20/08/2014

Começou mal: Bancos negam que as metas são abusivas

O primeiro dia de negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não começou nada bem. A primeira reunião foi realizada na última terça-feira, 19, em São Paulo, e tratou dos temas saúde e condições de trabalho, com foco nas metas abusivas e no assédio moral. Os bancos, porém, frustraram o debate com os bancários.
 
Para Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional dos Bancários, o adoecimento dos trabalhadores é resultado direto da pressão que sofrem dentro das agências: "A saúde e as condições de trabalho são prioridades definidas pela 16ª Conferência Nacional dos Bancários. Tanto as pesquisas do Dieese como as consultas dos sindicatos mostram que há muitos trabalhadores adoecendo, usando remédios de tarja preta e até chegando à morte. Não aceitamos trabalhar em ambiente que adoece. E isso está ligado à gestão dos bancos, sobretudo à cobrança de metas. Se não discutirmos as metas, vamos continuar enxugando gelo"
 
SAÚDE - O Comando Nacional apresentou à Fenaban números do INSS que comprovam que 18.671 bancários tiveram afastamento do trabalho por doença no ano passado, um crescimento de 41% em relação aos últimos cinco anos. Apenas em Catanduva, uma pesquisa respondida por 447 bancários apontou que um quarto deles tomou ou está tomando medicação controlada nos últimos doze meses.
 
Dados do Ministério da Saúde, em 2013, revelaram que transtornos mentais e comportamentais (como depressão, síndrome do pânico, estresse, etc.) foram as principais causas de afastamento, representando 27% dos benefícios do INSS, com 5.042 casos. Os afastamentos por doenças mentais superam os casos de doenças do sistema osteomuscular, que até o ano anterior ainda estavam em primeiro lugar em número de afastamentos, desta vez vieram em segundo, com 4.589 casos, 24,58% do total de benefícios.
 
METAS – O Comando Nacional também discutiu as metas, consideradas abusivas, com os bancos. Para os bancários, a discussão das metas é um direito do trabalhador, visto que o impacto é direto na saúde. “As metas não podem, nem devem, ser definidas unilateralmente. Os trabalhadores precisam ser ouvidos e as metas devem ser construídas em consenso” disse Paulo Franco, presidente do Sindicato dos Bancários de Catanduva e Região. Ele aponta, ainda, os impactos na saúde do trabalhador: “Com poucos bancários nas agências, as metas se tornam cada vez mais abusivas, o que gera pressão excessiva e assédio moral sobre os bancários”.
 
Os banqueiros, porém, não pensam dessa forma. Para a Fenaban, a definição das metas é feita de acordo com a gestão de cada banco, e não cabe a interferência dos trabalhadores. Os bancos sugeriram ainda que os dados sobre doenças e afastamentos de bancários seriam uma fraude.
 
Durante a negociação, Carlos Cordeiro retrucou, afirmando que a "gestão não é um problema só dos bancos, porque o modelo que escolhem e implementam está adoecendo o bancário. Gestão não pode ser apenas para remunerar os acionistas. Tem que olhar o impacto que traz à saúde do trabalhador".
 
ISONOMIA – O terceiro assunto tratado na primeira rodada de negociações com os bancos foi a isonomia de direitos para bancários afastados por acidente de trabalho ou motivos de saúde. Atualmente, esses trabalhadores possuem alguns direitos limitados como apenas seis meses de cesta-alimentação e suspensão do pagamento da PLR.
 
“O bancário afastado não pode ser duplamente punido, tendo menos direitos além de estar doente. Por isso lutamos pelo tratamento dos afastados igual aos demais bancários” explica Paulo Franco.
 
A negociação sobre saúde e condições de trabalho continua nesta quarta-feira, 20, e deve tratar de assuntos como reabilitação profissional, manutenção dos planos de saúde na aposentadoria, PCMSO, Cipa e Sipat, dentre outras reivindicações.
 
PRÓXIMAS NEGOCIAÇÕES
Agosto
20 - 8h30 às 13h: Saúde e condições de trabalho
27 - 10h às 18h: Igualdade de Oportunidades e Segurança Bancária
28 - 8h30 às 13h: Igualdade de Oportunidades e Segurança Bancária
Setembro
3 - 13h às 18h: Emprego e Remuneração (PCS e piso)
4 - 10h às 18h: Emprego e Remuneração (PCS e piso)
10 - 13h às 18h: Remuneração (índice, PLR e auxílios)
11 - 10h às 18h: Remuneração (índice, PLR e auxílios
Fonte: Seeb Catanduva, com informações de Contraf-CUT

SINDICALIZE-SE

MAIS NOTÍCIAS