30/03/2015
Insegurança: 'saidinha de banco' em Monte Alto e tentativa de explosão em Pirangi
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A cidade de Pirangi voltou a ser alvo de bandidos que tentaram explodir um caixa eletrônico da agência local do Banco do Brasil, na madrugada do sábado (28). É o segundo ataque a bancos da cidade em menos de 40 dias – em fevereiro, houve explosão no Bradesco, danificando paredes de vidro, vidraças e a porta do estabelecimento. Desta vez, a dinamite não explodiu e os criminosos fugiram sem levar nada.O presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, Paulo Eduardo Bellucci Franco, esteve no local para acompanhar a movimentação da polícia após o crime. “Os bandidos estavam fortemente armados e arrombaram a porta principal sem qualquer receio. A cidade possui apenas uma viatura policial, com contingente diminuto e armamento bastante inferior ao dos assaltantes”, critica.
Na visão do sindicalista, o Governo do Estado precisa reforçar o policiamento nas pequenas cidades do interior, uma vez que elas se tornaram alvos preferenciais dos bandidos – exatamente por não oferecer qualquer resistência policial. “Ao contrário, o governo está sucateando e reduzindo o efetivo da PM”, alfineta. O artefato que não explodiu foi retirado pelo Esquadrão Antibombas.
Em entrevista ao portal G1, o tenente da PM André Alexandre Fávero afirmou que os suspeitos não conseguiram detonar o caixa. “Forçaram o explosivo na saída do dinheiro, mas trabalhamos com as hipóteses de que houve falha do explosivo ou os bandidos não souberam manusear o mesmo”, disse. Os homens teriam fugido em direção a Monte Azul Paulista e chegaram a trocar tiros com a polícia.
Em Monte Alto, o diretor sindical Aparecido Augusto Marcelo apurou que bandidos agindo na "saidinha de banco" roubaram um malote que era transportado por uma jovem. A abordagem foi feita com uma moto, segundo uma testemunha. Ambos estavam armados. "Arrancaram o malote das mãos da moça e fugiram em cima da calçada, na contra-mão", relata. Toda a ação aconteceu em frente à agência do Banco do Brasil.
Pesquisa Nacional
Os ataques a bancos subiram 7% em 2014 e alcançaram 3.150 ocorrências no Brasil, uma média assustadora de 8,63 por dia. Desses casos, 2.373 foram arrombamentos de agências, postos de atendimento e caixas eletrônicos (muitos com uso de explosivos), o que representou um crescimento de 13,8% em relação a 2013. Desde 2011, o crescimento dos ataques foi de 95,4% em todo o país.
Já os assaltos (inclusive com sequestro de bancários e vigilantes), consumados ou não, somaram 777, uma redução de 9,5% na comparação com o ano anterior. Em 2013 foram 2.944 ocorrências. Já no primeiro semestre de 2014, foram 1.693 ataques, sendo 1.290 arrombamentos e 403 assaltos. Em quatro anos, os arrombamentos aumentaram 147,4% e os assaltos tiveram elevação de 19%.
Os dados são da 8ª Pesquisa Nacional de Ataques a Bancos, elaborada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Confederação Nacional dos Vigilantes (CNTV) e Federação dos Vigilantes do Paraná, com apoio técnico do Dieese, a partir de notícias da imprensa, estatísticas de segurança pública e informações de sindicatos e federações de vigilantes e bancários.
A CNTV, a Contraf-CUT e a Fetravisp irão encaminhar cópia da pesquisa para o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, solicitando audiência para discutir os ataques a bancos e as medidas para proteger a vida das pessoas. "Queremos cobrar medidas concretas para combater as mortes e os ataques, que ocorrem por negligência dos bancos", diz o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro.
Carência de investimentosConforme estudo feito pelo Dieese, com base nos balanços publicados de 2014, os cinco maiores bancos (Itaú, BB, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander) lucraram R$ 60,3 bilhões e aplicaram apenas R$ 3,7 bilhões em despesas com segurança e vigilância, o que representa uma média de 6,1% na comparação entre os lucros e os gastos com segurança.
O descaso dos bancos fica ainda mais evidente diante das multas aplicadas pela Polícia Federal. Em 2014, eles foram multados em mais de R$ 19 milhões por descumprimento da lei federal 7.102/83 e de normas da PF. As principais infrações foram número insuficiente de vigilantes, equipamentos inoperantes, falta de plano de segurança e uso de bancários para transporte de valores.
Relembre
O ataque contra uma agência do Bradesco, em 21 de fevereiro, terminou com explosão que danificou o equipamento e estragos na estrutura do prédio. A ação teve sequência mesmo depois que o sistema de segurança do banco informou diretamente aos bandidos que eles estavam sendo monitorados, em quantos estavam e em quais veículos. No dia seguinte, numa agência do Banco do Brasil de Taiúva, as explosões foram ainda mais fortes e causaram grande destruição.
Para o diretor sindical Aparecido Augusto Marcelo, que esteve nas duas cidades acompanhando os fatos, a falta de investimento em segurança pública por parte dos banqueiros e do Governo Estadual é umas das causas do caos que está chegando aos pequenos municípios. “Quase todas as cidades da nossa base já sofreram ataques desses bandidos e não se tem notícias de que estejam presos”.
Fonte: Seeb Catanduva, com informações de Contraf-CUT e Portal G1
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