10/06/2016

Bancários não aceitarão retrocessos e estão na luta para consolidar conquistas e avançar em direitos

Bancários de todo o país estão começando os preparativos para a campanha nacional da categoria de 2016. A primeira grande tarefa é definir a pauta de reivindicações específicas que será debatida com a direção de cada banco. Neste sentido, representantes do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região espalharam-se por encontros e congressos estaduais para mobilizar trabalhadores e enriquecer as discussões em defesa de direitos e conquistas.

 
Bancos Públicos
 
No Congresso Estadual dos Empregados da Caixa, dia 4 de junho, foram escolhidos os delegados que irão representar o Estado no 32º Conecef. Com a presença do cientista político Emir Sader, foi discutida a conjuntura política do país e os obstáculos que os empregados da Caixa enfrentarão. 
 
O Sindicato foi representado pelo dirigente Antônio Júlio Gonçalves Neto, o Tony. “A participação dos empregados foi fundamental para criarmos uma pauta concreta sobre os problemas das agências. Agora, é arregaçar as mangas e partir pra a luta em defesa dos bancários e da Caixa 100% pública”.
 
Presente no Encontro Estadual do Banco do Brasil, em 31 de maio, o dirigente Roberto Carlos Vicentim relata que as preocupações dos trabalhadores giram em torno da Cassi, do Economus e da reestruturação. “Esses temas serão levados para debate no encontro nacional dos trabalhadores.”
 
Quanto ao Economus, o Relatório Anual 2015 aponta déficit para este ano na ordem de R$ 511 milhões no Plano C, que envolve funcionários na ativa da antiga Nossa Caixa. Já com relação à Cassi, os bancários pleiteiam a retomada do processo de negociação em busca da sustentabilidade.
 
Bancos Privados
 
Entre 7 e 8 de junho, foi a vez dos bancários do Bradesco, HSBC, Itaú e Mercantil do Brasil participarem do Encontro Nacional dos Bancos Privados. Em reuniões distintas, os trabalhadores discutiram assuntos relacionados à categoria e debateram a conjuntura nacional, com o mote “Consolidando conquistas e avançando em direitos”. 
 
Pelo Sindicato, estiveram presentes os dirigentes Júlio César Trigo, Carlos Alberto Moretto e Luiz Eduardo Campolungo (da esq. para direita na foto). Com os encontros, diz Moretto, busca-se a construção de uma grande campanha. “Unidos, vamos fortalecer a resistência aos ataques à democracia e ao patrimônio público.”
 
Pelo Bradesco, a manutenção do emprego é questão prioritária na pauta de reivindicações, que tem ainda demandas relacionadas ao auxílio-educação, cargos e salários, remuneração, segurança, saúde, promoções e fim do assédio moral e metas abusivas.
 
Os bancários do HSBC seguiram a mesma linha, fixando o emprego como prioridade. Os trabalhadores também alertaram para a necessidade de luta pelas conquistas específicas, como a bolsa-educação, o parcelamento de férias e planos de saúde.
 
Na minuta dos bancários do Itaú, que começou a ser delineada no Coletivo Estadual, com participação do presidente Paulo Franco, estão reivindicações de emprego, saúde, remuneração, condições de trabalho, previdência privada, segurança e igualdade.
 
Os bancários do Mercantil do Brasil também fecharam sua minuta de propostas, restando apenas dois pontos a serem discutidos individualmente em cada sindicato: o plano de saúde e a PLR. 
 
Santander
 
O Santander está disposto a renovar o Acordo Aditivo à CCT dos seus funcionários. Porém, o banco não aceita avançar em nenhuma nova cláusula social, de condições de trabalho e de saúde apresentadas pela representação dos trabalhadores. 
 
Esta foi a conclusão da terceira rodada de negociações, no dia 8 de junho. O dirigente Aparecido Augusto Marcelo, que integra a COE do Santander, está acompanhando os debates. “A renovação é essencial, mas é preciso ter avanços.”

Golpe contra cada um de nós

Durante o encontro, os bancários analisaram as perdas e as ameaças que o “governo” interino e ilegítimo de Michel Temer representa para toda a classe trabalhadora.

A vice-presidenta da Contraf-CUT e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, afirmou que o golpe era a única saída para a “turma de Temer” chegar ao poder.

“Se eu dissesse que faria reforma na previdência, que mexeria na CLT, que iria cortar recursos da saúde e da educação, eu seria eleita? Não seria. Para implementar esse projeto tiveram que dar um golpe, era o único jeito”, questionou.  

O presidente da Contraf-CUT fez uma análise do cenário encontrado pelos bancários na campanha de 2015 e disse que este ano tende a ser pior.

“2016 não é um ano difícil, é muito difícil. Temos visto uma convergência entre empresários, grande mídia e um judiciário partidarizado. Eles compraram um congresso nacional, financiando 70% dos parlamentares, para colocar em prática a pauta bomba contra os trabalhadores, com projetos como a terceirização. Mas também estamos em Brasília e nas ruas para fazer este combate”, disse Roberto von der Osten.

4,5 mil postos de trabalho eliminados

O nível de emprego continua caindo. O Dieese apresentou dados, no encontro, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), os quais revelam que de janeiro a abril de 2016, foram eliminados 4,5 mil postos de trabalho em todo o setor financeiro. Em doze meses houve uma redução de 11.305 postos de trabalho. O número de agências também está caindo. O atendimento remoto predomina, principalmente por smartphones, e vem crescendo expressivamente.

Por outro lado, os cinco maiores bancos do país somam um lucro de R$ 69,9 bilhões, em doze meses. No 1º trimestre de 2016, o lucro destes bancos somou R$ 13,1 bilhões, com queda de 19,4% em relação ao 1º trimestre de 2015. Mesmo com este resultado, os lucros continuam elevados.

“Apesar dos bancos apresentarem características bem distintas, suas variações foram parecidas. Pois, mesmo com a queda na rentabilidade, os lucros do sistema financeiro permaneceram em patamares muito elevados”, explicou a economista do Dieese, Catia Uehara.

Confira aqui os debates e as principais reivindicações dos bancários em cada banco:

Fim das demissões e mais contratações estão entre as principais reivindicações dos bancários do Itaú

Em minuta específica, emprego é prioridade para os bancários do HSBC

Campanha Nacional de 2016 deve ser mais forte no banco Mercantil do Brasil

Emprego é a principal reivindicação dos bancários do Bradesco
Congresso estadual da Caixa escolhe delegados para o Conecef

Fonte: Seeb Catanduva, com informações de Contraf-CUT e Seeb SP

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