02/03/2021
“Não há futuro para fundos de pensão se não houver futuro para economia”, afirma economista

“Estado e investimentos precisam voltar à cena econômica”, com este prisma, a segunda edição do Ciclo de Debates da Fenae e Anapar, da última sexta-feira de fevereiro, dia 26, contou com a coordenação de Cláudia Ricaldoni, membro do Conselho Deliberativo da Forluz e coordenadora regional da Anapar e a participação do economista e diretor do Reconta aí, Sérgio Mendonça; do diretor de Investimentos da Previ, Marcelo Wagner e do advogado especialista em previdência complementar Fabiano Silva dos Santos.
Sob o tema mitos e verdades dos fundos de investimentos e participações (FIP), Cláudia ressaltou que um dos obstáculos para esse novo ciclo de crescimento é a política nacional. “Estamos na contramão do mundo, com um governo que faz uma defesa de posições neoliberais que nem os países neoliberais estão sustentando mais. Chamar nossos liberais de liberais é injusto com os liberais. Os nossos estão no mercantilismo, no feudalismo”, alertou.
Para o economista Sérgio Mendonça, que discorreu sobre os desafios dos fundos de pensão no Brasil atual, não há futuro para os fundos de pensão se não houver futuro para a economia brasileira. “Há seis anos, não só estamos andando para o lado como, mas em alguns casos, retrocedendo”, enfatizou.
De acordo com Mendonça desde 2015 um ciclo vicioso interrompeu o desenvolvimento brasileiro, o que coloca enormes desafios para os investimentos dos fundos. “Os indicadores da economia real foram positivos, de 2003 a 2014. A taxa de investimento chegou a 25% entre 2010 e 2014. Hoje, para compararmos, está em 15%. Isso significa cerca de R$ 350 bilhões a menos anualmente de investimentos”, explicou.
Segundo Mendonça, se a economia retomar uma trajetória de crescimento teremos o aumento de empregos formais e o estancamento do enfraquecimento das empresas públicas, que são peças importantes para que o sistema possa se reequilibrar. “Estado e investimentos precisam voltar à cena. Instituições conservadoras, como FMI e Banco Mundial dizem que nenhum governo deve recuar de apoio fiscal e que se deve realizar investimentos de infraestrutura com protagonismo do Estado”, disse.
Ao concordar com o economista, Marcelo Wagner ressaltou que o passo inicial para um novo momento de grandes investimentos deve ser dado pelo Estado, o que depende dos governantes.
“O Brasil tem mais de 40 anos de déficit em investimentos em infraestrutura. Agora, tudo passa pela nossa capacidade de retomar o crescimento e isso depende dos nossos governantes. O Brasil já precisava de um choque de investimento, mas agora é urgente”, destacou.
Já o apontamento trazido por Fabiano Santos, destaca que o que ficou do legado da operação Lava Jato, que levou até a abertura de uma CPI no Congresso, foi um grande abalo nos fundos de pensão.
“Para matar a doença, a Lava Jato matou o doente. Ela errou na dose do remédio, o que provocou uma grande crise no setor inteiro. Então, há uma quebradeira generalizada de fundos”, criticou Santos, que também apontou que ao detectar desvios em fundos de investimentos, a operação Lava Jato teria mirado não só nos gestores diretos, mas também em investidores como os fundos de pensão, o que prejudicou a continuidade de investimentos desse tipo. Para ele, não se pode confundir atos criminosos com a criminalização de uma atividade.
Agenda - No próximo dia 4 de março, a Anapar debaterá os riscos dos processos de privatização para os participantes de fundos de pensão e a necessidade de mobilização dos trabalhadores. O evento será realizado pelo zoom, das 14h às 18h, e as inscrições são gratuitas.
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