28/08/2014

Segurança não é prioridade dos banqueiros, mas Comando Nacional cobra mais proteção

A segunda rodada de negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) começou nesta quarta-feira, 27, e continua na quinta, 28, em São Paulo. Os assuntos tratados são segurança e igualdade de oportunidades.

Um ponto importante do debate foi o Projeto Piloto, conquistado pelos bancários em 2012 e implantando em abril de 2013, em Olinda, Recife e Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco. Em um ano, o projeto demonstrou sua eficácia, com a redução de 30% dos números de assaltos.

Entre os itens de segurança reivindicados pelos bancários, e que constam no Projeto-Piloto, estão porta giratória com detector de metais, câmeras internas e externas, biombos nos caixas, guarda-volumes e vigilantes armados e com coletes.

“Os instrumentos de segurança utilizados no Projeto Piloto ainda são insuficientes, mas mostraram sua eficácia, portanto, é preciso que sejam normas para os bancos e façam parte da Convenção Coletiva de Trabalho dos Bancários”, afirma Luiz César de Freias, diretor do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região, presidente da Fetec-CUT/SP e representante da categoria no Comando Nacional.

Segurança – Foram apresentados à Fenaban, dados da Pesquisa Nacional de Mortes em Assaltos Envolvendo Bancos, realizada pela Confederação dos Bancários (Contraf-CUT) e Confederação Nacional de Vigilantes & Prestadores de Serviços (CNTV), com apoio do Dieese. A pesquisa aponta que, apenas no primeiro semestre de 2014, 32 pessoas foram mortas, o que representa uma média de cinco ocorrências por mês, um aumento de 6,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Dentre as vítimas, 68,8% são clientes, mortos em “saidinhas de banco”.

Outra pesquisa, realizada pela Contraf-CUT, CNTV e Fetravisp, com apoio do Dieese, foi apresentada pelo Comando Nacional dos Bancários à Fenaban. A análise aponta que, nos seis primeiros meses de 2014, foram registradas 1.693 ocorrências de ataques a bancos, sendo sendo 403 assaltos e 1.290 arrombamentos. A média impressiona: são nove casos por dia, o que representa um aumento de 9,1% em relação ao primeiro semestre do ano passado.

As pesquisas apresentadas pelos dirigentes sindicais foram feitas com base em notícias da imprensa, dados das secretarias estaduais de segurança e registros de sindicatos de bancários e de vigilantes. Os banqueiros, porém, questionaram a legitimidade das análises. Os números de assaltos apresentados pelos bancários, por exemplo, são mais que o dobro que aponta a estatística da Fedração Brasileira dos Bancos (Febraban), que apurou 186 ocorrências no período, contra 403 dos bancários. "Como dissemos na mesa de negociação, estamos à disposição para conferir os números dos dois levantamentos para apurar essa grande diferença", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.

Investimentos em segurança – Um estudo do Dieese apontou que os bancos gastaram R$ 2,4 bilhões em segurança e vigilância no primeiro semestre de 2014, o que representa uma média de 8,6% dos lucros do período, que chegaram a R$ 28,3 bilhões.

Novamente, os bancos questionaram o levantamento dos dirigentes sindicais, afirmando que não foram contabilizadas as despesas com transporte de valores. Por isso, os bancários cobraram transparência dos bancos e pediram o detalhamento dos investimentos em segurança.

O Comando Nacional dos Bancários reivindicou, também, que todas as agências possuam esquemas eficientes de segurança contra roubos, sequestros e extorsões, de forma que a vida dos trabalhadores e dos clientes seja protegida. A Fenaban se comprometeu a avaliara situação com os bancos. A questão voltará a ser discutida

Guarda das chaves – Outra reivindicação da categoria foi para que a guarda das chaves e acionadores de alarme seja de responsabilidade de uma empresa de segurança contratada. A medida deve evitar que os bancários sejam alvos de assaltos e sequestros. A Fenaban remeteu o debate para mesa temática.

Assistência – Uma das propostas da pauta dos bancários reivindica a assistência física e psíquica aos trabalhadores vítimas de assaltos, sequestros e extorsões, incluindo o custeio de remédios e tratamentos necessários. O tema ainda voltará a ser debatido, mas os bancários ainda pedem que o banco emita a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) aos empregados que estiverem no local que houver a ocorrência, além de comunicar a CIPA e o sindicato local.

Estabilidade – Não houve acordo entre os bancos e os dirigentes sindicais em relação à estabilidade de emprego das vítimas de assalto. Os bancos negaram que esses trabalhadores tenham estabilidade provisória mínima de 36 meses após a ocorrência, e por tempo indeterminado se houver sequelas.

Adicional – Não houve acordo, também, em relação ao adicional periculosidade de 30% ao salário. Os bancos negaram a reivindicação.

Boletim de ocorrência – O Comando Nacional solicitou à Fenaban que os bancos enviem cópias do boletim de ocorrência ao sindicato local e à Contraf-CUT. Os bancos, novamente, negaram a reivindicação.

“Infelizmente os bancos demonstraram indiferença com a vida dos trabalhadores, dando importância apenas ao seu patrimônio e ao lucro cada vez maiores”, conclui Luiz César de Freias.

Calendário de negociações da Campanha 2014
 
Agosto
28 - Segunda rodada de negociações com a Fenaban
29 - Segunda rodada específica com a Caixa
 
Setembro
1º - Segunda rodada de negociação específica com o BB
2 - Negociação específica com o Santander
3 e 4 - Terceira rodada de negociação com a Fenaban
10 e 11 - Quarta rodada de negociação com a Fenaban
12 - Terceira rodada de negociação específica com o BB
Fonte: Seeb Catanduva, com informações de Contraf-CUT e Fetec-CUT/SP

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