20/11/2014

No setor financeiro, negros ainda são minorias e recebem menos que os brancos

No mês da Consciência Negra, o Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região reforça a luta por igualdade e inclusão racial no trabalho. Mesmo com os avanços dos últimos anos em relação ao emprego, os números apontam que os negros ainda são minorias nas agências e recebem salários inferiores aos dos brancos.
 
O II Censo da Diversidade, que ouviu 187.411 bancários e bancárias entre os dias 17 de março e 9 de maio deste ano, revelou que os brancos ainda representam aproximadamente 75% dos trabalhadores da categoria, enquanto os negros são apenas 25%.
 
Se comparado ao I Censo, realizado em 2008, os indicadores mostram avanços em relação à igualdade racial. Na época, os negros representavam 19% dos trabalhadores. “O avanço ainda é muito pequeno e os negros ainda são minorias nas agências. Além disso, os bancos escondem esses trabalhadores, colocando-os em funções internas. Dificilmente você verá um negro no atendimento ao cliente”, afirma o diretor do Sindicato Aparecido Augusto Marcelo, e ressalta: "Desses 25%, a maioria são funcionários de bancos públicos, que são concursados".
 
O II Censo da Diversidade revelou, também, que os salários da minoria negra são inferiores aos da maioria branca. Hoje, o salário dos negros equivale a 87,3% ao dos brancos, mas em 2008 o equivalente era de 84,1%. “Infelizmente ainda há desigualdade em relação a oportunidades. A maioria dos negros ocupa cargos inferiores nos bancos. É inadmissível que o preconceito ainda se faça tão presente em nossa sociedade. O setor financeiro, sendo o mais lucrativo do Brasil, precisa, com urgência, implantar políticas de inclusão e igualdade de oportunidades”, explica Marcelo.

Símbolo de resistência - A escolha do 20 de novembro tem a ver com a resistência e força contra a escravidão mostrado pelos palmarinos, cujo líder foi Zumbi dos Palmares.
 
Outro motivo para a escolha dessa data é o repúdio ao calendário nacional, que sempre comemorou o fim da escravidão em 13 de maio, data em que a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 1888.
 
Ao desbancar a falsa ideia de que a abolição da escravatura tenha sido um favor dos brancos aos escravos, o 20 de novembro rememora a resistência dos negros contra a escravidão e reforça a luta contra todas as formas de preconceito.
Fonte: Seeb Catanduva, com Fetec-CUT/SP

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