26/09/2014

Após aprovação da greve, Fenaban chama Comando Nacional para nova negociação

Após deliberação da greve geral da categoria bancária, aprovada em assembleias realizadas, em todo o Brasil, na noite desta quinta-feira, 25, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) enviou um ofício à Contraf-CUT, na manhã desta sexta-feira, 26, chamando o Comando Nacional dos Bancários para uma nova rodada de negociação da Campanha Nacional 2014. A reunião está marcada para as 11h deste sábado, 27, em São Paulo.

Leia também: Bancários da região de Catanduva rejeitam proposta dos bancos e aprovam greve
 
Nas assembleias realizadas na última quinta-feira, os bancários rejeitaram as propostas sociais e econômicas apresentadas pela Fenaban, e aprovaram a paralisação nacional que deverá ter início a meia noite da próxima terça-feira, 30. A Contraf-CUT já respondeu o ofício se colocando à disposição "para a retomada das negociações visando buscar uma nova proposta que atenda às expectativas da categoria bancária".
 
Paulo Franco, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, ressalta a importância da mobilização dos trabalhadores: “Poucas horas após a decisão de greve, a Fenaban já entrou em contato. Isso é um fato inédito. A expectativa dos bancários, agora, é que as propostas que serão apresentadas neste sábado contemplem as reivindicações dos trabalhadores”.
 
A possibilidade de greve ainda não está descartada. A paralisação continua marcada para começar no dia 30, entretanto, os Sindicatos de todo o Brasil realizarão assembleias, na próxima segunda-feira, 29, para avaliar e aprovar, ou não, as propostas que serão apresentadas pela Fenaban no final de semana.

Leia o resumo da proposta econômica da Fenaban:

Reajuste de 7% (0,61% de aumento real).
Piso portaria após 90 dias - 1.235,14 (7,5% ou 1,08% de aumento real).
Piso escritório após 90 dias - R$ 1.771,73 (1,08% acima da inflação).
Piso caixa/tesouraria após 90 dias - R$ 2.393,33 (salário mais gratificação mais outras verbas de caixa), significando 1,08% de aumento real).
PLR regra básica - 90% do salário mais R$ 1.812,58, limitado a R$ 9.723,61. Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 21.391,93.
PLR parcela adicional - 2,2% do lucro líquido dividido linearmente para todos, limitado a R$ 3.625,16.
Antecipação da PLR
Primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva e a segunda até 2 de março de 2015.
Regra básica - 54% do salário mais fixo de R$ 1.087,55, limitado a R$ 5.834,16 e ao teto de 12,8% do lucro líquido - o que ocorrer primeiro.
Parcela adicional - 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2014, limitado a R$ 1.812,58
Auxílio-refeição - R$ 24,14.
Auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta - R$ 425,20.
Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) - R$ 353,86.
Auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) - R$ 302,71.
Gratificação de compensador de cheques - R$ 137,52.
Requalificação profissional - R$ 1.210,04.
Auxílio-funeral - R$ 811,92.
Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto - R$ 121.072,92.
Ajuda deslocamento noturno - R$ 84,75.

Veja, também, o resumo da proposta social da Fenaban:

Certificação CPA 10 e CPA 20 - Quando exigido pelos bancos, os trabalhadores terão reembolso do custo da prova em caso de aprovação.
Adiantamento de 13º salário para os afastados - Quando o bancário estiver recebendo complementação salarial, terá também direito ao adiantamento do 13º salário, a exemplo dos demais empregados.
Reabilitação profissional - Cada banco fará a discussão sobre o programa de retorno ao trabalho com o movimento sindical.
Monitoramento de resultados - Terá redação mais abrangente. Além do SMS, a cobrança de resultados passará a ser proibida também por qualquer outro tipo de aparelho ou plataforma digital.
Gestantes - As bancárias demitidas que comprovarem estar grávidas no período do aviso prévio serão readmitidas automaticamente.
Casais homoafetivos - Os bancos irão divulgar a cláusula de extensão dos direitos aos casais homoafetivos, informando que a opção deve ser feita diretamente com a área de RH de cada banco, e não mais com o gestor imediato, para evitar constrangimentos e discriminações.
Novas tecnologias - Realização de seminários periódicos para discutir sobre tendências de novas tecnologias.
Segurança bancária - Realização de mais dois projetos-piloto de segurança em cidades diferentes, uma a ser escolhida pelo Comando Nacional e outra pela Fenaban, nos mesmos moldes da experiência desenvolvida em Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes.
As reivindicações ignoradas pelos bancos
Fim das metas abusivas - "Não há como fechar um acordo sem solução para o problema das metas abusivas", reitera Carlos Cordeiro, coordenador do Comando Nacional e presidente da Contraf-CUT.
Emprego - O Comando insistiu na necessidade de mais contratações, na adoção de medidas para preservar o emprego, como a proibição de demissões imotivadas (Convenção 158 da OIT),e o fim da rotatividade e das terceirizações.
Segurança - Os bancários querem estender a todo o país as medidas de segurança testadas e aprovadas no projeto-piloto de Recife, Olinda e Jaboatão. Para o Comando, a proposta de criar novos projetos-pilotos só deve ser implementada com mais medidas de segurança, buscando testar outros equipamentos. "Queremos continuar salvando vidas", disse o presidente da Contraf-CUT.
Igualdade - O Comando refirmou a necessidade de instituir mecanismos para acabar com a diferença salarial entre homens e mulheres, como demonstrou o II Censo da Diversidade. Uma dessas medidas deve ser a implementação de PCS em todos os bancos. Mas a Fenaban diz que PCS é um problema de cada banco e se recusa a incluir o tema na Convenção Coletiva.
PCMSO - Instituir avaliação da qualidade dos exames médicos de retorno, de mudança de função e periódico. Os bancos disseram que o assunto deve ser debatido na mesa temática sobre saúde do trabalhador.
Ampliação da cesta-alimentação para afastados.
Fim da revalidação de atestados médicos - A Fenaban alega que pode ser feito pelos médicos do trabalho de cada banco e que não tem acordo.
Pausas e revezamentos no auto-atendimento - Após pressão do Comando, os bancos ficaram de rediscutir a concessão de rodízio para quem trabalha no auto-atendimento.

Calendário
 
Setembro
27 - Oitava rodada de negociação com a Fenaban
29 - Assembleia para deflagração da paralisação
30 - Greve nacional por tempo indeterminado
 
Outubro
2 - Manifestações em frente aos prédios do Banco Central, em defesa de um BC independente do mercado financeiro.
Fonte: Seeb Catanduva, com Contraf/CUT-SP

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