07/05/2021
Em crise: endividamento da população se agrava e bate recorde no governo Bolsonaro

Inflação no preço dos alimentos prejudica diretamente as famílias de renda mais baixa
Pandemia da Covid-19 sem controle, desemprego em alta e redução do auxílio emergencial escancaram ainda mais a desigualdade no país. O endividamento dos mais pobres bate recorde no governo Bolsonaro. Pesquisa divulgada nesta semana pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostra que o percentual de endividados chega a mais de 67,5% da população no mês de abril.
Esse é o nível mais alto da pesquisa, também registrado em agosto do ano passado. O resultado de abril significa a quinta alta mensal seguida, com 0,2 ponto percentual de crescimento em relação a março.
A sondagem mensal do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas, o Ibre/FGV, também aponta para 22,3% da população com renda de até R$ 2.100 se dizendo endividada em abril. Desde o início da série histórica, em maio de 2009, esse patamar de endividamento da classe mais baixa só foi observado em junho de 2016.
Políticas desastrosas
O diretor Adjunto do Dieese, que é o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, atribui esses números de endividamento da população às políticas desastrosas do governo Bolsonaro.
José Silvestre destaca que o desemprego, valor irrisório do auxílio emergencial, alta nos preços dos alimentos e pandemia fora de controle contribuem ainda mais para o endividamento dos mais pobres sob Bolsonaro.
“Isso deve ser atribuído a esse governo, principalmente porque houve a redução do valor do auxílio emergencial. Nós ficamos praticamente sem o auxílio no primeiro quadrimestre de 2021, porque o auxílio só veio em abril, no valor de R$ 250”, afirma.
Segundo o diretor-adjunto do Dieese outro agravante é a inflação, que afeta principalmente as famílias de baixa renda por meio dos preços dos alimentos. “É uma combinação de fatores que remetem ao aumento da inadimplência das famílias”, afirma.
> Sindicatos de Catanduva lançam campanha ‘União Solidária’ contra a fome. Colabore!
Salário rebaixado e atrasado
Trabalhador do comércio, Jailson Silva, de 45 anos, relata as dificuldades evidenciadas pela crise com o não recebimento de salário e contas atrasadas.
“Meu salário e a carga horária foram reduzidos em consequência da pandemia. Perdi um serviço autônomo e agora fica difícil para honrar todos os compromissos. Meu salário também está atrasado há dois meses, e a cesta básica há seis”, diz.
Ainda de acordo com o diretor adjunto do Dieese, para tentar aliviar as dívidas, as pessoas acabam recorrendo aos empréstimos bancários. José Silvestre diz que esse tipo de saída na verdade faz com que os trabalhadores entrem em uma bola de neve, uma vez que a recuperação da renda não está acontecendo.
Dívidas acumuladas
E foi exatamente o que aconteceu com o Jailson Silva. Ele ressalta que ao recorrer a um empréstimo e estourar o limite do cartão de crédito, não tem como honrar a dívida, uma vez que o seu salário não está sendo pago com frequência.
“Tentei resolver a minha questão financeira e caí na besteira de pegar empréstimo. Estourei o limite do cartão e agora tenho outra dívida que não estou conseguindo pagar por conta dos salários atrasados. E não tenho perspectiva de melhorar ou arrumar outro emprego”, afirma.
De fevereiro para março, a Serasa Experian computou mais de um milhão de inadimplentes no país, totalizando 62 milhões de pessoas endividadas. Foi o segundo maior avanço mensal de toda a série histórica. No recorte por setor, a inadimplência apurada pela Serasa é maior nos gastos com cartão de crédito e em contas básicas, como água e luz.
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- Mercantil registra lucro de R$ 279,4 milhões no trimestre, valor considerado recorde em toda sua história
- Brasil é 55,5% negro, mas terá apenas 26% das cadeiras da Câmara em 2027
- Novembro Azul: informação, prevenção e combate ao preconceito salvam vidas
- Banco Central mantém Selic em 13,75% enquanto mercado financeiro faz pressão especulativa
- Itaú lucra R$ 37,3 bilhões, mas elimina 3.259 empregos e fecha 334 agências em um ano
- Santander: Assembleia virtual nesta sexta-feira (6) delibera sobre ACT e Acordo de PPRS
- Copom decide nesta quarta-feira (4) se reduz ou mantém Selic em 13,75% ao ano
- Sindicato entrega mais de 200 kg de alimentos ao projeto social Prateleira Solidária
- Novas regras do VA e VR ampliam opções de uso; bancários têm benefícios acima da média nacional
- Saúde Caixa começa a compartilhar rede credenciada com a Cassi nesta quarta-feira (4)
- Festa dos Bancários 2026 reúne categoria em dia de confraternização, premiações e solidariedade
- Brasil bate recorde de pessoas com trabalho desde 2012
- A eleição acabou, mas a participação continua: saiba quem e pelo que cobrar
- COE cobra avanços do Bradesco em PPR, banco de horas e condições de trabalho
- Negociação da Cassi avança com proposta de aporte de R$ 2,288 bilhões