06/04/2026
Sindicato e Contraf-CUT cobram mudanças no programa Super Caixa e alertam para possíveis prejuízos aos trabalhadores
As mudanças implementadas pela Caixa no regulamento do programa de comissionamento Super Caixa 2026 acenderam um alerta entre as entidades representativas dos empregados. A análise feita pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), assessorada pela Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), aponta que as alterações ampliam condicionantes para o pagamento da comissão, aumentam a complexidade do sistema de metas e podem dificultar o acesso dos trabalhadores aos valores previstos no programa.
“A Caixa implementou este programa sem qualquer debate ou participação da representação dos trabalhadores. Se houve qualquer conversa sobre o programa antes de o mesmo ser implementado, não foi com qualquer entidade ligada à Contraf-CUT”, lembrou o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE), da Caixa, Felipe Pacheco. A CEE representa a Contraf-CUT e o Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Barretos e região (SINTRAFI) nas negociações com a Caixa.
Felipe lembrou ainda que, desde quando o banco anunciou o Super Caixa, em meados de agosto de 2025, a representação das empregadas e dos empregados fez diversos questionamentos, alertou que os empregados seriam prejudicados e apresentou diversas propostas de melhorias. “A Caixa conseguiu piorar ainda mais o que já estava ruim. Criando mais dificuldades para que os empregados recebam a comissão”, disse.
Super Caixa 2026: ainda pior
Entre as principais mudanças está a inclusão de uma nova condição para o comissionamento: o pagamento passa a depender também do lucro líquido contábil da Caixa no semestre. Antes, a comissão estava diretamente relacionada ao cumprimento das metas estabelecidas para as unidades e equipes.
Outro ponto destacado pelas entidades é a adoção de um novo modelo de avaliação baseado em múltiplas dimensões de desempenho, ampliando o número de indicadores utilizados para medir resultados. Também foi introduzido um modelo escalonado de comissionamento, com cinco níveis de pagamento, o que pode reduzir o valor final recebido pelos trabalhadores quando os níveis mais altos não são atingidos.
Além disso, o regulamento altera critérios operacionais importantes, como o aumento do tempo mínimo considerado para apuração do resultado em uma unidade e mudanças na forma de cálculo do teto da comissão.
Pressão por metas e menor previsibilidade
Para o coordenador da CEE/Caixa, as mudanças reforçam um modelo de gestão cada vez mais baseado em metas e pressão por resultados. “O que vemos nesse novo regulamento é o aumento das condicionantes para o pagamento da comissão e uma complexidade maior no sistema de avaliação. Isso pode gerar um descolamento entre o esforço dos trabalhadores e o reconhecimento pelo resultado alcançado”, afirmou Felipe.
Segundo ele, a introdução da condicionante de lucro institucional é particularmente preocupante. “Mesmo que as equipes cumpram ou superem as metas nas unidades, o pagamento da comissão passa a depender do resultado global do banco. Ou seja, um fator que não está diretamente ligado ao desempenho dos trabalhadores pode impedir que eles recebam pelo serviço que realizaram”, explicou.
Propostas de mudanças
A representante das empregadas e empregados no Conselho de Administração da Caixa, Fabiana Uehara, informou que a representação dos trabalhadores apresentou sugestões para tornar o programa mais transparente e equilibrado.
Entre as propostas defendidas pela conselheira e pelas entidades estão:
• Retirada da condicionante de lucro para pagamento da comissão;
• Simplificação dos critérios e indicadores utilizados na avaliação;
• Manutenção de regras que não prejudiquem trabalhadores que mudam de função ou unidade durante o período;
• Maior transparência sobre o orçamento total destinado ao comissionamento.
Para Fabiana, a valorização dos empregados precisa estar no centro das políticas de reconhecimento do banco. “Quem constrói o resultado da Caixa no dia a dia são as empregadas e os empregados. Na rede de atendimento, essa cobrança é ainda maior. Por isso defendemos regras claras, previsíveis e que reconheçam de fato o esforço individual e coletivo. O comissionamento precisa considerar não apenas quem realiza a venda, mas também quem garante o atendimento, a orientação ao cliente e a qualidade da entrega”, afirmou.
Ela destacou ainda que programas de incentivo não podem se transformar apenas em instrumentos de intensificação da pressão comercial. “Se a CAIXA afirma adotar o ‘clientecentrismo’ e a principalidade como diretrizes estratégicas, precisa antes olhar para a jornada do empregado. Isso envolve sistemas adequados, processos que não gerem retrabalho, metas equilibradas e condições reais de trabalho. Um programa de premiação deve ser um fator de engajamento e reconhecimento — e não um elemento adicional de desmotivação, como infelizmente vem ocorrendo”, ressaltou.
Tema precisa ser debatido
A discussão sobre o programa também foi levantada pela representação dos trabalhadores na reunião realizada entre a CEE/Caixa e o banco no dia 31 de março de 2026, quando as entidades trataram de diferentes temas relacionados às condições de trabalho e às políticas de gestão de pessoas, principalmente questões relacionadas ao combate ao assédio e à violência contra as empregadas da Caixa.
Na ocasião, os representantes dos empregados reforçaram a necessidade de discutir os impactos das mudanças no programa e defenderam ajustes que garantam maior justiça e transparência nos critérios adotados.
Como encaminhamento, a CEE solicitou à Caixa a realização de uma reunião específica para tratar do Super Caixa. A proposta é para que reunião ocorra já nesta semana, no dia 8 de abril, com o objetivo de debater as mudanças no regulamento e apresentar as propostas da representação dos trabalhadores.
“Os programas de reconhecimento do banco precisam cumprir seu papel de verdade: valorizar o esforço coletivo e os resultados construídos no dia a dia pelas equipes. Isso exige sair do discurso e das premiações pontuais, garantindo regras claras, justas e acessíveis a todos. Não aceitaremos que essas iniciativas sejam usadas para aumentar a pressão por metas cada vez mais abusivas, sem assegurar condições dignas de trabalho, respeito à saúde dos trabalhadores e uma remuneração compatível com o que é exigido”, destaca o secretário geral do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Júlio César Trigo.
“A Caixa implementou este programa sem qualquer debate ou participação da representação dos trabalhadores. Se houve qualquer conversa sobre o programa antes de o mesmo ser implementado, não foi com qualquer entidade ligada à Contraf-CUT”, lembrou o coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE), da Caixa, Felipe Pacheco. A CEE representa a Contraf-CUT e o Sindicato dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Barretos e região (SINTRAFI) nas negociações com a Caixa.
Felipe lembrou ainda que, desde quando o banco anunciou o Super Caixa, em meados de agosto de 2025, a representação das empregadas e dos empregados fez diversos questionamentos, alertou que os empregados seriam prejudicados e apresentou diversas propostas de melhorias. “A Caixa conseguiu piorar ainda mais o que já estava ruim. Criando mais dificuldades para que os empregados recebam a comissão”, disse.
Super Caixa 2026: ainda pior
Entre as principais mudanças está a inclusão de uma nova condição para o comissionamento: o pagamento passa a depender também do lucro líquido contábil da Caixa no semestre. Antes, a comissão estava diretamente relacionada ao cumprimento das metas estabelecidas para as unidades e equipes.
Outro ponto destacado pelas entidades é a adoção de um novo modelo de avaliação baseado em múltiplas dimensões de desempenho, ampliando o número de indicadores utilizados para medir resultados. Também foi introduzido um modelo escalonado de comissionamento, com cinco níveis de pagamento, o que pode reduzir o valor final recebido pelos trabalhadores quando os níveis mais altos não são atingidos.
Além disso, o regulamento altera critérios operacionais importantes, como o aumento do tempo mínimo considerado para apuração do resultado em uma unidade e mudanças na forma de cálculo do teto da comissão.
Pressão por metas e menor previsibilidade
Para o coordenador da CEE/Caixa, as mudanças reforçam um modelo de gestão cada vez mais baseado em metas e pressão por resultados. “O que vemos nesse novo regulamento é o aumento das condicionantes para o pagamento da comissão e uma complexidade maior no sistema de avaliação. Isso pode gerar um descolamento entre o esforço dos trabalhadores e o reconhecimento pelo resultado alcançado”, afirmou Felipe.
Segundo ele, a introdução da condicionante de lucro institucional é particularmente preocupante. “Mesmo que as equipes cumpram ou superem as metas nas unidades, o pagamento da comissão passa a depender do resultado global do banco. Ou seja, um fator que não está diretamente ligado ao desempenho dos trabalhadores pode impedir que eles recebam pelo serviço que realizaram”, explicou.
Propostas de mudanças
A representante das empregadas e empregados no Conselho de Administração da Caixa, Fabiana Uehara, informou que a representação dos trabalhadores apresentou sugestões para tornar o programa mais transparente e equilibrado.
Entre as propostas defendidas pela conselheira e pelas entidades estão:
• Retirada da condicionante de lucro para pagamento da comissão;
• Simplificação dos critérios e indicadores utilizados na avaliação;
• Manutenção de regras que não prejudiquem trabalhadores que mudam de função ou unidade durante o período;
• Maior transparência sobre o orçamento total destinado ao comissionamento.
Para Fabiana, a valorização dos empregados precisa estar no centro das políticas de reconhecimento do banco. “Quem constrói o resultado da Caixa no dia a dia são as empregadas e os empregados. Na rede de atendimento, essa cobrança é ainda maior. Por isso defendemos regras claras, previsíveis e que reconheçam de fato o esforço individual e coletivo. O comissionamento precisa considerar não apenas quem realiza a venda, mas também quem garante o atendimento, a orientação ao cliente e a qualidade da entrega”, afirmou.
Ela destacou ainda que programas de incentivo não podem se transformar apenas em instrumentos de intensificação da pressão comercial. “Se a CAIXA afirma adotar o ‘clientecentrismo’ e a principalidade como diretrizes estratégicas, precisa antes olhar para a jornada do empregado. Isso envolve sistemas adequados, processos que não gerem retrabalho, metas equilibradas e condições reais de trabalho. Um programa de premiação deve ser um fator de engajamento e reconhecimento — e não um elemento adicional de desmotivação, como infelizmente vem ocorrendo”, ressaltou.
Tema precisa ser debatido
A discussão sobre o programa também foi levantada pela representação dos trabalhadores na reunião realizada entre a CEE/Caixa e o banco no dia 31 de março de 2026, quando as entidades trataram de diferentes temas relacionados às condições de trabalho e às políticas de gestão de pessoas, principalmente questões relacionadas ao combate ao assédio e à violência contra as empregadas da Caixa.
Na ocasião, os representantes dos empregados reforçaram a necessidade de discutir os impactos das mudanças no programa e defenderam ajustes que garantam maior justiça e transparência nos critérios adotados.
Como encaminhamento, a CEE solicitou à Caixa a realização de uma reunião específica para tratar do Super Caixa. A proposta é para que reunião ocorra já nesta semana, no dia 8 de abril, com o objetivo de debater as mudanças no regulamento e apresentar as propostas da representação dos trabalhadores.
“Os programas de reconhecimento do banco precisam cumprir seu papel de verdade: valorizar o esforço coletivo e os resultados construídos no dia a dia pelas equipes. Isso exige sair do discurso e das premiações pontuais, garantindo regras claras, justas e acessíveis a todos. Não aceitaremos que essas iniciativas sejam usadas para aumentar a pressão por metas cada vez mais abusivas, sem assegurar condições dignas de trabalho, respeito à saúde dos trabalhadores e uma remuneração compatível com o que é exigido”, destaca o secretário geral do Sindicato dos Bancários de Catanduva e região, Júlio César Trigo.
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