21/09/2016
Bancários são unânimes quanto ao vale-alimentação: "Não tá dando"
“Não tá dando.” Essa é a resposta unânime dos bancários quando perguntados se o valor do vale-alimentação é suficiente para o mês. E a carestia tem comprovação. De setembro de 2015 a agosto de 2016, os preços dos alimentos consumidos em casa aumentaram 17%, segundo o INPC. Quase o dobro da inflação geral, que foi de 9,62% no mesmo período.
“As coisas todas subiram muito. Só com produto de limpeza eu gasto R$ 250 por mês, e isso comprando marcas menos conhecidas”, reclama uma bancária. “Eu gasto R$ 1.000 por mês, tenho que fazer compras em quatro supermercados diferentes para aproveitar as promoções. Ainda bem que na minha casa o pessoal prefere mortadela”, ironiza.
Atualmente, o valor do vale-alimentação dos bancários é de R$ 491,52. O direito é uma conquista arrancada dos bancos após a campanha salarial com forte mobilização da categoria, em 1994. Em 2016, a categoria reivindica R$ 880 ao mês, o valor do salário mínimo nacional. Mas, mesmo diante de um lucro de R$ 30 bilhões somente no primeiro semestre de 2016, a Fenaban não aceitou, até agora, negociar reajuste maior que 7% para o vale-alimentação. E isso aumenta a insatisfação entre a categoria.
“Isso é palhaçada, um absurdo, mesquinharia pura”, revolta-se uma bancária do Itaú. “Eles [banqueiros] não dependem disso [do vale-alimentação]. Eles comem em restaurante caro, ganham muito. É a gente que depende. É um direito que ajuda muito”, completa a bancária, que ainda precisa desembolsar cerca de R$ 300 por mês para conseguir completar os gastos da alimentação, para ela e outros dois familiares.
“Todos os bancários acham vergonhoso, porque a gente vê que estão tendo lucro, podiam ser um pouco mais justos. Todo mundo trabalha com tanto afinco, com vontade, faz de coração. Custava dar um reajuste maior?”, cobra outra bancária.
“E o pior é que a gente vê que o banco gasta tanto dinheiro com besteira, tipo a Olimpíada”, reclama a funcionária do Bradesco. “Todo mundo ficou indignado com o dinheiro que gastaram com a festa de abertura na Cidade de Deus [sede do banco]. Não poderiam ter gasto essa grana com outra coisa? Tipo dando reajuste maior para a gente, por exemplo?”
História da conquista
A cesta-alimentação (ou vale-alimentação) foi conquistada em 1994, em um contexto de forte inflação dos preços dos alimentos. Na campanha salarial daquele ano, o Sindicato organizou paralisações surpresa, batizadas de Kinder Ovo, em alusão ao famoso chocolate que vem junto com um brinquedo.
Quase todos os dias, atrasava-se a entrada em um local de trabalho ou paralisava-se uma unidade onde eram realizadas assembleias com os trabalhadores.
Os dirigentes sindicais avaliavam que, para superar a repressão dos bancos, era necessário levar as assembleias aos locais de trabalho. Em vez de uma assembleia com centenas de bancários, eram realizadas várias, das quais participavam milhares de trabalhadores.
A tática fez sucesso e revelou-se importante mecanismo de pressão entre os banqueiros. Neste cenário o vale-alimentação foi conquistado pela categoria, com exceção dos empregados do Banco do Brasil e da Caixa, que, naquela época, tinham campanha separada. Isolados pelo governo federal, que à época só negociava com a Contec (confederação que representa cerca de 5% da categoria bancária no Brasil), eles receberam apenas 11,87% de reajuste salarial.
“As coisas todas subiram muito. Só com produto de limpeza eu gasto R$ 250 por mês, e isso comprando marcas menos conhecidas”, reclama uma bancária. “Eu gasto R$ 1.000 por mês, tenho que fazer compras em quatro supermercados diferentes para aproveitar as promoções. Ainda bem que na minha casa o pessoal prefere mortadela”, ironiza.
Atualmente, o valor do vale-alimentação dos bancários é de R$ 491,52. O direito é uma conquista arrancada dos bancos após a campanha salarial com forte mobilização da categoria, em 1994. Em 2016, a categoria reivindica R$ 880 ao mês, o valor do salário mínimo nacional. Mas, mesmo diante de um lucro de R$ 30 bilhões somente no primeiro semestre de 2016, a Fenaban não aceitou, até agora, negociar reajuste maior que 7% para o vale-alimentação. E isso aumenta a insatisfação entre a categoria.
“Isso é palhaçada, um absurdo, mesquinharia pura”, revolta-se uma bancária do Itaú. “Eles [banqueiros] não dependem disso [do vale-alimentação]. Eles comem em restaurante caro, ganham muito. É a gente que depende. É um direito que ajuda muito”, completa a bancária, que ainda precisa desembolsar cerca de R$ 300 por mês para conseguir completar os gastos da alimentação, para ela e outros dois familiares.
“Todos os bancários acham vergonhoso, porque a gente vê que estão tendo lucro, podiam ser um pouco mais justos. Todo mundo trabalha com tanto afinco, com vontade, faz de coração. Custava dar um reajuste maior?”, cobra outra bancária.
“E o pior é que a gente vê que o banco gasta tanto dinheiro com besteira, tipo a Olimpíada”, reclama a funcionária do Bradesco. “Todo mundo ficou indignado com o dinheiro que gastaram com a festa de abertura na Cidade de Deus [sede do banco]. Não poderiam ter gasto essa grana com outra coisa? Tipo dando reajuste maior para a gente, por exemplo?”
História da conquista
A cesta-alimentação (ou vale-alimentação) foi conquistada em 1994, em um contexto de forte inflação dos preços dos alimentos. Na campanha salarial daquele ano, o Sindicato organizou paralisações surpresa, batizadas de Kinder Ovo, em alusão ao famoso chocolate que vem junto com um brinquedo.
Quase todos os dias, atrasava-se a entrada em um local de trabalho ou paralisava-se uma unidade onde eram realizadas assembleias com os trabalhadores.
Os dirigentes sindicais avaliavam que, para superar a repressão dos bancos, era necessário levar as assembleias aos locais de trabalho. Em vez de uma assembleia com centenas de bancários, eram realizadas várias, das quais participavam milhares de trabalhadores.
A tática fez sucesso e revelou-se importante mecanismo de pressão entre os banqueiros. Neste cenário o vale-alimentação foi conquistado pela categoria, com exceção dos empregados do Banco do Brasil e da Caixa, que, naquela época, tinham campanha separada. Isolados pelo governo federal, que à época só negociava com a Contec (confederação que representa cerca de 5% da categoria bancária no Brasil), eles receberam apenas 11,87% de reajuste salarial.
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