Bancários repudiam violência contra a mulher e desigualdade no trabalho e na sociedade
A luta das mulheres é a luta de todos os bancários e bancárias. Esta foi a mensagem dos delegados e delegadas da 18º Conferência Nacional dos Bancários, que terminou no domingo (31) em São Paulo. Os representantes da categoria em todo o país aprovaram moção onde se colocam “contrários a toda e qualquer forma de violência contra as mulheres, seja ela física, psicológica, simbólica, doméstica ou no âmbito do trabalho.”
Afirmam ainda que “A construção de uma sociedade justa e igualitária, com igualdade de oportunidades e sem discriminação de gênero, raça, orientação sexual, e pessoas com deficiência, ou de qualquer outra ordem, passa pela erradicação de todas as formas de violência de gênero, do combate a cultura do estupro presente na sociedade, disseminado e reforçado nos meios de comunicação que estereotipizam as mulheres como objetos e não como sujeitos.”
> Veja aqui a íntegra da moção
Para o presidente da Contraf-CUT, Roberto von der Osten, a posição expressa um momento em que o movimento de mulheres ganha o centro do debate na sociedade e é também a continuidade das lutas pela igualdade de gênero, das quais a categoria sempre foi protagonista: “Temos uma história de lutas em defesa da igualdade e contra a discriminação da mulher. A igualdade de oportunidades tem constado de todas as nossas pautas de reivindicações. Na 18º Conferência reiteramos nossa posição e ênfase à luta contra as várias formas de violência”, destacou.
“Temos de avançar nas lutas contra a desigualdade salarial entre os gêneros, o enfrentamento da violência doméstica, igualdade de oportunidades na ascensão profissional e maior participação das mulheres nos espaços do poder. As mulheres ocupam 49% do total de postos de trabalho e recebem, em média, salários 24% menores que os dos homens. No ritmo de correção das distorções vai demorar 88 anos para que passem a receber salários iguais aos homens. Essas distorções também representam violência que precisam ser combatidas, assim como a violência física”, disse Juvandia Moreira, vice-presidenta da Contraf-CUT e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.
Consta da moção dados sobre violência contra a mulher. Entre 1980 e 2013 106.093 mulheres foram assassinadas no Brasil. A cada 11 minutos uma mulher é estuprada, esse número, no entanto, é subnotificado e pode ser muito maior, pois a maioria das mulheres tem medo de denunciar o agressor ou sente vergonha de ser submetida ao julgo da sociedade que tende a culpabilizar a mulher pela violência que sofreu.
“A violência contra a mulher precisa ser combatida de todas as formas, pelo cumprimento da legislação, por campanhas educativas, pela punição aos agressores e principalmente pela conscientização das mulheres sobre seus direitos como cidadãs. Não podemos aceitar passivamente que a cultura do estupro prevaleça como vem acontecendo e assistamos aterrorizados a casos como o do estupro coletivo de uma adolescente no Rio de Janeiro, que chocou o país em maio passado. É preciso também ampliar a participação política, para que as mulheres tenham as mesmas oportunidades, se empoderem e possam decidir os rumos do país em todas as instâncias de organização e formas de poder”, afirmou Elaine Cutis, secretária da Mulher da Contraf-CUT.
Paridade de Gênero
A Conferência Nacional dos Bancários teve a participação de 633 delegados, sendo que 233 mulheres (36,8%). Uma representatividade feminina muito aquém de seu peso na categoria, onde a metade é de bancárias.
Para buscar mudar este panorama foi aprovada a orientação de paridade de gênero para a próxima Conferência Nacional. A orientação visa ampliar a participação política e o empoderamento das mulheres no setor.
“Foi um avanço das entidades e esperamos que haja um esforço de outras categorias. Assumiram para si a responsabilidade de empoderar as mulheres da categoria nas suas bases sindicais. E esperamos que esta disposição rompa barreiras culturais democratizando a participação não só nas delegações para a próxima Conferência Nacional mas também nas direções e no número de dirigentes mulheres liberadas para o trabalho sindical”, afirma Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT.
Mesmo sendo mais escolarizadas, as mulheres permanecem sendo discriminadas pelos bancos na sua remuneração, recebendo, em média, 26,3% a menos que os homens, conforme levantamento do Dieese.
Com relação a representatividade na luta sindical é importante destacar que o número de mulheres presidindo sindicatos e federações de bancários no país vem crescendo significativamente. Atualmente, São Paulo. Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fetrafi MG, FETEC SP, Pernambuco, Pará, e Campinas, entre outros, são presididos por mulheres.
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