29/01/2014

Trabalhadores ocupam a Paulista por respeito aos direitos e em defesa das estatais

Unidas, as seis principais centrais sindicais do Brasil (CUT, Força Sindical, CTB, UGT, NCST e CSB) reuniram cerca de 5 mil trabalhadores na manhã desta quarta-feira, 28, na Avenida Paulista, em São Paulo, em um protesto em defesa dos direitos trabalhistas, da Petrobras e da Caixa Econômica Federal.
 
O Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, representado pelos diretores Antônio Júlio Gonçalves Neto, Júlio Mathias e Roberto Carlos Vicentim (foto à esquerda), participou do ato que começou no vão do MASP pedindo a revogação das Medidas Provisórias 664 e 665, anunciadas no mês passado, que comprometem direitos dos trabalhadores como pensão por morte, auxílio-doença, seguro-desemprego, abono salarial.
 
O que também alimentou a insatisfação da classe trabalhadora foram os aumentos das tributações de operações de crédito (IOF), cosméticos, combustíveis e produtos importados, divulgadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
 
“Com o aumento da tributação, o consumo pode ser comprometido, o que afeta diretamente o nível de emprego no país”, afirma o dirigente sindical Roberto Carlos Vicentim. Ele também defende que os trabalhadores estejam sempre prontos e dispostos a lutar por seus direitos: “Não podemos aceitar que os direitos alcançados retrocedam. Os trabalhadores não podem pagar o preço dos ajustes que precisam ser feitos na economia do país”.
 
Na visão do movimento sindical, os direitos trabalhistas, como o seguro-desemprego, não podem ser fragilizados. Por isso as centrais sindicais defendem que sejam tomadas medidas como o fim da rotatividade e das demissões imotivadas. “Dessa forma, os trabalhadores não são dispensados injustamente e não precisam recorrer ao seguro. Se querem diminuir os gastos com esse tipo de benefício, a melhor solução seria combater as demissões”, ressalta Roberto.
 
Em frente ao Masp, onde os manifestantes se concentraram, o secretário de Finanças da CUT, Quintino Severo, afirmou: "queremos dar um recado ao ministro Joaquim Levy, que não conhece a realidade brasileira. Ele não sabe a facilidade que as empresas brasileiras têm em demitir. Queremos dar o recado que não aceitamos a retirada dos direitos dos trabalhadores”.
 
Ele se referia à alta rotatividade dos empregados, o que torna o seguro-desemprego essencial. Pelas novas regras, o trabalhador terá de ter vínculo empregatício mínimo de 18 meses na primeira solicitação do benefício. Antes era de apenas seis meses.
 
Caixa, um banco público agora e sempre
 
Saindo do Masp, os manifestantes seguiram para o prédio da Caixa Econômica Federal, onde defenderam a instituição financeira como 100% pública em todo o país. O protesto foi contra a suposta abertura de capital da Caixa.
 
“Se não fosse os bancos públicos, o Brasil teria sucumbido às crises internacionais em 2008 e 2010. Foi graças à Caixa e ao BB, que sempre ofereceram crédito mais barato que nos bancos privados, que o país manteve a economia forte”, afirma o dirigente sindical Tony Gonçalves, também funcionário da Caixa. Segundo ele, “não é a abertura de capital da CEF que colocará o Brasil de volta nos trilhos do desenvolvimento econômico e social”.
 
Contra a corrupção na Petrobras
 
Da Caixa, os trabalhadores seguiram em protesto até a sede da Petrobras, em São Paulo, onde criticaram a corrupção na empresa e defenderam a estatal como patrimônio do povo brasileiro. Falando em nome da CUT, Cibele Vieira, dirigente da Sindipetro, cobrou a punição dos comprovadamente envolvidos e a devolução do dinheiro desviado.
 
“Agora não dá para culpar todos os 86 mil petroleiros e nem a Petrobras. A gente está falando de uma empresa que nasceu da organização popular, de uma empresa que nos últimos anos alavancou o desenvolvimento do país com a política de conteúdo nacional, que gerou mais de 80 mil empregos só para os metalúrgicos”, mencionou.
 
A dirigente também condenou a decisão de bloquear contratos e futuras participações em licitações das 23 empresas citadas na Operação Lava-jato, que investiga os desvios na Petrobras.
 
“Tem que prender os empresários, mas não dá pra inviabilizar essas empresas. O que está em jogo é o desenvolvimento e o emprego. Se a Petrobras começar a comprar navio lá fora, são vocês trabalhadores que vão perder emprego. Se a gente somar todas as empresas envolvidas, elas representam 14% do emprego formal no país. Estão querendo inviabilizar o Brasil. Contamos com vocês para vencer essa disputa. Prender corruptos e corruptores, mas sem inviabilizar as empresas para não cair mais uma vez na conta da classe trabalhadora.” A Petrobras é responsável hoje por cerca de 13% do Produto Interno Bruto brasileiro
 
Documentos – Diferentemente do que foi divulgado em coletiva de imprensa na segunda-feira 26, a manifestação não foi até o prédio do Ministério da Fazenda por uma questão logística – ele está localizado no final da Avenida Paulista, no lado oposto à da Petrobras. Os documentos de repúdio às medidas econômicas e em defesa da estatal serão entregues na terça-feira 3 em reunião entre os ministros da área econômica e representantes das centrais sindicais, ocasião mais propícia para o encaminhamento das cartas, segundo informou a CUT.
 
Brasil - Além de São Paulo, as centrais sindicais organizaram manifestações em Maceió, Fortaleza, Brasília, Goiânia, São Luiz, Cuiabá, Campo Grande, João Pessoa, Recife, Teresina, Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador. Trabalhadores rurais, sem-terra, sem-teto e estudantes, entre outros movimentos sociais, também confirmaram presença.
 
Para CUT, Força Sindical, CTB, UGT, NCST e CSB, as medidas adotadas até agora prejudicam os trabalhadores, a economia do país e vão contra os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral. Esse recado já foi levado ao governo, em reunião com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Miguel Rossetto, Nelson Barbosa, do Planejamento, Carlos Gabas, da Previdência Social, e Manoel Dias, do Trabalho e Emprego. Um novo encontro será no dia 3 de fevereiro.
 
O ato desta quarta é uma introdução a outros que têm por objetivo pressionar o governo e mobilizar a sociedade em defesa do projeto que venceu as eleições em 2014 e deve ser colocado em prática. A marcha da classe trabalhadora, por exemplo, já está marcada para 26 de fevereiro.
 
A Central promoverá, ainda, mobilizações no Congresso e na Esplanada dos Ministérios, a partir de 31 de janeiro, para receber os parlamentares que serão empossados e acompanhar o início do ano no Legislativo.
Fonte: Seeb Catanduva e Seeb São Paulo

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