04/07/2016

Conferência da Regional 3 da Fetec-CUT/SP debate consulta e minuta de reivindicações em Catanduva




A Conferência da Regional 3 da Fetec-CUT/SP reuniu representantes dos Sindicatos dos Bancários de Araraquara, Barretos e Região e Catanduva e Região, no sábado (2), para debater propostas surgidas nas consultas realizadas às bases, bem como a minuta da campanha salarial da categoria, e realizar análises da conjuntura política e econômica do país. O encontro foi realizado em Catanduva.
 
Todos os sindicatos dos bancários filiados à Fetec-CUT/SP promoveram conferências semelhantes em junho e no início de julho. Em cada reunião, foi elaborado um relatório com os resultados da consulta às bases e as propostas de alterações à minuta. Esses documentos com as propostas consolidadas serão enviados para a conferência estadual, que será realizada no dia 16 de julho, em São Paulo.
 
“As conferências regionais sintetizam um ideal no qual os sindicatos lutam realmente pelas reivindicações da categoria e esta defende as entidades que a representam, aderem e contribuem com as atividades sindicais. É por isso que os bancários obtêm vitórias em suas empreitadas. É isso o que nos impulsiona para mais uma campanha”, explica a presidenta da Fetec-CUT/SP, Aline Molina.
 
O evento realizado em Catanduva teve participação dos presidentes dos três sindicatos – Paulo Franco (Catanduva), Marco Antônio Pereira (Barretos) e Paulo Roberto Redondo, o Maradona (Araraquara) –, do vice-presidente da CUT-SP, Sebastião Geraldo Cardozo, o Tião, do secretário-geral da Fetec-CUT/SP, Eric Nilson Lopes Francisco, da diretora da Fetec-CUT/SP, Rosângela de Farias Silva Lorenzetti, que representou a presidenta Aline Molina, e também de Luiz César de Freitas, o Alemão, ex-presidente da entidade.
 
Na parte inicial da conferência, Tião fez a análise da conjuntura política e econômica do país e demonstrou que os acontecimentos recentes não foram obra do acaso. “Tudo foi pensado, planejado e executado pela direita conservadora”, afirmou. O objetivo, diz ele, seria destituir o governo democrático e popular iniciado pelo ex-presidente Lula e que teve sequência com a presidente Dilma Rousseff.
 
Tião relembrou que o ex-presidente Lula contrariou interesses dos grandes capitalistas ao investir no mercado interno, por meio de programas sociais, para enfrentar a crise de 2008. O governante, lembra Tião, também fortaleceu as empresas públicas – não cedeu à gana internacional pela privatização do patrimônio público. Ele fez uma política de austeridade na contramão dos interesses mundiais.
 
“A direita brasileira não gosta de gente. Não gosta de pobre. Pra direita, pobre bom é pobre morto. Ele tem que ser obediente. Pobre que quer estudar e ter filho na universidade é rebelde. A direita brasileira é homofóbica e racista”, frisa Tião, ao explicar que o golpe aplicado contra a presidenta Dilma foi o último recurso após as sucessivas derrotas da direita nas urnas. “Apelaram para outros caminhos – o político e o judiciário.”
 
Além disso tudo, Tião garante que a presidenta Dilma seria a única com poder para intervir na Lava Jato, mas não o fez. “Políticos como Eduardo Cunha, Renan Calheiros e José Sarney viram que chegaria até eles, daí a origem do golpe”, explica. O sindicalista fez alusão, ainda, ao golpe militar de 1964, dizendo que o país demorou quase 30 anos para reconhecer que tratou-se de um golpe e que tudo era real.
 
“Todo o processo social, político e democrático foi desmontado. O (Michel) Temer vai privatizar tudo para gerar riquezas para os grandes capitalistas. É neste quadro que estamos lutando. Precisamos convencer as pessoas que isso é golpe. É o momento de saber quem tem coragem para o enfrentamento e quem vai se acovardar .É neste cenário que faremos nossa campanha salarial”, resumiu Tião.
 
Capacidade de Luta
 
De forma unânime, os participantes da Conferência da Regional 3 da Fetec-CUT/SP ressaltaram a capacidade de luta dos trabalhadores e do movimento sindical, frente a uma dura campanha salarial que se desenha para 2016. “Contaremos com todos os esforços dos dirigentes sindicais para que convençam os bancários de que será preciso lutar muito”, frisou Paulo Franco, presidente do Sindicato de Catanduva.
 
Entre os entraves expostos pelos sindicalistas, além do cenário político e econômico, está a redução do quadro operacional das agências bancárias, com significativa ampliação do número de gerentes – que não participam das greves da categoria.
 
Debate de Propostas
 
O resultado da consulta à categoria bancária, com números consolidados das regiões de Araraquara, Barretos e Catanduva, foi apresentado pelo dirigente sindical Carlos Alberto Moretto. Ao todo, 1.090 bancários responderam a pesquisa e defenderam a manutenção do emprego, mais contratações, aumento real de salário, melhoria no vale alimentação e o combate aos assédios moral e sexual.
 
Paulo Franco lembrou que, no ano passado, a proposta inicial dos banqueiros já contemplava abono salarial, sem aumento real. A conquista do benefício só viria depois de muitas rodadas e de uma forte greve da categoria. “Os bancários estão temerosos quanto à preservação de seus empregos e já buscam o apoio sindical. A ficha caiu que o golpe em andamento no país pode tirar direitos e conquistas”, disse.
 
No debate sobre a minuta de reivindicações, Marco Antônio Pereira, do Sindicato dos Bancários de Barretos, propôs discussões com relação ao uso indiscriminado de recursos tecnológicos pelos bancos. “Eles estão afastando os clientes das agências, incentivando o uso da tecnologia, e com isso reduzindo seus quadros”. Ficou acertado que os sindicatos estudarão caminhos para dificultar as demissões.
 
Depois, foram discutidas estratégias de enfrentamento, uma vez que, no consenso, reconheceu-se que a minuta da categoria – composta por 129 itens – está bastante completa, mas com inúmeros temas ainda não conquistados nas mesas de negociação. “Gostaríamos de morar na minuta. Ela é o céu, o paraíso. São os anseios e desejos dos bancários pelos quais temos de lutar”, avaliou Paulo Franco.
Fonte: Seeb Catanduva

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