06/03/2015

DIA INTERNACIONAL DA MULHER - 50 TONS DE ROXO



Comemorado em 8 de março, o Dia da Mulher não é apenas uma data comemorativa. É oportunidade para a reflexão sobre o papel da mulher na sociedade, os direitos que ainda não foram conquistados e aqueles que não são preservados.

De acordo com a Pesquisa de Emprego Bancário (PEB) realizada pela Contraf-CUT, em parceria com o Dieese, as bancárias ainda são discriminadas no ambiente de trabalho. Embora representem 48,3% da categoria e sejam mais escolarizadas, elas ganham menos quando contratadas.

“A desigualdade permanece ao longo da carreira. Os homens possuem mais acesso a cargos elevados e a remuneração das mulheres, vista na pesquisa, é bem inferior à dos homens quando desligados dos postos de trabalho”, comenta Paulo Franco, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região.

Enquanto a média dos salários dos homens na admissão foi de R$ 3.805,74 ao longo do ano de 2014, a remuneração das mulheres ficou em R$ 2.921,66, ou seja, valor 23,2% menor que a remuneração de contratação dos homens.

Já a média dos salários dos homens no desligamento foi de R$ 6.017,45 no período, enquanto a remuneração das mulheres foi 26% menor.

“Essa discriminação é inaceitável e reforça ainda mais a luta da categoria por igualdade de oportunidades na contratação, na remuneração e na ascensão profissional”, enfatiza o presidente, reafirmando que muitos temas relacionados à mulher são negligenciados não só entre a categoria, mas em todo o país.

Para a diretora do Sindicato Débora Devazzio Machado, a autonomia sexual e social da mulher ainda não foi compreendida por uma parcela significativa da população.
“Para muitos homens, nós, mulheres, somos consideradas objeto sexual. E o capitalismo se beneficia dessa concepção machista quando vincula nossa imagem a propagandas de cerveja, por exemplo. Em casos de abuso ou assédio sexual, a culpa é sempre direcionada à mulher, que, segundo o senso comum, não se portou como deveria ou utilizou roupas tidas como vulgares”.

Ela ressalta que o preconceito é triplicado quando se trata de mulheres negras e pobres, “como se não bastassem as atrocidades cometidas por homens ricos e brancos contra essas mulheres ao longo da história”, reflete.

A Lei Maria da Penha, decretada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2006, desempenha um importante papel social, punindo homens que agridem suas companheiras. Porém, a legislação é insuficiente na preservação da integridade física e psicológica de todas as brasileiras.

A violência psicológica é caracterizada por ameaças, rejeições e humilhações. Muitas vezes, quando consegue se livrar desse tipo de agressão, a mulher passa a ser vítima de violência moral, que é quando ela é caluniada ou injuriada.

A violência contra a mulher também pode se tornar um ciclo vicioso – meninas que crescem vendo as mães apanharem dos pais ou serem humilhadas por eles podem desenvolver esse tipo de relação em suas próprias vidas. “Desta forma, fica estabelecida a cultura da violência”, lamenta o presidente do Sindicato.
 
Drama não é filme
 
Diferente do clima de romance e sexo apimentado que supostamente compõe o enredo do filme “Cinquenta tons de cinza” e do livro homônimo, a produção perpetua o problema da violência contra as mulheres e até retrata o fato com naturalidade e glamour – colaborando para o abuso seja socialmente aceito.

De acordo com relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2013, mais de um terço de todas as mulheres do mundo são vítimas de agressões físicas ou sexuais. A maioria sofre agressões e abusos de seus maridos ou namorados – e têm ossos quebrados, contusões, depressão e outras doenças.

“Esse drama vivenciado por inúmeras mulheres do mundo todo, vítimas da violência doméstica e familiar, não pode se repetir. Não queremos mais ver esse “filme”. É preciso provocar o debate e dar fim a esse problema social, estimulando as denúncias e protegendo as vítimas”, protesta Paulo Franco.


Fonte: Seeb Catanduva

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