05/09/2016

Greve é de todos e todas. Participe do movimento. Só a luta te garante!

Os bancários vão paralisar as atividades por tempo indeterminado a partir desta terça-feira, 6 de setembro. Essa foi a decisão da assembleia realizada pelo Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região na quinta-feira (1).

Em votação, os trabalhadores postaram-se contrários ao índice de reajuste rebaixado, à falta de proteção aos empregos, perdas na PLR e nos vales, e por melhores condições de trabalho. Houve apenas uma abstenção.

“Essa é uma greve de todos os bancários, independente de função ou nível. Vamos lutar pelo reajuste digno, proteção aos empregos, fim do assédio moral, da sobrecarga e das metas abusivas”, conclama o presidente Paulo Franco.

Na mesa de negociação, os bancos não apresentaram proposta que contemple essas reivindicações. E recusaram pontos importantes como a renovação do vale-cultura e o fim da desigualdade salarial entre homens e mulheres.

Gerentes

Em 2015, a greve ganhou ainda mais força quando gerentes de relacionamento e assistentes, que aderiram à paralisação desde o primeiro dia, criaram uma frente para convencer colegas da mesma função a reforçar o movimento.

“Os caixas e os escriturários estão fazendo o papel deles e estão parando. O banco sentiu essa mobilização, mas a gente precisa dos assistentes e dos gerentes para poder incomodar ainda mais”, afirma um gerente, na época.

Um dos principais receios dos funcionários que ocupam essas funções é que a adesão à greve possa prejudicá-los profissionalmente. Criou-se um folclore que o gerente de relacionamento tem cargo de confiança. Mas isso é apenas lenda.

Opiniões

“Não adianta jogar a greve nas costas dos caixas e dos escriturários e continuar fazendo negócio e batendo meta dentro da agência fechada para o público. O banco só sente a greve quando toma prejuízo, e só assim vai aceitar negociar esse índice que é uma vergonha.” A opinião é de uma gerente de relacionamento de uma agência localizada no centro de São Paulo.

“É meta, meta, meta, o tempo todo, e ela só aumenta. Produzimos muito para o banco e não recebemos reconhecimento por isso. E para completar, oferecem um índice que não repõe nem a inflação. O banco pediu para a gente entrar em greve.”, aponta outra bancária, citando metas que subiram 400% em dois anos, em contraste ao reajuste de 6,5% proposto pela Federação dos Bancos.

Em caso de dúvidas, procure um dos dirigentes do Sindicato.

Principais reivindicações dos bancários

Reajuste salarial: reposição da inflação (9,57%) mais 5% de aumento real.

PLR: 3 salários mais R$8.317,90.

Piso: R$3.940,24 (equivalente ao salário mínimo do Dieese em valores de junho último).

Vale alimentação no valor de R$880,00 ao mês (valor do salário mínimo).

Vale refeição no valor de R$880,00 ao mês.

13ª cesta e auxílio-creche/babá no valor de R$880,00 ao mês.

Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.

Emprego: fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.

Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários.

Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós.

Prevenção contra assaltos e sequestros: permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários, conforme legislação. Instalação de portas giratórias com detector de metais na entrada das áreas de autoatendimento e biombos nos caixas. Abertura e fechamento remoto das agências, fim da guarda das chaves por funcionários.

Igualdade de oportunidades: fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transsexuais e pessoas com deficiência (PCDs).
 

Proposta dos bancos rejeitada pelos bancários

Reajuste de 6,5% (representa perda de 2,8% para os bancários em relação à inflação de 9,57%).

Abono de R$ 3.000,00 (parcela única, não incorporado aos salários).

Piso portaria após 90 dias - R$ 1.467,17.

Piso escritório após 90 dias - R$ 2.104,55.

Piso caixa/tesouraria após 90 dias - R$ 2.842,96 (salário mais gratificação, mais outras verbas de caixa).

PLR regra básica - 90% do salário mais R$ 2.153,21, limitado a R$ 11.550,90. Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 25.411,97.

PLR parcela adicional - 2,2% do lucro líquido dividido linearmente para todos, limitado a R$ 4.306,41.

Antecipação da PLR - Primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva. Pagamento final até 02/03/2017. Regra básica - 54% do salário mais fixo de R$ 1.291,92, limitado a R$ 6.930,54 e ao teto de 12,8% do lucro líquido - o que ocorrer primeiro. Parcela adicional equivalente a 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2016, limitado a R$ 2.153,21.

Auxílio-refeição - R$ 31,57.

Auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta - R$ 523,48.

Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) - R$ 420,36.

Auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) - R$ 359,61.

Vale-Cultura R$ 50 (mantido até 31/12/2016, quando expira o benefício).

Gratificação de compensador de cheques - R$ 163,35.

Requalificação profissional - R$ 1.437,43.

Auxílio-funeral - R$ 964,50.

Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto - R$ 143.825,29.

 Ajuda deslocamento noturno - R$ 100,67.

Fonte: Seeb Catanduva

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