16/07/2021
Reforma Tributária pode comprometer os planos de previdência fechados e abertos

A proposta de reforma tributária do governo Bolsonaro pode comprometer a isenção de Imposto de Renda das entidades de previdência fechada e aberta. De acordo com o artigo 43 do projeto (PL 2337/21), os rendimentos de aplicações de renda fixa e variável, auferidos por qualquer beneficiário, inclusive por pessoa jurídica isenta, ficarão sujeitos à incidência do Imposto de Renda.
A medida afetará fundos de pensão como Previ, Economus, Funcef, Banesprev, SantanderPrevi e outras entidades de previdência, gerando reação do setor.
“É uma medida que vai contra o estímulo à formação de fundos previdenciários, que são importantes para trabalhadores de empresas públicas, privadas e do setor público que contam com Entidades Fechadas de Previdência Complementar, as quais não têm objetivo de lucro, têm objetivo de preparar a aposentadoria de milhões de trabalhadores e de suas famílias”, afirma Ernesto Izumi, dirigente sindical e conselheiro deliberativo da Previ.
“É um absurdo que, mais uma vez, o governo federal aja no sentido de atrapalhar a economia do país e o seu crescimento. Ao excluir da proposta a isenção para os fundos de pensão da taxação sobre dividendos e juros sobre capital próprio, ele tira dos fundos de pensão a possibilidade de ter, nessa categoria econômica, um grande investimento”, diz Marcel Barros, vice-presidente da Anapar (Associação Nacional dos Participantes de Previdência Complementar).
Barros enfatiza que, ao investir nas empresas, os fundos de previdência fomentam a economia do país. “O país precisa de economia e poupança de longo prazo, pensamento de longo prazo, e são justamente os fundos de pensão fechados que cumprem esse papel. É lamentável que o governo federal apresente uma proposta que volte a taxar a rentabilidade dos fundos de pensão, prejudicando a poupança de milhões de trabalhadores que fazem o sacrifício durante sua vida laboral para ter um futuro um pouco melhor.”
Para Valter San Martin Ribeiro, dirigente sindical e diretor da Anapar/Regional SP, a reforma tributária que está sendo apresentada não contempla os interesses dos trabalhadores. “Nós gostaríamos de ver os ricos pagando impostos. Nós gostaríamos de ver os mais pobres sendo isentos, uma vez que é secular esta situação existente no país: os mais pobres carregando a carga tributária, porque os mais ricos deixam de pagar. É por isto que ocorre a concentração de renda, dentro outros motivos.”
“Nós temos de brigar para manter essa isenção tributária, porque ela é um incentivo para a poupança de longo prazo e acontece no mundo inteiro. E o Brasil, mais uma vez, vai na contramão da história, infelizmente”, afirma Marcel Barros, vice-presidente da Anapar.
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- Eleições Cabesp: Divulgada lista de candidatos; vote nos nomes apoiados pelas entidades
- Saúde Caixa e Cassi assinam acordo para compartilhar redes credenciadas
- Despesas do Saúde Caixa chegaram a R$ 4,39 bilhões em 2025
- Acordo garante acesso de associados do Economus à CliniCassi, e representa avanço rumo à isonomia
- Trabalhadores e banqueiros voltam a negociar nessa segunda-feira (24)
- Com 100% das agências fechadas em Catanduva, bancários dão recado à Fenaban: queremos proposta decente!
- Paralisação dos bancários ganha repercussão na imprensa e expõe intransigência dos bancos na Campanha Nacional
- COE Santander cobra valorização do PPRS e avanço nas demais reivindicações da minuta
- Caixa frustra empregados sem nova proposta para o Saúde Caixa
- Santander volta a mesa de negociação nesta quarta-feira (19) e funcionários esperam avanços no PPRS
- BB propõe clausular ações por igualdade e combate à violência doméstica, mas segue sem apresentar soluções às principais reivindicações dos funcionários
- Banco do Brasil tem nova rodada de negociação nesta quarta-feira (19) e funcionários cobram propostas
- Proposta da Fenaban é rejeitada por 97% dos bancários e bancárias
- Mobilização dos trabalhadores faz bancos recuarem de proposta de reajustes por faixas salariais
- Sindicato publica aviso de paralisação da categoria bancária no dia 20 de agosto