11/08/2026
Em defesa dos empregos e das agências, Sindicato mobiliza bancários e denuncia desmonte do Bradesco
O Sindicato dos Bancários de Catanduva e região participa nesta terça-feira (11) do Dia Nacional de Luta dos Funcionários do Bradesco, com uma mobilização em defesa dos empregos e da rede de agências. A ação incluiu reunião com os funcionários da agência Praça, em Catanduva, além do retardamento da abertura da unidade, diálogo com trabalhadores e clientes, distribuição de panfletos, uso de caixas de som e instalação de faixas para denunciar a política de redução de postos de trabalho e fechamento de unidades adotada pelo banco.
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A mobilização chama a atenção para o contraste entre os resultados bilionários da instituição e o desmonte de sua estrutura de atendimento. No primeiro semestre de 2026, o Bradesco alcançou R$ 13,861 bilhões de lucro líquido recorrente, alta de 16,2% sobre o mesmo período do ano anterior. O crescimento foi superior ao registrado pelos outros dois grandes bancos privados, Itaú e Santander.
Para os trabalhadores, entretanto, a realidade é outra. Em apenas 12 meses, o Bradesco eliminou 2.448 postos de trabalho. No segundo trimestre, o saldo entre contratações e demissões ficou negativo em 868 empregos. A rede de atendimento também foi reduzida: 324 agências foram fechadas em um ano.
“É impossível olhar para esses dados e não questionar as prioridades do Bradesco. O banco aumenta seus lucros, mas reduz o número de trabalhadores e de agências. Quem paga essa conta são os bancários, submetidos a uma pressão cada vez maior, e os clientes, que encontram cada vez menos estrutura para serem atendidos”, afirma o presidente do Sindicato, Roberto Vicentim.
O processo de redução do quadro funcional produz um efeito conhecido dentro das agências: equipes menores, mais tarefas concentradas e maior cobrança sobre quem permanece. A chamada transformação digital, que poderia representar melhoria dos serviços e das condições de trabalho, vem sendo utilizada pelo banco como instrumento para cortar custos.
A consequência também chega aos clientes. Com menos agências e trabalhadores, o atendimento presencial fica mais restrito, justamente em um momento em que uma parcela significativa da população (como idosos, aposentados, pessoas com deficiência ou sem acesso completo à tecnologia) ainda depende desse contato para resolver suas demandas bancárias.
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Para o Sindicato, a situação é ainda mais grave em municípios menores, no interior do estado, nos quais o fechamento de uma agência pode representar a perda de um serviço essencial e obrigar a população a se deslocar para outras cidades.
“Não somos contra a tecnologia. Somos contra um modelo que utiliza a tecnologia para substituir trabalhadores e reduzir o atendimento, enquanto o banco comemora bilhões em lucro. Modernizar deveria significar atender melhor, valorizar quem trabalha e ampliar o acesso da população aos serviços bancários”, destaca Júlio Trigo, secretário geral do Sindicato.
Na avaliação do dirigente, os números apresentados no semestre demonstram que há condições financeiras para atender às reivindicações da categoria apresentadas na Campanha Nacional. “Se os lucros crescem, é preciso que esse resultado também se traduza em emprego, atendimento de qualidade e respeito a seus funcionários. O Bradesco precisa entender que sua responsabilidade inclui os trabalhadores que constroem seus resultados e a população que utiliza seus serviços”, conclui Trigo.
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