14/07/2021
Ministério da Saúde admite ineficácia do “kit covid” defendido por Bolsonaro

O Ministério da Saúde finalmente admitiu que os medicamentos do chamado "kit covid", defendidos por Jair Bolsonaro (ex-PSL), que fez propadanda de um dos remédios até para uma ema, são ineficazes contra o novo coronavírus e não ajudam a evitar nem a tratar a Covid-19, doença provocada pelo vírus.
Ineficazes contra Covid-19, mas eficazes para os cofres das farmacêuticas. Levantamento do jornal Folha de São Paulo com base em documentos sigilosos enviados à CPI da Covid, mostra sete farmacêuticas dobraram seus faturamentos com a venda desses remédios.
A constatação do Ministério da Saúde de que os remédios do kit covid são ineficazes, segundo reportatgem do Congresso em Foco, também consta de documentos enviados à CPI da Covid do Senado essa semana.
"Alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina ou cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. A ivermectina e a associação de casirivimabe + imdevimabe não possuem evidência que justifiquem seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população", diz documento.
Duas notas técnicas foram entregues à comissão por um pedido do senador Humberto Costa (PT-PE), ainda segundo a reportagem.
Os medicamentos, lembra o texto, são os mesmos usados para o tal tratamento precoce defendido por apoiadores do governo e indicados pelo aplicativo do Ministério da Saúde, TrateCov, em Manaus (AM) em janeiro, no auge da crise de oxigênio no estado, que matou várias pessoas por asfixia. A plataforma saiu do ar após a pasta alegar invasão hacker.
A reportagem lembra ainda que a CPI apura se a existência de um gabinete paralelo ao Ministério da Saúde influenciou o atraso na compra das vacinas, o favorecimento de laboratórios e a compra de medicamentos do "kit covid" sem eficácia para o tratamento da doença.
Uma primeira lista de testemunhas que são investigadas pela comissão por terem composto este gabinete e insistido no uso dos medicamentos são: o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o ex-chefe da comunicação do governo, Fábio Wajngarten, as médicas Mayra Pinheiro e Nise Yamaguchi e o ex-chanceler Ernesto Araújo.
Também constam na lista de investigados: o ex-assessor do Ministério da Saúde Elcio Franco, o conselheiro do presidente Arthur Weintraub, o empresário Carlos Wizard, Franciele Fantinato, Helio Neto, Marcellus Campelo, Paulo Marinho Zanotto, Luciano Dias Azevedo e o atual chefe da pasta, Marcelo Queiroga.
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