26/01/2026
Promotor denuncia uso de fintechs pelo crime organizado e movimento sindical cobra maior regulação
Em entrevista exibida na edição da última quinta-feira (22) do Jornal da Globo, a jornalista Renata Lo Prete conversou com o promotor de Justiça do Ministério Público de São Paulo e integrante do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Lincoln Gakya, sobre o avanço do crime organizado na economia formal, especialmente por meio da utilização de fintechs para lavagem de dinheiro.
O tema ganhou ainda mais repercussão diante das recentes investigações envolvendo fraudes no setor e da liquidação do Will Bank pelo Banco Central, ocorrida no dia 21 deste mês. Ligado ao Banco Master, que também foi alvo de liquidação, o Will Bank possuía mais de 12 milhões de clientes, o que evidencia o alcance social dos riscos gerados pela fragilidade na fiscalização dessas instituições.
Durante a entrevista, Gakya explicou que o crime organizado busca justamente setores com falhas regulatórias. “O crime organizado procura setores que têm deficiência de regulamentação e de fiscalização para lavar dinheiro”, afirmou. Segundo o promotor, investigações apontaram que algumas fintechs operavam em um “verdadeiro limbo”, sem serem formalmente reconhecidas como instituições bancárias, embora atuassem como tal.
Ainda de acordo com Gakya, esse cenário levou organizações criminosas a criarem suas próprias fintechs como estratégia para ocultar patrimônio. “Em vez de procurar laranjas e terceiros, seria muito melhor criar o seu próprio banco. Algumas organizações criminosas, como o próprio PCC, já tiveram fintechs criadas para lavar o próprio dinheiro. Isso que nos preocupa: o crime organizado participar da economia formal.”
O promotor também fez um alerta contundente sobre os riscos de longo prazo. “Eles estão se infiltrando de tal maneira na economia que, se não for feito nada a respeito, em algumas décadas o Brasil pode caminhar para se tornar um narcoestado”, disse, citando exemplos como Colômbia e México. Ao ser questionado sobre os setores de atuação dessas organizações, foi direto: “Hoje é mais fácil me perguntar em quais setores o crime organizado não atua.”
Movimento sindical bancário defende fortalecimento da regulação
As entidades representativas da categoria bancária têm alertado há anos para a necessidade de fortalecimento da regulação do sistema financeiro nacional, especialmente no que diz respeito às instituições financeiras não bancárias, como as fintechs. A defesa de regras claras, fiscalização rigorosa e responsabilidade institucional é uma das bandeiras centrais do movimento sindical bancário.
Para a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, Neiva Ribeiro, o caso do Will Bank escancara os riscos da falta de controle adequado sobre essas instituições.
“A liquidação de uma instituição prejudica toda a sociedade, especialmente os trabalhadores que confiam suas economias a modelos que fogem à regulação tradicional. O caso do Will Bank reforça que instituições financeiras devem operar sob regras que protejam a população e o sistema como um todo. Precisamos de fiscalização rigorosa para evitar riscos sistêmicos e punição aos responsáveis por irregularidades”, afirma.
O tema ganhou ainda mais repercussão diante das recentes investigações envolvendo fraudes no setor e da liquidação do Will Bank pelo Banco Central, ocorrida no dia 21 deste mês. Ligado ao Banco Master, que também foi alvo de liquidação, o Will Bank possuía mais de 12 milhões de clientes, o que evidencia o alcance social dos riscos gerados pela fragilidade na fiscalização dessas instituições.
Durante a entrevista, Gakya explicou que o crime organizado busca justamente setores com falhas regulatórias. “O crime organizado procura setores que têm deficiência de regulamentação e de fiscalização para lavar dinheiro”, afirmou. Segundo o promotor, investigações apontaram que algumas fintechs operavam em um “verdadeiro limbo”, sem serem formalmente reconhecidas como instituições bancárias, embora atuassem como tal.
Ainda de acordo com Gakya, esse cenário levou organizações criminosas a criarem suas próprias fintechs como estratégia para ocultar patrimônio. “Em vez de procurar laranjas e terceiros, seria muito melhor criar o seu próprio banco. Algumas organizações criminosas, como o próprio PCC, já tiveram fintechs criadas para lavar o próprio dinheiro. Isso que nos preocupa: o crime organizado participar da economia formal.”
O promotor também fez um alerta contundente sobre os riscos de longo prazo. “Eles estão se infiltrando de tal maneira na economia que, se não for feito nada a respeito, em algumas décadas o Brasil pode caminhar para se tornar um narcoestado”, disse, citando exemplos como Colômbia e México. Ao ser questionado sobre os setores de atuação dessas organizações, foi direto: “Hoje é mais fácil me perguntar em quais setores o crime organizado não atua.”
Movimento sindical bancário defende fortalecimento da regulação
As entidades representativas da categoria bancária têm alertado há anos para a necessidade de fortalecimento da regulação do sistema financeiro nacional, especialmente no que diz respeito às instituições financeiras não bancárias, como as fintechs. A defesa de regras claras, fiscalização rigorosa e responsabilidade institucional é uma das bandeiras centrais do movimento sindical bancário.
Para a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, Neiva Ribeiro, o caso do Will Bank escancara os riscos da falta de controle adequado sobre essas instituições.
“A liquidação de uma instituição prejudica toda a sociedade, especialmente os trabalhadores que confiam suas economias a modelos que fogem à regulação tradicional. O caso do Will Bank reforça que instituições financeiras devem operar sob regras que protejam a população e o sistema como um todo. Precisamos de fiscalização rigorosa para evitar riscos sistêmicos e punição aos responsáveis por irregularidades”, afirma.
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