13/02/2015
Jorge Hereda afirma que é contra a abertura de capital da Caixa
Crédito: Luiz Prado - Caixa
O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, afirmou nesta quinta-feira (12) que é contra a abertura de capital da Caixa, como foi cogitado no final do ano passado pelo governo. Há 154 anos, a União é o único controlador da instituição financeira.
Durante entrevista coletiva concedida hoje em São Paulo para divulgar dados do balanço 2014, Hereda ressalvou tratar-se de sua posição pessoal e admitiu ter discutido intensamente o assunto com a presidenta Dilma Rousseff.
Segundo ele, a presidenta tem plena noção do papel social do banco e da importância da instituição como instrumento estratégico para o país, sobretudo por seu potencial de promoção de políticas anticíclicas em meio à instabilidade econômica global.
"A questão é: no Brasil, cabe ou não cabe uma instituição financeira 100% público? Em minha opinião, cabe", disse. Segundo o executivo, diante da situação instável da economia mundial, é muito importante dispor de um instrumento capaz de liderar políticas anticíclicas de enfrentamento da crise.
"Algum analista econômico já calculou qual teria sido o PIB do país se os bancos públicos tivessem se comportado como os bancos privados nos últimos anos?", questionou. Para ele, no sistema bancário brasileiro, muito concentrado, os bancos públicos impõem uma "concorrência" que não seja movida "à base da busca pelo lucro exacerbado levada às últimas consequências".
Hereda enfatizou ainda que sua posição não é movida por preconceito contra o capital privado ou por opção ideológica. "É questão de lógica, é 100% racionalidade", defendeu. "A presidenta tem total noção papel social do banco como agente de políticas públicas e está levando isso em consideração."
A decisão mais provável a ser tomada, pelo que se pode apurar da faça de Hereda, é que seja aberta à capitalização a área de seguros da Caixa, a qual já tem a participação de agentes privados - o banco público controla 52% de sua empresa de seguros e vê na abertura de capital a possibilidade de ampliar sua participação no mercado brasileiro e, em contrapartida, ampliar a participação dos resultados do segmento de seguros no balanço global da instituição.
A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, considerou correta a posição de Hereda, pois vai ao encontro das manifestações da entidade, desde que a possível abertura de capital passou a ser ventilada, no final do ano.
"A Caixa sozinha respondeu por mais de um terço (36%) do crescimento do crédito total no país. As operações de crédito do banco movimentaram R$ 605 bilhões, um crescimento de 22% em um ano delicado para nossa economia. Isso ressalta o quanto ela fundamental para o Brasil", disse a dirigente.
O presidente da CUT, Vagner Freitas, também destaca a necessidade de o banco continuar 100% público: "Um governo democrático e popular precisa de um instrumento de desenvolvimento, inclusão e fomento ao crédito. Por isso, a CUT defende que a Caixa continue cumprindo seu papel como principal fonte de financiamento das políticas públicas importantes para os trabalhadores e para a sociedade, como o Minha Casa Minha Vida".
Hereda, que preside a Caixa desde 2010, será substituído por Miriam Belchior, disse ser amigo pessoal da ex-ministra do Planejamento, que será empossada no próximo dia 23 de fevereiro, e demonstrou tranquilidade ao comentar o momento de transição. Ele acredita que a troca de comando não significará mudança de direção em relação ao planejamento e ao papel da empresa, que considera um time que está ganhando. "Não há por que mudar de rumo."
Fonte: Paulo Donizetti de Souza - Rede Brasil Atual
O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, afirmou nesta quinta-feira (12) que é contra a abertura de capital da Caixa, como foi cogitado no final do ano passado pelo governo. Há 154 anos, a União é o único controlador da instituição financeira. Durante entrevista coletiva concedida hoje em São Paulo para divulgar dados do balanço 2014, Hereda ressalvou tratar-se de sua posição pessoal e admitiu ter discutido intensamente o assunto com a presidenta Dilma Rousseff.
Segundo ele, a presidenta tem plena noção do papel social do banco e da importância da instituição como instrumento estratégico para o país, sobretudo por seu potencial de promoção de políticas anticíclicas em meio à instabilidade econômica global.
"A questão é: no Brasil, cabe ou não cabe uma instituição financeira 100% público? Em minha opinião, cabe", disse. Segundo o executivo, diante da situação instável da economia mundial, é muito importante dispor de um instrumento capaz de liderar políticas anticíclicas de enfrentamento da crise.
"Algum analista econômico já calculou qual teria sido o PIB do país se os bancos públicos tivessem se comportado como os bancos privados nos últimos anos?", questionou. Para ele, no sistema bancário brasileiro, muito concentrado, os bancos públicos impõem uma "concorrência" que não seja movida "à base da busca pelo lucro exacerbado levada às últimas consequências".
Hereda enfatizou ainda que sua posição não é movida por preconceito contra o capital privado ou por opção ideológica. "É questão de lógica, é 100% racionalidade", defendeu. "A presidenta tem total noção papel social do banco como agente de políticas públicas e está levando isso em consideração."
A decisão mais provável a ser tomada, pelo que se pode apurar da faça de Hereda, é que seja aberta à capitalização a área de seguros da Caixa, a qual já tem a participação de agentes privados - o banco público controla 52% de sua empresa de seguros e vê na abertura de capital a possibilidade de ampliar sua participação no mercado brasileiro e, em contrapartida, ampliar a participação dos resultados do segmento de seguros no balanço global da instituição.
A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, considerou correta a posição de Hereda, pois vai ao encontro das manifestações da entidade, desde que a possível abertura de capital passou a ser ventilada, no final do ano.
"A Caixa sozinha respondeu por mais de um terço (36%) do crescimento do crédito total no país. As operações de crédito do banco movimentaram R$ 605 bilhões, um crescimento de 22% em um ano delicado para nossa economia. Isso ressalta o quanto ela fundamental para o Brasil", disse a dirigente.
O presidente da CUT, Vagner Freitas, também destaca a necessidade de o banco continuar 100% público: "Um governo democrático e popular precisa de um instrumento de desenvolvimento, inclusão e fomento ao crédito. Por isso, a CUT defende que a Caixa continue cumprindo seu papel como principal fonte de financiamento das políticas públicas importantes para os trabalhadores e para a sociedade, como o Minha Casa Minha Vida".
Hereda, que preside a Caixa desde 2010, será substituído por Miriam Belchior, disse ser amigo pessoal da ex-ministra do Planejamento, que será empossada no próximo dia 23 de fevereiro, e demonstrou tranquilidade ao comentar o momento de transição. Ele acredita que a troca de comando não significará mudança de direção em relação ao planejamento e ao papel da empresa, que considera um time que está ganhando. "Não há por que mudar de rumo."
Fonte: Paulo Donizetti de Souza - Rede Brasil Atual
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