Queixas contra bancos cresceram 97,4% em 2013
Reclamações ao Banco Central apontam insatisfação com débitos não autorizados, prestação de conta salário de forma irregular e cobrança irregular de serviços
As queixas de clientes contra os bancos quase dobrou entre 2012 e 2013. Segundo levantamento feito pelo G1 com base nos dados do Banco Central, o número de reclamações cresceu 97,4% no período. Foram 23.443 reclamações em 2013, contra 11.874 recebidas no ano anterior. As razões para insatisfação dos usuários repetem-se mês a mês: débitos não autorizados (4.741 queixas no ano), prestação de conta salário de forma irregular (3.167) e cobrança irregular de serviços não contratados (2.864).
Os números referem-se apenas a instituições com mais de 100 milhões de clientes nas quais o BC considerou haver descumprimento de regras do Conselho Monetário Nacional (CMN) ou do próprio Banco Central.
Se incluídas todas as reclamações recebidas em 2013, inclusive aquelas em que o BC não viu infração, a alta foi de 76,3% em relação a 2012, chegando a 152.650. Para a Banco Central, o aumento das queixas tem relação com a inclusão financeira, maior número de clientes das instituições, a educação financeira e a complexidade de produtos bancários. Além disso, a divulgação de suas ações na mídia e a criação da diretoria de relacionamento institucional e cidadania também teriam contribuído para mais pessoas reclamarem mais ao BC.
Ainda de acordo com levantamento do G1, o número de clientes das instituições subiu 7,3% de 2012 para o ano passado, muito menos do que o aumento de 97% nas reclamações. No Santander, banco em que as queixas mais cresceram, a alta foi de 329% nas reclamações e 0,4% no número de clientes.
Sem punição – O Banco Central tem a função de fiscalizar os bancos do país. Mantém canais para receber reclamações dos clientes e faz o meio de campo para resolver os problemas.
“Não tem punição por descumprir normas”, diz a economista do Idec Ione Amorim, que defende uma fiscalização “mais enérgica até financeiramente” para haver melhoria dos serviços e atenção às normas.
Na avaliação da Proteste, falta transparência às informações sobre o setor e resposta do BC ao consumidor sobre as reclamações. “Encontramos muitos casos em que o BC não consegue resolver e há reincidência das mesmas instituições, dos mesmos problemas. Queremos que a solução seja mais rápida para que as reclamações caiam, não sejam as mesmas nem aumentem em quantidade”, disse a coordenadora institucional da Proteste, Maria Inês Dolci, ao G1.
O Banco Central informou dar “atenção especial” aos “assuntos mais graves e mais recorrentes” e que as demandas registradas são usadas no planejamento e na supervisão às instituições fiscalizadas. “As ações de supervisão de conduta podem resultar em medidas punitivas”, explica a autoridade monetária, sem especificar que punições seriam possíveis e quais já foram aplicadas.
Redação SP Bancários, com informações do G1
MAIS NOTÍCIAS
- “Super Injusto”: Ninguém entende o Super Caixa, nem a Caixa!
- Itaú é denunciado por dificultar afastamento de trabalhadores adoecidos
- Funcef fecha primeiro trimestre com desempenho positivo. Planos superam metas
- Bradesco amplia lucro no 1º trimestre de 2026 enquanto mantém cortes de empregos e fechamento de agências
- Itaú lucra R$ 12,2 bilhões no 1º trimestre, enquanto segue fechando postos de trabalho e agências
- Engajamento e mobilização para a Consulta Nacional é fundamental para sucesso da Campanha Nacional da categoria
- Audiência no Senado vai debater escala 6x1 como forma de violência estrutural contra as mulheres
- Clube dos Bancários terá novo horário de funcionamento. Confira!
- 42º Congresso Estadual dos Empregados da Caixa será dia 16 de maio
- Banco Mercantil registra lucro recorde no 1º trimestre, mas trabalhadores cobram valorização e melhores condições
- Prazo para votar nas eleições do Economus termina dia 7 de maio; participe!
- Oxfam: trabalhador levaria 490 anos para igualar salário de CEO bilionário
- ContrafCast: Confira entrevista com Meilliane Vilar, advogada da CUT na defesa da lei de igualdade salarial no STF
- Bancários de Catanduva e região: 63 anos de luta que ecoam no tempo e constroem o futuro
- Ao arrepio da lei e da negociação coletiva, Santander quer prejudicar ‘hipersuficientes’