24/01/2014
Bancos fecham 4.329 empregos em 2013, enquanto Brasil gera 1,1 milhão
O sistema financeiro nacional fechou 4.329 postos de trabalho entre janeiro e dezembro de 2013. O número só não foi ainda maior porque a Caixa Econômica Federal criou 5.486 vagas no mesmo período. A redução de bancários está na contramão da economia brasileira, que gerou 1.117.171 novos empregos no mesmo período. Além dos cortes, os bancos mantiveram a prática de alta rotatividade de mão de obra para reduzir a folha de pagamento.Os dados constam na Pesquisa de Emprego Bancário (PEB) divulgada nesta quinta-feira (23) pela Contraf-CUT, que faz o estudo em parceria com o Dieese, com base nos números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Segundo o estudo, os bancos brasileiros contrataram 38.563 funcionários entre janeiro e dezembro e desligaram 42.892. Nove estados apresentaram saldos negativos de emprego. Os maiores cortes ocorreram em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde se pode observar maior presença de instituições privadas.
Clique aqui para acessar gráficos e tabelas da pesquisa.
"Mesmo com lucros bilionários, os bancos brasileiros, principalmente os privados e o Banco do Brasil, cortaram postos de trabalho, freando a geração de empregos e renda para o crescimento com desenvolvimento econômico e social do país", avalia Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.
"Os bancos privados seguiram abusando da rotatividade, esse mecanismo perverso usado para reduzir a massa salarial e turbinar ainda mais os lucros", critica o dirigente sindical. "Por isso o principal desafio dos bancários em 2014 é lutar contra as demissões, por mais contratações e pelo fim da rotatividade e das terceirizações, como forma de proteger e ampliar o emprego", aponta Cordeiro.
Rotatividade diminui salários
A pesquisa mostra que o salário médio dos admitidos pelos bancos entre janeiro e dezembro foi de R$ 2.966,47, contra salário médio de R$ 4.731,57 dos desligados. Ou seja, os trabalhadores que entram no sistema financeiro recebem remuneração 37,3% inferior à dos que saem.
"Com a rotatividade, os bancos mostram que responsabilidade social e sustentabilidade não passam de peças de marketing, pois não estão amparadas na prática das instituições com o emprego e a remuneração dos trabalhadores", ressalta o presidente da Contraf-CUT.
Maior concentração de renda nos bancos
No Brasil, os 10% mais ricos no país, segundo estudo do Dieese com base no Censo de 2010, têm renda média mensal 39 vezes maior que a dos 10% mais pobres. Ou seja, um brasileiro que está na faixa mais pobre da população teria que reunir tudo o que ganha durante 3,3 anos para chegar à renda média mensal de um integrante do grupo mais rico.
No sistema financeiro, a concentração de renda é ainda maior. No Itaú, por exemplo, cada executivo da diretoria recebeu, em média, R$ 9,05 milhões em 2012, o que representa 191,8 vezes o que ganhou o bancário do piso salarial. No Santander, cada diretor embolsou, em média, R$ 5,62 milhões no mesmo período, o que significa 119,2 vezes o salário do caixa. E no Bradesco, que pagou, em média, R$ 5 milhões no ano para cada diretor, a diferença foi de 106 vezes.
Ou seja, para ganhar a remuneração mensal de um executivo, o caixa do Itaú tem que trabalhar 16 anos, o caixa do Santander 10 anos e o do Bradesco 9 anos.
"Desta forma, os bancos seguem campeões em concentração de renda, dando um péssimo exemplo para a sociedade. Isso explica porque o Brasil está entre os 12 países mais desiguais do mundo. Precisamos combater todas as formas de discriminação, buscando reduzir as desigualdades e avançar na construção de um país mais justo e solidário", enfatiza o presidente da Contraf-CUT
Luta pela valorização do trabalho
O Cordeiro defende um outro sistema financeiro para os bancários e a sociedade. "Não é possível que os bancos continuem com essa política nociva de reduzir custos e cobrar juros e tarifas abusivas para lucrar ainda mais, sem olhar para o impacto nos trabalhadores, nos clientes e na economia do país", alerta Cordeiro.
"Este ano, mais do que nunca, precisamos transformar o crescimento em desenvolvimento econômico e social, o que passa por melhoria do salário e mais emprego, como forma de valorizar o trabalho, distribuir renda e avançar na qualidade de vida da população", conclui o presidente da Contraf-CUT.
Fonte: Contraf-CUT com Dieese
SINDICALIZE-SE
MAIS NOTÍCIAS
- “Super Injusto”: Ninguém entende o Super Caixa, nem a Caixa!
- Itaú é denunciado por dificultar afastamento de trabalhadores adoecidos
- Funcef fecha primeiro trimestre com desempenho positivo. Planos superam metas
- Bradesco amplia lucro no 1º trimestre de 2026 enquanto mantém cortes de empregos e fechamento de agências
- Itaú lucra R$ 12,2 bilhões no 1º trimestre, enquanto segue fechando postos de trabalho e agências
- Engajamento e mobilização para a Consulta Nacional é fundamental para sucesso da Campanha Nacional da categoria
- Audiência no Senado vai debater escala 6x1 como forma de violência estrutural contra as mulheres
- Clube dos Bancários terá novo horário de funcionamento. Confira!
- 42º Congresso Estadual dos Empregados da Caixa será dia 16 de maio
- Banco Mercantil registra lucro recorde no 1º trimestre, mas trabalhadores cobram valorização e melhores condições
- Prazo para votar nas eleições do Economus termina dia 7 de maio; participe!
- Oxfam: trabalhador levaria 490 anos para igualar salário de CEO bilionário
- ContrafCast: Confira entrevista com Meilliane Vilar, advogada da CUT na defesa da lei de igualdade salarial no STF
- Bancários de Catanduva e região: 63 anos de luta que ecoam no tempo e constroem o futuro
- Ao arrepio da lei e da negociação coletiva, Santander quer prejudicar ‘hipersuficientes’