Mesmo cobrado pelo movimento sindical, Bradesco mantém descaso com os afastados
Mesmo tendo sido cobrado pelo movimento sindical, o Bradesco continua descumprindo a cláusula 65 da CCT e criando obstáculos para a liberação do salário emergencial aos bancários afastados. Denúncias confirmam essa prática desumana na instituição.
“Estou há meses solicitando o salário emergencial para o banco e eles estão me enrolando. O médico do trabalho me deu inapto e eu não voltei trabalhar. Minha nova perícia é somente em janeiro de 2018. Estou desesperado, pois preciso pagar as minhas contas. O acerto do INSS referente à primeira perícia ainda não saiu porque falaram que o banco informou a eles que eu já tinha voltado e feito o acerto dos valores comigo. O que não é verdade”, relata um bancário afastado em matéria divulgada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.
Esse caso já é recorrente no Bradesco e foi pauta em março deste ano, na primeira reunião da mesa bipartite de saúde do trabalhador com a Fenaban. E o movimento sindical já solicitou que o banco voltasse a fazer o pagamento, porém agora o Bradesco voltou atrás alegando que, com o fim do pedido de reconsideração, implantado pelo governo Temer, o banco não tem amparo jurídico.
O diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região e funcionário do Bradesco, Júlio César Trigo, explica que o direito ao adiantamento do salário existe há pelo menos cinco anos, previsto na cláusula 65 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria, e que, portanto, o banco não pode descumprir o acordo.
"É inaceitável que o Bradesco negue esse direito aos seus trabalhadores que se encontram inaptos pelo médico do trabalho, aguardando perícia do INSS. A maioria dos funcionários afastados contam com esse salário para suprir suas necessidades básicas e, muitas vezes, é a única forma de garantir o tratamento médico. Ao descumprir o direito, o banco igonora a saúde de seus trabalhadores e os obriga a situações de extrema necessidade financeira, contribuindo cada vez mais para o adoecimento da categoria e agravamento da saúde desses funcionários."
Trigo ainda destaca que, segundo informações adquiridas pelo movimento sindical, somente o Bradesco está agindo assim. Outros bancos seguem o que foi acordado. "Permaneceremos cobrando até que o Bradesco mude a sua postura”, finaliza o diretor.
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