Registros de transtornos mentais no trabalho disparam
Após a entrada em vigor do nexo-técnico epidemiológico, em 2007, número de casos oficiais aumentou mais de 22 vezes.
Após muita luta do Sindicato, entrou em vigor em 2007 o Nexo-Técnico Epidemiológico (NTEp), dispositivo que combate a subnotificação de casos de doença no trabalho. E, segundo o diretor de saúde e segurança ocupacional do Ministério da Previdência, Remígio Todeschini, o NTEp é o maior responsável pelo aumento de 22 vezes nos registros de transtornos mentais entre os trabalhadores brasileiros.
Segundo dados do próprio ministério, em 2006 foram 612 registros contra 13.478 do ano passado. O nexo é obtido a partir do cruzamento de dados estatísticos e estabelece a relação entre incidência de doenças e determinados grupos de atividade. Com isso, quem contrair uma doença cujo diagnóstico esteja relacionado ao seu ramo de atividade terá reconhecido o nexo e não precisa mais provar que adoeceu por causa do trabalho.
Mesmo com a melhora, a subnotificação ainda existe. Segundo a coordenadora do grupo Organizações do Trabalho e Adoecimento da Fundacentro, ligada ao Ministério do Trabalho, Maria Maeno, apesar do NTEp, ainda existe subnotificação pois os dados do ministério incluem apenas casos reconhecidos pela perícia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) no mercado. “Muita gente incapacitada está trabalhando, na esfera privada e na pública”, diz ela.
Para o psiquiatra Kalil Duailibi, muitos dos acometidos pelas doenças se escondem com medo de serem demitidos, terem renda reduzida ou até serem estigmatizados.
“O nexo é muito importante para combater as subnotificações, que são um grande obstáculo no combate às doenças ocupacionais”, diz Júlio César Mathias, secretário de Saúde do Sindicato dos Bancários de Catanduva. “Mas não podemos esquecer também do centro do problema, que é a pressão por metas abusivas e o assédio moral, infelizmente muito comuns hoje entre os bancários.”
Menos Metas, Mais Saúde - O debate sobre pressão por metas e o quanto essa prática pode afetar a vida do trabalhador é constante na categoria bancária. Desde maio, o Sindicato intensificou a discussão sobre o assunto por meio da campanha Menos Metas, Mais Saúde. A ação já percorreu as agências de Catanduva, Ibitinga e Itápolis levando informações e conscientizando a importância de denunciar abusos.
“Nossa campanha visa, entre outras propostas, debater o assunto junto aos funcionários e ‘frear’ o elevado grau de adoecimento mental, sobretudo o relacionado com a pressão por metas abusivas, práticas de assédio moral, extrapolação de jornada de trabalho etc.”, completa Júlio Mathias.
Leia mais: Conheça melhor a campanha Menos Metas, Mais Saúde
Fonte: SEEB S Paulo
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