Entenda o interdito proibitório
Mais uma vez os banqueiros estão deixando os trabalhadores sem outra saída a não ser lançar mão do direito constitucional de ir à greve para conquistar um acordo digno na Campanha Nacional 2010. E junto com o movimento sempre começam a aparecer os interditos proibitórios.
O interdito é uma ação jurídica relacionada a situações nas quais o direito de posse ou de propriedade está sendo ameaçado. Dos anos 1990 para cá, porém, tem sido usado indevidamente para inviabilizar greves e as próprias entidades sindicais, pois prevê a aplicação de multas, além de utilizar a força policial para tentar inibir a mobilização dos trabalhadores.
Os bancários não buscam “tomar a posse” das agências nem dos departamentos. A intenção dos grevistas é apenas conversar com os bancários sobre o andamento da Campanha.
“A chegada de um oficial de Justiça portando um interdito proibitório pode confundir e assustar o bancário, dando a impressão errada de que está ‘proibido’ de fazer greve”, explica o secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Daniel Reis.
“Além disso, o fórum que decide o início ou não de uma greve é a assembleia. E todos os trabalhadores têm de se submeter a essa decisão soberana e ajudar a construir uma forte mobilização", afirma.
Em outras palavras: quando um banco obtém interdito proibitório por conta da greve, isso não significa que os trabalhadores são obrigados a retornar ao trabalho. Muito pelo contrário! Se a greve foi decidida em Assembleia pela categoria, é dever de todos seguir a vontade democrática da maioria e ajudar a fortalecer a paralisação.
Em Catanduva, o Itaú obteve, esta semana, interdito proibitório por conta da greve. Gestores do Banco aproveitaram-se da situação para fazer pressão sobre os trabalhadores. A tática intimidatória consiste em dizer aos bancários que, com o interdito, a greve deixa de ter validade e que todos estão obrigados a retornar a suas funções.
Os bancários precisam ter em mente que essas afirmações são MENTIROSAS e DESCABIDAS.
Se uma greve é decidida e levada adiante conforme manda a lei, nenhum juiz, de qualquer que seja a instância, tem o poder impedi-la. Quem decide os destinos da paralisação (quando ela começa e quando termina) sãos os trabalhadores.
Só você, bancário, ao lado de sua categoria, é quem tem autonomia para decidir os rumos desta greve. Não aceite pressões. Quem decide seu futuro é você.
EM TEMPO: O assédio do Itaú sobre os trabalhadores foi em vão. Graças à postura firme demonstrada pela diretoria do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região,os funcionários do banco puderam ignorar solenemente as pressões feitas pelos aduladores de plantão. Não foi desta vez que o "Banco do Helicóptero" (entenda o porquê aqui) conseguiu "furar" a greve dos bancários.
Fonte: Redação/ Com informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo
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