Juvândia Moreira: “Políticas públicas e educação são instrumentos para a igualdade de direitos”
Juvândia Moreira Leite, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, garante que o século XX foi um marco para as conquistas femininas, mas avisa ser constante a luta pela igualdade de direitos.
Em entrevista à FETEC-CUT/SP, Juvândia, que faz questão de utilizar o termo presidenta em referência ao cargo que ocupa (confira o editorial), aponta a necessidade de intensificar os esforços para aumentar o ingresso das mulheres em outros campos da sociedade; para desconstruir uma relação de poder, a qual, até o momento, impediu uma eficaz aplicação da Lei Maria de Penha, contra a violência doméstica; e para a construção de um novo conceito do papel do homem e da mulher, que seja capaz de permitir um adequado avanço da sociedade.
FETEC-CUT/SP - Como presidenta do maior sindicato de trabalhadores do Brasil, como você avalia a evolução das lutas das mulheres por igualdade? Quais os marcos dessa luta?
Juvândia - Foram muitas as batalhas por igualdade de oportunidades e diversas as entidades que ajudaram a fortalecer essas lutas, principalmente as trabalhadoras organizadas no movimento sindical e movimento feminista. O século passado foi um marco para conquistas femininas, começando pelo direito ao voto. É importante ressaltar também que o ingresso da mulher no mercado de trabalho evoluiu somente após a aprovação da licença-maternidade ser paga pelo Estado.
FETEC-CUT/SP - O que falta para alcançarmos a necessária igualdade na vida, no trabalho e no movimento sindical?
Juvândia - Estamos em luta constante pela igualdade salarial. No setor bancário, por exemplo, as mulheres recebem salários em média 23% menor do que os homens. As reivindicações específicas das mulheres, como a equiparação salarial e o direito à ascensão profissional, agregam na construção de pautas e em novas conquistas. Também precisamos intensificar nossos esforços para aumentar o ingresso das mulheres em outros campos da sociedade, da política.
FETEC-CUT/SP - Um dos motes da luta das mulheres é pelo fim da violência doméstica. A que você atribui a relutância de juízes e delegados de polícia em aplicar a Lei Maria da Penha?
Juvândia - A violência doméstica contra as mulheres ainda apresenta dados impressionantes. A última pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo afirma que a cada dois minutos, cinco mulheres sofrem com violência doméstica. Mesmo com a Lei Maria da Penha, muitas mulheres ainda sofrem agressões por causa da forma como a nossa sociedade está organizada. Ainda vivemos em uma sociedade machista, onde juízes ou delegados pensam que o lugar da mulher ainda é dentro de casa. É uma relação de poder que precisamos desconstruir. Precisamos nos organizar e cobrar do Estado que faça cumprir essa lei.
FETEC-CUT/SP - Embora tenhamos eleito uma mulher para a presidência do país, o Brasil ainda é excessivamente machista e sexista. Quais os caminhos para rompermos com esse tipo de comportamento?
Juvândia - Com a implementação de políticas públicas e com mudanças na educação. Precisamos de homens e mulheres educados para construir uma sociedade igualitária e menos violenta. Precisamos de políticas afirmativas para a ascensão profissional. Por exemplo, uma empresa que ofereça salários iguais, para homens e mulheres que desempenhem a mesma função, ou que possibilitem a ascensão de mulheres a cargos de direção, poderia ter mais facilidade no acesso a linhas de crédito de fundos públicos. Precisamos trabalhar para mudar essa realidade e construir um novo conceito do papel do homem e da mulher. Um conceito justo e igualitário.
FETEC-CUT/SP - De que maneira a igualdade entre homens e mulheres pode contribuir para a evolução da sociedade como um todo?
Juvândia - É muito melhor viver em uma sociedade com direitos iguais. Se nós, mulheres, somos 51% da população e temos direitos inferiores aos dos homens, é porque alguém ainda está perdendo.
Fonte: Fetec-CUT/SP
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