Fantástico critica portas giratórias sem ouvir bancários, vigilantes e polícia
Mesmo protegendo a vida de bancários, vigilantes e clientes, e reduzindo o número de ataques a bancos, as portas giratórias de segurança com detectores de metais foram criticadas pelo programa Fantástico, da Rede Globo, exibido no último domingo, dia 16. A reportagem ignorou as vantagens trazidas pelo equipamento e, mais uma vez, não ouviu representantes de bancários e vigilantes, muito menos a polícia.
A matéria destacou a morte de um aposentado que era negro, usava marcapasso e levou um tiro de um vigilante, numa agência do Bradesco, em São Paulo, durante uma discussão no acesso da porta giratória. O tiro atingiu outro cliente, que ainda possui a bala alojada no rosto.
"A experiência mostra que a instalação de portas giratórias foi positiva e melhorou consideravelmente a segurança de muitas agências, protegendo a vida de trabalhadores e clientes e evitando assaltos e sequestros", afirma Ademir Wiederkehr, secretário de imprensa da Contraf-CUT e coordenador do Coletivo Nacional de Segurança Bancária.
"Eventuais incômodos de clientes, assim como a tragédia ocorrida com o aposentado, poderiam ser evitados, se as portas estivessem sempre bem reguladas eletronicamente, além de orientações para os usuários e treinamento adequado para os vigilantes", explica o dirigente sindical.
Descaso da Globo
A Contraf-CUT lamenta que novamente as entidades sindicais dos bancários e vigilantes não foram entrevistadas, a exemplo da reportagem exibida no dia 11 de abril sobre o golpe da "saidinha de banco" que tem provocado uma onda de assaltos, inclusive com mortes. "Na ocasião, entramos em contato com o produtor do Fantástico, que prometeu que na próxima vez falaria conosco, o que não aconteceu", explica Ademir.
"Já fizemos novo contato com a produção do Fantástico, cobrando por que nem representantes dos bancários e vigilantes, muito menos a polícia, foram consultados na reportagem", informa o diretor da Contraf-CUT. "Os trabalhadores não aceitam o descaso da Globo, são protagonistas no debate de segurança e querem apresentar suas propostas para combater a violência e prevenir assaltos", conclui.
Serra vetou lei das portas giratórias em São Paulo
As portas giratórias têm sido instaladas em muitas agências graças a várias leis municipais e estaduais no País. Em Porto Alegre, foi aprovada uma lei pioneira em 1994, sancionada pelo então prefeito Tarso Genro (PT), contestada pelas entidades dos bancos em todas as instâncias, mas julgada constitucional pelo STF.
Em São Paulo, o então governador José Serra (PSDB) vetou o Projeto de Lei (PL) 1.281/07, do deputado Marcos Martins (PT), que previa a obrigatoriedade da instalação das portas no Estado. O PL aprovado no dia 2 de abril de 2008, na Assembléia Legislativa de São Paulo, dependia apenas da sanção de Serra para entrar em vigor nos prazos previstos.
Há também casos de portas giratórias que foram instaladas pela iniciativa de alguns bancos para melhorar a segurança de agências assaltadas e inibir ações criminosas em unidades de maior risco.
Fonte: Contraf-CUT com G1
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