Primeiro dia de greve dos bancários tem números recordes e arranca negociação para sexta-feira 9
O primeiro dia de greve da categoria bancária em todo o Brasil é considerado o maior da história. Em resposta à proposta rebaixada da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), 7359 agências, centros administrativos, Central de Atendimento (CABB) e Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) tiveram as atividades paralisadas. No final do dia, a Fenaban chamou a categoria para nova rodada de negociações que acontece na sexta-feira (9), às 11h, em São Paulo. Os números deste ano são 17,7% maiores do que os do ano passado.
Em Catanduva, todas as agências paralisaram suas atividades. Várias unidades da região também aderiram ao movimento logo no primeiro dia de greve. A tendência, segundo o presidente Paulo Franco, é que a maioria das agências suspenda o atendimento nos próximos dias. “Vamos aguardar a nova rodada de negociação para convocar assembleia e avaliar o que foi proposto. Se necessário, vamos intensificar a mobilização”, prevê.
Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT e um dos coordenadores nacional do Comando Nacional dos Bancários, lembrou que as notícias que chegaram desde as primeiras horas do dia, com bancários de todo o Brasil nas agências, vestindo as camisetas da campanha, já sinalizavam que seria uma data importante na construção do enfrentamento com a intransigência dos banqueiros.
“Nosso boletim do final do dia confirmou que nossa greve já é um sucesso. Isso com toda certeza vai impactar na Fenaban e com toda a certeza vai ajudar no convencimento para que a gente retome negociações e prossigam rumo a uma proposta decente que valorize os bancários e bancárias", avaliou.
Para ele, o contato da Fenaban coroou um dia exitoso. “Quando fizemos um balanço e tivemos a grande alegria em perceber que, num ano difícil, num cenário duro de instabilidade política, de crise, de negociação muito dura com a Fenaban, os bancários aderiram e tínhamos certeza de que isso ia de alguma maneira estimular a Fenaban a retomar o contato conosco para fazer a negociação. Isso se configurou."
Desde a data da entrega da minuta de reivindicações dos bancários à Fenaban, no dia 9 de agosto, já foram realizadas cinco rodadas de negociações e os banqueiros não apresentaram proposta decente aos trabalhadores. A proposta apresentada no dia 29 de agosto foi de reajuste de 6,5% no salário, na PLR e nos auxílios refeição, alimentação, creche, e abono de R$ 3 mil. A oferta não cobre, sequer, a inflação do período, projetada em 9,57% para agosto deste ano e representa perdas de 2,8% para os bancários.
Entre as reivindicações dos bancários estão: reposição da inflação do período mais 5% de aumento real, valorização do piso salarial, no valor do salário mínimo calculado pelo Dieese (R$3.940,24 em junho), PLR de três salários mais R$ 8.317,90, combate às metas abusivas, ao assédio moral e sexual, fim da terceirização, mais segurança, melhores condições de trabalho. A defesa do emprego também é prioridade, assim como a proteção das empresas públicas e dos direitos da classe trabalhadora.
Lucros exorbitantes
Com os lucros nas alturas, os cinco maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa) lucraram R$ 29,7 bilhões no primeiro semestre de 2016, mas, por outro lado, houve corte de 7.897 postos de trabalho nos primeiros sete meses do ano. Entre 2012 e 2015, o setor já reduziu mais de 34 mil empregos.
Desemprego
Bancários e bancárias convivem com um ambiente de trabalho adoecedor, desgastando a sua saúde física e mental ao longo de jornadas de trabalho extenuantes, sem pausas para descanso, com metas de produção inalcançáveis e cada vez mais crescentes, convivendo com riscos de assaltos e de sequestros e tendo de dar conta de inúmeras tarefas. A última estatística divulgada pelo INSS, entre janeiro e março do ano passado, revelou que 4.423 bancários foram afastados do trabalho, sendo 25,3% por lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares e 26,1% por doenças como depressão, estresse e síndrome do pânico.
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