20/11/2020
Assassinatos de negros e mulheres continuam no Brasil

Leila Arruda, ex-candidata nas recentes eleições a prefeita pelo PT em Curralinho, ilha de Marajó, no Pará, foi assassinada pelo ex-marido nesta quinta-feira (19). Mais uma vítima de feminicídio, Leila Arruda tinha 49 anos e foi fundadora do Movimento de Mulheres Empreendedoras da Amazônia (Moema).
“O assassinato de Leila é mais uma prova de que temos de continuar nosso combate à violência contra a mulher. É uma luta de todos, mulheres, homens, de pessoas de todas as faixas sociais. Temos de cobrar justiça para esses crimes. Triste é constatar que o feminicídio de Leila ocorre quase ao mesmo tempo do assassinato de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro morto ao ser espancado por seguranças do supermercado Carrefour, em Porto Alegre. Esses crimes ocorrem no momento em que celebramos o Dia da Consciência Negra (20 de novembro) e o Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher (25 de novembro)”, lembrou a secretária de Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeira (Contraf-CUT), Elaine Cutis.
"O racismo no país mata no Dia da Consciência Negra e em todos os outros dias também. E não deve ser combatido apenas neste 20 de novembro. A reincidência de casos de violência contra negros na empresa Carrefour aponta para um problema ainda maior: o racismo estrutural. Ou seja, quando as próprias estruturas sociais promovem, direta ou indiretamente, o preconceito racial, contribuindo para reforçar e perpetuar as desigualdades", destaca o presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Roberto Carlos Vicentim.
"Só poderemos mudar esse quadro levando o debate para todos os nossos meios de convivência, reeducando-nos, fortalecendo a representatividade e sobretudo, com políticas públicas afirmativas efetivas. Já é tempo do racismo que mata deixar de ser aceito diante dos olhos da sociedade. Já é tempo de começar a reparar as injustiças históricas que levaram à disseminação do preconceito racial, à exclusão social da população negra e à violência com quem é parte fundamental da história e construção desse país", reforça Vicentim.
Ameaças à vereadora
Além dos assassinatos de João Freitas, em Porto Alegre, e Leila Arruda, no Pará, também ganhou destaque as ameaças à vereadora eleita Ana Lúcia Martins (PT). Ela é a primeira mulher negra eleita para a Câmara de Vereadores de Joinville, no Norte de Santa Catarina. Desde domingo (15), com o resultado das eleições, Ana Martins vem recebendo ataques em redes sociais e até ameaças de morte. “Com toda essa violência, lamento que ocorram casos como esses no momento em que o chefe maior do país que, infelizmente, ao invés de coibir, reforça essa violência. Esse discurso conservador é uma ameaça a todos”, alerta a secretária da Mulher da Contraf-CUT.
Asim como aconteceu nesta sexta-feira (20) um tuitaço contra a discriminação racial, haverá outro protesto semelhante no dia 25, próxima quarta-feira. O tuitaço será ao meio-dia, com a hashtag #RespeitaAsMinas.
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