Exclusão bancária faz pobres pagarem juros mais altos
Os dados do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre Bancos: Exclusão e Serviços, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), refletem o desinteresse dos bancos no segmento de menor poder aquisitivo. O estudo mostrou que 39,5% da população economicamente ativa está fora do sistema bancário e que a grande maioria dos excluídos é de baixa renda.
> Quase 40% estão excluídos do sistema bancário no país
Para a coordenadora executiva do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Lisa Gunn, o baixo índice de bancarização é responsável por um fenômeno tipicamente nacional: o consumidor de baixa renda, por não ter conta-corrente, acaba tendo acesso ao crédito somente por intermédio de cartões de grandes lojas varejistas. E por trás desses cartões, lembra Gunn, estão as instituições bancárias, cobrando juros mais altos do que os cobrados nos empréstimos para correntistas.
“Por não ter conta-corrente, esse segmento não tem acesso a empréstimos com taxas mais baixas como o CDC (Crédito Direto ao Consumidor). Dessa forma, penaliza-se a faixa mais pobre da população, que paga juros mais altos nos crediários de lojas”, disse a representante do Idec, que foi convidada pelo Ipea a participar da apresentação do estudo, na última terça-feira 11.
Além disso, diz Gunn, “a oferta de crédito de forma responsável deveria ser uma das principais funções sociais dos bancos para promover o desenvolvimento social e econômico do país”. Mas como isso não acontece, essa função não é sequer reconhecida pela população: o estudo também mostrou que apenas uma minoria absoluta – 4,5% dos bancarizados entrevistados pela pesquisa – acreditam que emprestar dinheiro é a principal função dos bancos.
Parcial – A representante do Idec também comentou que o resultado da pesquisa foi “parcial” pois só incluiu dois itens a serem avaliados pelos entrevistados. O resultado – 78,2% de satisfeitos com segurança nas agências e 62,7% com o horário de atendimento ao público –, segundo ela, não reflete a realidade dos Procons em todo o país, onde os bancos são campeões em reclamação. “Itens como envio de cartões não solicitados, que é muito comum nas queixas dos consumidores, e cobranças de tarifas indevidas, outra reclamação bastante frequente, deveriam fazer parte da pesquisa”.
Fonte: Seeb São Paulo
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