01/08/2016

Bancários reivindicam 14,78% de reajuste, defendem emprego e se mobilizam contra perda de direitos



A Campanha Nacional Unificada 2016 vai ser uma das mais aguerridas dos últimos anos. A luta dos bancários contra demissões, por mais contratações, aumento real, PLR maior, fim da terceirização e condições de trabalho decentes vai se somar à mobilização nacional da classe trabalhadora contra a retirada de direitos. Essa foi a decisão referendada pelos 633 delegados eleitos em todo o Brasil para debater e votar a pauta de reivindicações que será entregue à federação dos bancos, a Fenaban, no dia 9 de agosto.
 
Reunidos durante os dias 29 e 31 de julho na 18ª Conferência Nacional dos Bancários, os trabalhadores da categoria definiram reajuste salarial de 14,78% com aumento real de 5% mais inflação projetada em 9,31%. A PLR a ser cobrada será de três salários mais R$ 8.317,90 de parcela fixa adicional e 14º salário. Para o piso, o salário mínimo do Dieese de R$ 3.940,24. O valor do vale-alimentação e da 13ª cesta reivindicado é de R$ 880. Para o vale-refeição, R$ 40 ao dia.
 
Os trabalhadores também aprovaram a divulgação de um manifesto contra o golpe e a retirada de direitos, assinado por algumas das maiores centrais sindicais do país. “Este ano, os bancários precisam ficar alertas aos ataques às conquistas conseguidas ao longo das últimas décadas. Teremos de lutar não só pelas reivindicações decididas durante a conferência, mas sobretudo pela manutenção dos direitos de todos  os trabalhadores e contra a precarização do trabalho que está sendo imposta pelo governo interino”, afirma o presidente do Sindicato, Paulo Franco.
 
Emprego
 
Entre as principais reivindicações dos bancários está o respeito aos empregos. Além do fim das demissões e mais contratações, os trabalhadores querem a promoção da igualdade de oportunidades, o fim das discriminações na contratação, nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, LGBT e pessoas com deficiência (PCDs).
 
No combate à terceirização, será proposta a suspensão de todos os projetos que terceirizam serviços e a criação de uma comissão bipartite, com participação dos sindicatos e bancos, para reverter esse quadro e transformar todos os terceirizados em bancários.
 
Somente nos primeiros três meses do ano o lucro líquido dos cinco maiores bancos (Banco do Brasil, Caixa Federal, Bradesco, Itaú e Santander) chegou à marca de R$ 13 bilhões. Dos 25 setores com empresas de capital aberto avaliados pela Consultoria Economatica, o bancário foi o de maior lucratividade no período. As receitas com prestação de serviços e tarifas cresceram 6,2%, atingindo R$ 26,6 bilhões. 
 
Saúde e Segurança
 
Além da luta contra o assédio moral e as metas abusivas, os bancários querem a melhoria nos programas de retorno ao trabalho, participação dos trabalhadores e dos sindicatos nas questões de saúde.

Eles reivindicam, ainda, mais transparência no PCMSO e acesso às informações que constam nos serviços médicos dos bancos, tanto em relação a exames periódicos quanto a ações preventivas.

Também será cobrado que os planos de saúde sejam mantidos após a aposentadoria do trabalhador e que sejam custeados pelas empresas.
 
Em relação à segurança, os bancários reforçaram a necessidade de portas giratórias nas agências, instalação de biombos nos caixas eletrônicos e o fim das guardas das chaves pelos trabalhadores, além da permanência de dois vigilantes por andar nas agências e pontos de serviços bancários.
 
Agências digitais
 
A pauta deste ano conterá reivindicações específicas para agências digitais e sobre novas tecnologias. A reivindicação é de jornada de cinco horas nessas unidades, sem redução do salário, inclusive para criação de mais empregos. Outro problema é que eles em geral têm um volume muito grande de clientes para atender.

Estratégia
 
Além da unidade entre trabalhadores de bancos públicos e privados, os bancários aprovaram estratégias de luta em defesa do emprego, pelo fim das demissões imotivadas, da terceirização e em defesa das empresas públicas, da CLT e do SUS. Diante dos ataques aos direitos, os bancários dizem não à reforma da Previdência como está apresentada pelo governo interino e à proposta que coloca o negociado sobre o legislado.
 
Paridade
 
Os delegados votaram que a partir de 2017, a Conferência terá participação mínima de 30% de mulheres. Também foram aprovadas moções, entre as quais a que a categoria se coloca contra a violência de gênero.
Fonte: Seeb SP, com edição de Seeb Catanduva

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