25/09/2019
Acordo entre o Banco do Brasil e banco suíço UBS pode reeditar fiasco do MaxBlue

O Banco do Brasil firmou um memorando de entendimentos com o banco suíço UBS para prestar serviços de banco de investimento e de corretora de valores no segmento institucional no Brasil, Argentina, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai.
Os termos e condições definitivos a serem estabelecidos no Acordo de Associação estabelecem que o UBS será acionista majoritário (50,01%) da parceria e terá acesso à base de relacionamento do BB, segundo texto publicado no site Infomoney.
“Já vimos isso antes. Uma parceria entre o Banco do Brasil e o Deutsche Bank acabou em um prejuízo de R$ 200 milhões para o banco brasileiro”, disse a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, lembrando do MaxBlue, um dos maiores fiascos do mercado financeiro no país.
Criada em 2001, durante o governo FHC, em menos de dois anos o MaxBlue gerou prejuízos de R$ 200 milhões para o BB. Em pouco mais de um ano presente no país, a “boutique de investimentos” tinha conseguido apenas 7.000 clientes, número muito abaixo dos 20 mil a 30 mil esperados para os primeiros 12 meses de operação. O ambicioso plano de ampliar a atuação para outros países começou a afundar dias depois de receber o milionário investimento do BB. O BB teve que assumir o prejuízo depois que o Deutsche desistiu do projeto.
“O Banco do Brasil tem 100% das ações do Banco de Investimento e quer vender mais de 50% ao UBS. Essa é uma maneira de fugir da lei de licitações. É o mesmo processo já realizado com outras subsidiárias do BB, como a Brasilprev, por exemplo”, informou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga.
Para Fukunaga, o UBS vai ganhar de graça o imenso canal de distribuição do BB, com 4.700 agências, 90 mil funcionários e 36 milhões de clientes. “O Banco do Brasil não ganha nada com esta parceria, apenas divide o lucro de sua subsidiária com um sócio ‘estratégico’. Mais do que privatização, é a entrega de um patrimônio construído pelo banco a um sócio que, a meu ver, não tem nada a acrescentar, pois o banco já possui expertise suficiente para continuar atuando de modo autônomo neste mercado”, observou.
A concretização da parceria depende da finalização das negociações entre as partes, da formalização de eventuais instrumentos vinculantes, bem como de aprovações internas e de todos os órgãos e instâncias competentes.
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