06/01/2026
Juros abusivos: o custo social de uma escolha econômica
*Por Neiva Ribeiro
Na última reunião do ano de 2025, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa básica de juros da economia. A Selic segue em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006, mesmo com a inflação sob controle. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumula 4,46% em 12 meses e a expectativa é que o ano se encerre em torno de 4,4%, dentro do limite superior da meta de inflação estabelecida pelo Copom.
O Brasil permanece entre os países com os juros mais elevados do mundo. O juro real brasileiro alcança 9,44%, o segundo maior de todo o planeta, evidenciando que esse aperto monetário em curso vai além do necessário para conter a inflação e impõe custos relevantes à economia e à vida cotidiana da população.
Os efeitos dos juros altos são amplamente sentidos no dia a dia dos brasileiros. O crédito mais caro pesa sobre o orçamento das famílias, aprofunda o endividamento e dificulta o acesso ao consumo e à moradia. O financiamento imobiliário se torna menos acessível, afastando trabalhadores do sonho da casa própria e reduzindo a atividade em um setor estratégico para a geração de empregos.
No campo produtivo, o cenário também é desfavorável. Com juros elevados, empresas adiam investimentos, comprometem planos de expansão e reduzem a capacidade de inovar. Esse movimento enfraquece a dinâmica econômica, limita ganhos de produtividade e freia o crescimento, com impactos diretos sobre o emprego e a renda.
Os juros altos também afetam as contas públicas. Cada ponto percentual adicional na Selic pressiona a dívida pública, ampliando os gastos com juros e reduzindo o espaço fiscal para investimentos sociais e políticas públicas. Trata-se de recursos que deixam de ser direcionados para áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
Diante desse contexto, cresce a necessidade de rediscutir o patamar da meta de inflação diante das condições da realidade brasileira. O controle inflacionário é fundamental, mas não pode ser perseguido de forma isolada, ignorando seus efeitos sobre o desenvolvimento econômico e social. Uma política monetária equilibrada deve buscar estabilidade de preços sem sacrificar crescimento, emprego e renda.
A manutenção de juros tão elevados, mesmo com a inflação dentro da meta, levanta uma questão inevitável: a quem interessa esse cenário? Enquanto o sistema financeiro e os rentistas são favorecidos, os custos recaem sobre a maioria da população. O debate sobre juros, portanto, não é apenas técnico. É um debate sobre projeto de país, distribuição de renda e prioridades econômicas.
Durante todo o ano, o movimento sindical promoveu diversos atos denunciando os juros abusivos, defendendo a redução das taxas e cobrando que a política monetária e fiscal caminhem alinhadas a um projeto de nação comprometido com o desenvolvimento econômico e social. Essa luta é permanente e seguirá enquanto os custos dos juros recaírem sobre os trabalhadores, as famílias e o futuro do país.
*Neiva Ribeiro é coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região
Na última reunião do ano de 2025, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu manter a taxa básica de juros da economia. A Selic segue em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006, mesmo com a inflação sob controle. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) acumula 4,46% em 12 meses e a expectativa é que o ano se encerre em torno de 4,4%, dentro do limite superior da meta de inflação estabelecida pelo Copom.
O Brasil permanece entre os países com os juros mais elevados do mundo. O juro real brasileiro alcança 9,44%, o segundo maior de todo o planeta, evidenciando que esse aperto monetário em curso vai além do necessário para conter a inflação e impõe custos relevantes à economia e à vida cotidiana da população.
Os efeitos dos juros altos são amplamente sentidos no dia a dia dos brasileiros. O crédito mais caro pesa sobre o orçamento das famílias, aprofunda o endividamento e dificulta o acesso ao consumo e à moradia. O financiamento imobiliário se torna menos acessível, afastando trabalhadores do sonho da casa própria e reduzindo a atividade em um setor estratégico para a geração de empregos.
No campo produtivo, o cenário também é desfavorável. Com juros elevados, empresas adiam investimentos, comprometem planos de expansão e reduzem a capacidade de inovar. Esse movimento enfraquece a dinâmica econômica, limita ganhos de produtividade e freia o crescimento, com impactos diretos sobre o emprego e a renda.
Os juros altos também afetam as contas públicas. Cada ponto percentual adicional na Selic pressiona a dívida pública, ampliando os gastos com juros e reduzindo o espaço fiscal para investimentos sociais e políticas públicas. Trata-se de recursos que deixam de ser direcionados para áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
Diante desse contexto, cresce a necessidade de rediscutir o patamar da meta de inflação diante das condições da realidade brasileira. O controle inflacionário é fundamental, mas não pode ser perseguido de forma isolada, ignorando seus efeitos sobre o desenvolvimento econômico e social. Uma política monetária equilibrada deve buscar estabilidade de preços sem sacrificar crescimento, emprego e renda.
A manutenção de juros tão elevados, mesmo com a inflação dentro da meta, levanta uma questão inevitável: a quem interessa esse cenário? Enquanto o sistema financeiro e os rentistas são favorecidos, os custos recaem sobre a maioria da população. O debate sobre juros, portanto, não é apenas técnico. É um debate sobre projeto de país, distribuição de renda e prioridades econômicas.
Durante todo o ano, o movimento sindical promoveu diversos atos denunciando os juros abusivos, defendendo a redução das taxas e cobrando que a política monetária e fiscal caminhem alinhadas a um projeto de nação comprometido com o desenvolvimento econômico e social. Essa luta é permanente e seguirá enquanto os custos dos juros recaírem sobre os trabalhadores, as famílias e o futuro do país.
*Neiva Ribeiro é coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região
SINDICALIZE-SE
MAIS ARTIGOS
- Juros abusivos: o custo social de uma escolha econômica
- Desigualdades e o mundo do trabalho
- Santander: a fábrica da vigilância e da pressão psicopolítica
- Formação de mulheres na TI é fruto de luta coletiva
- Tecnologia, desigualdade e o papel estratégico do movimento sindical
- O mercado afronta a democracia
- Santander: o Banesprev e os direitos de participantes sob ataque há 10 anos
- Artigo: Previ tem governança e auditorias permanentes do BB e da Previc
- Análise da Afubesp: Santander coloca showbiz na frente dos direitos dos trabalhadores no Brasil
- Somos reféns do mercado?
- Bancários são CLT Premium?
- Primeira mesa com banqueiros vai discutir o emprego bancário
- Algoritmos a serviço do lucro e da propagação do discurso de ódio
- PLR é resultado da luta dos trabalhadores!
- Banesprev: O Plano II e as contribuições extraordinárias