3.300 de abono.
“É uma piada de mau gosto. Nós sabemos muito bem o quanto os bancos lucram, com crise ou sem. Isso não é desculpa. Nós que construímos o lucro, com o nosso trabalho, dando sangue para cumprir metas, merecemos ser valorizados. Para os diretores nunca falta dinheiro. Pra gente também não pode faltar”, avalia uma bancária do Bradesco Prime.
“O abono é uma tentativa de convencer quem precisa urgente de dinheiro, mas não vale a pena. Se for aceita proposta abaixo da inflação por causa do abono, depois teremos um ano de perdas salariais. E, ano que vem, já começamos a negociação precisando recuperar perdas acumuladas. Vira uma bola de neve”, diz uma funcionária do Banco do Brasil.
Empregos
Além de reajuste digno, sem perdas para os trabalhadores, os bancários cobram a criação de mecanismos de proteção aos empregos. Entre junho de 2015 e junho de 2016, os cinco maiores bancos com operações no Brasil (Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) extinguiram 13.600 postos de trabalho e fecharam 422 agências, mesmo registrando lucro de quase R$ 30 bilhões só nos primeiros seis meses deste ano.
“O clima é de medo. Todo mundo está preocupado se vai ser demitido. Basta um vacilo para o banco te demitir, ou nem isso. E, quem continua empregado, fica fazendo o trabalho de dois ou três, aceita de tudo para garantir o emprego. Mas chega uma hora que fica insustentável. Ninguém aguenta tanta pressão”, queixa-se um funcionário do Bradesco.
Assédio moral
Outra reivindicação da categoria é o fim das metas abusivas e do assédio moral, que levam os bancários ao adoecimento.
“Eu não aguento mais. Já passei do meu limite. Estou tomando Rivotril para dormir. Cobram metas irreais e não oferecem a menor condição para trabalhar. A cobrança é diária e, quando você não entrega o resultado, fazem de tudo para você se sentir o pior profissional do mundo, além da ameaça constante de demissão”, relata um bancário do Itaú, lotado no CA Brigadeiro. “É o pior problema do banco. Não sou só eu que estou doente. É muita gente na mesma situação. Isso tem que acabar”, acrescenta.
Nenhum direito a menos
O 17º dia da greve ocorre na mesma data da paralisação nacional contra a retirada de direitos, rumo à greve geral, que reúne centrais sindicais e entidades ligadas às frentes Brasil Popular e Povo sem Medo.
“É uma piada de mau gosto. Nós sabemos muito bem o quanto os bancos lucram, com crise ou sem. Isso não é desculpa. Nós que construímos o lucro, com o nosso trabalho, dando sangue para cumprir metas, merecemos ser valorizados. Para os diretores nunca falta dinheiro. Pra gente também não pode faltar”, avalia uma bancária do Bradesco Prime.
“O abono é uma tentativa de convencer quem precisa urgente de dinheiro, mas não vale a pena. Se for aceita proposta abaixo da inflação por causa do abono, depois teremos um ano de perdas salariais. E, ano que vem, já começamos a negociação precisando recuperar perdas acumuladas. Vira uma bola de neve”, diz uma funcionária do Banco do Brasil.
Empregos
Além de reajuste digno, sem perdas para os trabalhadores, os bancários cobram a criação de mecanismos de proteção aos empregos. Entre junho de 2015 e junho de 2016, os cinco maiores bancos com operações no Brasil (Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) extinguiram 13.600 postos de trabalho e fecharam 422 agências, mesmo registrando lucro de quase R$ 30 bilhões só nos primeiros seis meses deste ano.
“O clima é de medo. Todo mundo está preocupado se vai ser demitido. Basta um vacilo para o banco te demitir, ou nem isso. E, quem continua empregado, fica fazendo o trabalho de dois ou três, aceita de tudo para garantir o emprego. Mas chega uma hora que fica insustentável. Ninguém aguenta tanta pressão”, queixa-se um funcionário do Bradesco.
Assédio moral
Outra reivindicação da categoria é o fim das metas abusivas e do assédio moral, que levam os bancários ao adoecimento.
“Eu não aguento mais. Já passei do meu limite. Estou tomando Rivotril para dormir. Cobram metas irreais e não oferecem a menor condição para trabalhar. A cobrança é diária e, quando você não entrega o resultado, fazem de tudo para você se sentir o pior profissional do mundo, além da ameaça constante de demissão”, relata um bancário do Itaú, lotado no CA Brigadeiro. “É o pior problema do banco. Não sou só eu que estou doente. É muita gente na mesma situação. Isso tem que acabar”, acrescenta.
Nenhum direito a menos
O 17º dia da greve ocorre na mesma data da paralisação nacional contra a retirada de direitos, rumo à greve geral, que reúne centrais sindicais e entidades ligadas às frentes Brasil Popular e Povo sem Medo.
Bancários, petroleiros, metalúrgicos, profissionais da saúde e da educação, além de estudantes e movimentos sociais, vão protestar contra ameaças de retrocessos sociais e trabalhistas anunciados pelo governo Temer. Entre elas, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que congela gastos públicos em áreas como saúde e educação por 20 anos, e projetos de flexibilização da legislação trabalhista, reforma da Previdência e liberação para terceirizações em todas as atividades.
“É um absurdo o que o governo quer fazer. Se liberarem a terceirização para tudo, os bancários serão extintos. Vão terceirizar tudo. É o fim da CLT. Aí, quem era bancário vai ter que aceitar ser contratado por uma empresa terceirizada e ainda terá de negociar tudo que hoje é garantido por lei. Isso não é flexibilizar nada, é acabar com tudo”, conclui empregado de uma agência da Caixa, localizada na avenida Paulista.
“É um absurdo o que o governo quer fazer. Se liberarem a terceirização para tudo, os bancários serão extintos. Vão terceirizar tudo. É o fim da CLT. Aí, quem era bancário vai ter que aceitar ser contratado por uma empresa terceirizada e ainda terá de negociar tudo que hoje é garantido por lei. Isso não é flexibilizar nada, é acabar com tudo”, conclui empregado de uma agência da Caixa, localizada na avenida Paulista.
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