19/08/2020
Fenae encaminha ao Congresso e prefeituras carta em defesa da Caixa 100% pública

A Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) encaminhou na segunda-feira (17) carta aos senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores, alertando sobre os danos irreparáveis que a Medida Provisória 995/2020 trará ao país, caso não seja revogada. Editada pelo Governo Bolsonaro e encaminhada ao Senado, em 7 de agosto, a MP permite a criação de subsidiárias do banco público e, a partir delas, criar outras com objetivo de privatização. A Federação chama atenção, ainda, para o fato que o fatiamento da empresa constitui uma manobra para burlar a necessidade de consentimento do Legislativo para vender estatais.
“Para burlar decisão do Supremo Tribunal Federal que veta a venda de estatais sem autorização do Poder Legislativo, o governo Bolsonaro promove o fatiamento da Caixa, a exemplo do que vem fazendo com a Petrobrás, fato já questionado pela presidência da Câmara dos Deputados e do Senado, para posteriormente consolidar a privatização da empresa-matriz”, alerta a Federação.
> Confira a íntegra da Carta aos senadores e deputados federais.
Para o secretário de Finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e presidente da Fenae, não resta dúvidas sobre as reais intenções do governo. “O objetivo é tentar dar suposta segurança jurídica ao processo de ‘subsidiarização’ da Caixa, com intenção de privatizá-la aos poucos, até vendê-la por completo. Mas o fato é que isto não é legítimo e já gerou Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo, ajuizada pelos partidos da oposição, e vai gerar outras ações”, enfatiza o dirigente.
Segundo a Federação, a Medida Provisória “promove uma pulverização da atuação da Caixa por meio da criação de subsidiárias de vários níveis, impossibilitando o próprio controle da atuação do banco. A iniciativa enfraquece o banco e o desenvolvimento regional por ele induzido, porque pretende privatizar justamente as áreas mais rentáveis da Caixa, que contribuem significativamente para a capilaridade do banco e seu efetivo papel social, seja no benefício aos mais carentes ou no financiamento da infraestrutura”.
Socorro aos estados e municípios
Na carta direcionada aos vereadores, prefeitos e deputados estaduais, a Fenae lembra do papel social da Caixa e sua contribuição para o desenvolvimento econômico e social nos municípios e estados.
“Nesse período de crise, é a Caixa que tem socorrido estados e municípios, que já estavam em dificuldades por conta da recessão antes da pandemia. Desde março, o banco já emprestou mais de R$ 5 bilhões a esses entes federativos”, diz a Fenae.
O banco público opera com recursos próprios linhas de crédito voltadas para infraestrutura urbana, saneamento, escolas e unidades de saúde, além da linha com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), para programas de saneamento, transporte, mobilidade urbana e infraestrutura habitacional.
> Confira a íntegra da Carta dos deputados estaduais, prefeitos e vereadores.
Nas duas cartas, a Fenae solicita o apoio dos senadores, deputados, prefeitos e vereadores ao Manifesto contra a MP 995 que já conta com adesão de mais de 220 entidades da sociedade civil e parlamentares. O documento está disponível na página criada pela Fenae que reúne informações e notícias sobre a Medida Provisória.
O diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Antônio Júlio Gonçalves Neto, reforça a importância de, além de dialogar com o funcionalismo, debater com toda a sociedade sobre os perigos da MP 995 para que a população visualize as perdas com o processo de privatização do patrimônio público e o quanto isso deixaria o país ainda mais refém dos interesses do capitalismo.
"São os bancos públicos que estão fazendo investimentos e atendendo a população. Se privatizar as operações, o banco enfraquece, perde a sua autonomia e ninguém mais faz. Ao contrário dessas instituições, bancos privados visam apenas a lucratividade e não se preocupam em promover o crescimento da economia aliado ao desenvolvimento do Brasil. Esse momento, de constantes ameaças à Caixa e aos seus empregados, exige reação imediata de todos nós. É preciso também mobilizar amigos e familiares para que façam o mesmo. Nossa unidade nesse momento é fundamental para barrar essa MP que vai enfraquecer as ações desenvolvidas pelo banco público e prejudicar o país", ressalta.
> Clique aqui para assinar o manifesto!
Encolhimento bancos públicos
Embora tenha afirmado diversas vezes que não vai privatizar a Caixa, a atuação do governo tem sido no sentido contrário. Após vender a Loteria Instantânea (Lotex), em outubro do ano passado, deu sequência ao plano de fatiamento visando a privatização das operações do banco público.
“Na prática, o governo trabalha para vender a Caixa e o Banco do Brasil e assim reduzir a atuação dos bancos públicos, para favorecer os bancos privados”, diz Takemoto.
Em nota, a Secretária-geral da Presidência da República, ao explicar a edição da MP, afirmou que a Medida Provisória é o primeiro passo para a alienação de ativos (termo usado para disfarçar a privatização) da Caixa e que a intenção do governo é diminuir a atuação do banco em setores como o mercado de seguros e outros não-estratégicos. Já estão na mira de privatizações a área de cartões, loterias, dentre outros.
Logo após editar a MP 995, a direção da Caixa retomou o processo de IPO de oferta pública inicial (IPO) da Caixa Seguridade na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que foi interrompido em março deste ano, por conta da instabilidade econômica gerada pela pandemia do novo coronavírus.
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- Caixa não apresenta nova proposta para o Saúde Caixa
- Banqueiros propõem reajuste de 62% da inflação, um dos piores de 2026. Comando rejeitou na mesa
- Negociação com a Caixa: Saúde Caixa, carreira, condições de trabalho e contratações estão no centro da Campanha; veja resumo até aqui
- Negociação do Banco do Brasil segue sem avanço nas principais reivindicações
- Sete mesas, muitas cobranças e poucas respostas: relembre a negociação com o BB
- Eleições Cabesp: Divulgada lista de candidatos; vote nos nomes apoiados pelas entidades
- Fenaban não apresenta índice de reajuste e negociação continua nesta terça-feira (25)
- Acordo garante acesso de associados do Economus à CliniCassi, e representa avanço rumo à isonomia
- Despesas do Saúde Caixa chegaram a R$ 4,39 bilhões em 2025
- Saúde Caixa e Cassi assinam acordo para compartilhar redes credenciadas
- Trabalhadores e banqueiros voltam a negociar nessa segunda-feira (24)
- Paralisação dos bancários ganha repercussão na imprensa e expõe intransigência dos bancos na Campanha Nacional
- Com 100% das agências fechadas em Catanduva, bancários dão recado à Fenaban: queremos proposta decente!
- COE Santander cobra valorização do PPRS e avanço nas demais reivindicações da minuta
- BB propõe clausular ações por igualdade e combate à violência doméstica, mas segue sem apresentar soluções às principais reivindicações dos funcionários